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09/12/2011 / Boleiragem Tática

Previsão tática: Real Madrid x Barcelona

A grandeza que envolve a partida deste sábado causa uma expectativa absurda em todos os envolvidos. José Mourinho e Pep Guardiola, os treinadores, são praticamente obrigados pelo contexto a fazer mistério quanto à escalação inicial de suas equipes. Entre as estrelas, os planejamentos, os tabus e as conseqüências, é praticamente impossível fazer previsões para o Superclássico do próximo dia 10, em Madrid, no Santiago Bernabéu, de onde Guardiola jamais saiu derrotado como treinador.

É possível, sim, fazer análises prevendo o que provavelmente irá acontecer. Como por exemplo o 3-4-3 criativo do novo Barcelona, implantado por Guardiola nos últimos meses. O esquema à La Cruyff teve impacto e sucesso imediato entre todos em Barcelona. Ao mesmo tempo que acerta os pontos fortes do ataque, com Daniel Alves na ponta-direita, por exemplo, melhora a defesa e mantém o estilo de jogo do time, que, ademais, ganha velocidade na transição.

Quanto ao onze inicial do Real Madrid, assim como os principais jornais espanhóis, este que vos escreve crê numa trinca de volantes para marcar o setor mais criativo do futebol mundial, o meio-campo catalão. Mourinho deve optar novamente pelo 4-1-4-1 que encarou o rival nas últimas oportunidades, com um cabeça de área marcando individualmente Messi e os outros dois cercando Xavi e Iniesta. Lass Diarra, Khedira e Xabi Alonso são os favoritos à zaga.

Mas como se trata de José Mourinho, as surpresas não podem ser descartadas. O 4-2-3-1 que brilhou em todo o ano pode ser mantido, é uma das alternativas. Não a mais provável. Um 4-3-3 talvez para pressionar, sobretudo no início do jogo. Pelas entrevistas e treinamentos, é fácil constatar, porém, que Mourinho jogará somente com um homem de área, e este é bem capaz de ser Benzema. Nas pontas, Di María é nome certo pela direita e Cristiano Ronaldo pela esquerda. O meio é uma incógnita. E a defesa não terá Arbeloa.

Do outro lado, o Barcelona joga completo.  Muito provavelmente no 3-4-3, com Piqué, Abidal e Busquets na zaga, Daniel Alves na ponta-direita, Xavi , Keita e Iniesta no meio, e, na frente, Messi, Fábregas e Villa. No entanto, pode ser que Pedro ou Mascherano sejam surpresas de última hora. Thiago Alcântara também. Fato é, porém, que Guardiola não gosta muito disso. Prefere se planejar e treinar com um time na cabeça e escalar esse mesmo time. Considera mais fácil e costuma fazer isso.

Taticamente, é de esperar um duelo rico em alternativas e novidades que só serão desvendadas momentos antes de a bola rolar. Embates individuais também merecem atenção. E será importante saber a marcação optada pelo rival. É difícil crer que o Real não vá marcar sob pressão e individualmente os principais jogadores do Barcelona. Ainda mais de Mourinho optar pelo 4-1-4-1.

O “1” entre as linhas de 4 é o cara para colar e seguir Messi por todo o campo. Afinal, o argentino tem se mexido muito no 3-4-3. Da ponta-direita para o centro, do centro para a esquerda, da esquerda para a direita, sempre buscando adentrar a grande área. O manjado “falso nove” já virou “ faz de tudo”. Fábregas, na referência, deve receber a atenção especial do zagueiro-central do Real. Os outros dois volantes baterão com Xavi e Iniesta. E terão a missão de dar velocidade às saídas de bola, uma missão complicada contra o time da posse de bola e da recomposição veloz.

Pelos flancos, duelos interessantes. Cristiano Ronaldo x Piqué, Daniel Alves x Marcelo, Di María x Busquets ou Abidal,  Villa x o lateral-direito escolhido por Mourinho para suprir Arbeloa, suspenso. E Messi X? A resposta que Mourinho ainda não achou, mas continua à procura. Talvez Lass Diarra. Caberá a um de seus cabeças de área a missão de seguir o argentino, que deve começar jogando na ponta-direita, mas sempre abrindo o corredor para as ultrapassagens de Daniel Alves.

É jogo para se esperar, gravar, ver e rever. É jogo para se recordar. E a ansiedade toma conta. Que venham gols, que venham surpresas, que venha o Superclássico.

05/12/2011 / Boleiragem Tática

O dedo de Tite no título corintiano

O nervosismo digno de uma final de campeonato tirou o brilho do Corinthians. O adversário contribuiu. Jogos contra o Palmeiras são sempre tensos para a Fiel e seus jogadores. E não pôde se ver o time campeão em campo. Viu-se, sim, um time guerreiro, com vontade de levantar a taça e marcar o nome na história, mas não a equipe brilhante que encantou os críticos em boa parte do campeonato.

Com Wallace no lugar do suspenso Ralf, Tite alegou querer dar estatura ao time. Queria, na verdade, se defender da melhor arma do Palmeiras atualmente: a bola parada de Marcos Assunção. O zagueiro não foi bem improvisado na cabeça de área, bateu mais do que devia e acabou expulso. Pelo caráter do jogo e, principalmente, pelas características de Wallace desde os tempos de Vitória, é possível dizer que Tite errou. Mas por tudo que fez durante a temporada, seria, acima de tudo, injusto.

O homem que planejou, montou e executou o esquema tático mais regular do campeonato, culminando numa campanha invejável, merece mais elogios do que críticas. Desde a primeira rodada, contando com um time equilibrado, e muito ofensivo. Um time que ansiava, “babava “ por vitórias.

Com um elenco repleto de boas opções, ainda mais complementado pela janela de transferências do meio do ano, Tite tinha a obrigação de montar um time vencedor, capaz, sobretudo, de brigar pelo título. Porém, é preciso ser experiente e competente para isso. Exemplos não faltam para comprovar o contrário. E Tite é muito mais do que isso. E passou por dificuldades bem maiores, a principal delas a pressão imposta pela torcida e pela imprensa.

Eliminado de forma muito precoce na Libertadores, tinha tudo para cair. Sobreviveu. A ação incomum de Andrés Sanchez transbordava confiança em Tite. O presidente sabia do nível do treinador. E não se arrependeu. Recebeu, como retribuição, um título brasileiro merecido, conquistado por um time brilhante, extremamente bem treinado. E administrado. Porque as funções do técnico transcendem as quatro linhas e adentram o vestiário. Tite sabe, como poucos, lidar bem com isso.

Mas é melhor analisar o que as câmeras mostram. Os bastidores obscuros muitas vezes não são capazes de salvar um técnico. E fazendo bem o seu trabalho à beira do campo, não há técnico que seja derrubado. Tite o fez. E respondeu às críticas trabalhando. Aos que o chamavam de retranqueiro, lançou o time à frente; aos que o chamavam de ultrapassado, adotou o sistema mais moderno da atualidade, o 4-2-3-1, com funções modernas, como a de falso-nove; aos que o chamavam de metido, o abraço em todos os jogadores no apito final.

Inteligentemente, Tite aproveitou bem as peças que tinha à disposição. E soube usar o seu grupo de jogadores. Adriano, por exemplo, poucas vezes entrou, devido às péssimas condições em que se encontra. Mesmo assim, o treinador corintiano soube tirar leite de pedra. E Adriano foi decisivo, marcando o gol da vitória sobre o Atlético Mineiro.

Cheio de alternativas na frente, conseguiu provar para atacantes que marcar poderia ser tão importante quanto atacar. Willian e Emerson nunca correram tanto atrás de lateral. Nas pontas, além de darem velocidade ao time, são importantes na recomposição do time também.  Assim como Liédson no primeiro combate à saída de bola adversária.

Com a bola, é difícil achar um time melhor treinado. No 4-2-3-1, o Corinthians é muito rápido na transição, é versátil, inteligente, ousado e decisivo. Na pior das hipóteses, um time que adianta as linhas, ganha a marcação e pressiona o rival. A qualidade dos jogadores é fundamental, mas o dedo de Tite não pode ser esquecido. Um time campeão, para muitos, começa com um bom goleiro. Para os melhores, um time campeão precisa começar com um técnico campeão.

 

26/11/2011 / Boleiragem Tática

Manchester United 1 x 1 Newcastle – Empate heróico na conta da arbitragem, da sorte e da muralha alvinegra

Antes de enfrentar uma das piores sequências de jogos de todo o campeonato, contra, respectivamente, Manchester City, Manchester United e Chelsea, o técnico do Newcastle, Alan Pardew, chegou a dizer que de 9 pontos, a conquista de um ou dois seria de extrema importância para a equipe. Depois de se acovardar no City of Manchester, na semana passada, foi corajoso e audacioso, lançou o time à frente e jogou de igual para igual neste sábado, contra o United, em pleno Old Trafford. No entanto, mais do que a postura ofensiva, a sorte, a arbitragem, a capacidade de salvação da zaga e de Tim Krul foram essenciais para a conquista de um empate heróico.

Até perder Jonas Gutiérrez expulso, na segunda etapa, o Newcastle travava um duelo equilibrado com os donos da casa. Pelo primeiro tempo que fez, poderia, até mesmo, vencer o jogo. Organizado no 4-4-1-1, trabalhava muito bem a bola e tinha posse de bola incomum para visitantes em Manchester, cerca de 54 % ao final do primeiro tempo. Na defesa, posicionamento correto e desarmes precisos. Um time, definitivamente, muito difícil de ser batido.

Os defeitos do Manchester também ajudavam. Como a falta de participação dos pontas. Giggs recebia a bola no meio e era praticamente obrigado a fazer lançamentos longos para a dupla de ataque. Nem Nani nem Young davam opções. E tome bola pelo alto. Isso melhorou quando ambos passaram a trocar de lados frequentemente. Logo de cara, Nani quase marcou. Assim, além de confundirem a marcação, abriam mais o corredor para o apoio de Evra e Fábio, ambos muito bem na partida.

O duelo de boa parte do jogo: 4-4-2 dos donos da casa contra o 4-4-1-1 dos visitantes, muito dependente da posse de bola e de Ben Arfa.

Tanto é que o Manchester United só foi abrir um placar num lance de sorte. Após cobrança de falta na barreira, Wayne Rooney aproveitou o rebote e, de primeira, bateu forte de perna esquerda, de fora da área. Taylor tentou aliviar o perigo à frente do gol, mas a bola bateu em Chicharito Hernández e entrou: 1 a 0 United. O centroavante que peca muito nas finalizações de fora da área tem um faro de gol impressionante dentro dela.

Ao contrário do que era de se esperar, o Manchester não relaxou. Seguiu adiantando suas linhas, aproveitando os lançamentos de Giggs, a maior participação dos wingers Nani e Young, e pressionando o rival. Ao recuar para armar, como em alguns momentos da primeira etapa, Rooney abria muitos espaços na bem postada zaga do time alvinegro. E o Manchester crescia no jogo.

Demorou algum tempo para o time de Alan Pardew se recuperar. Com Bem Arfa cansado e sumido, a bola parava pouco no ataque e a criatividade praticamente inexistia. O time passava a depender muito da ligação direta para o ótimo Bemba Ba. Até que, aos 20, Bem Arfa voltou a aparecer. Caindo pela direita, como sempre gostou. Ele carregou a bola, invadiu a área e recebeu um carrinho lateral de Rio Ferdinand. O zagueiro inglês tocou na bola e depois no camisa 10 alvinegro. Não para o árbitro, que marcou um dos pênaltis menos pênaltis da Premier League. Melhor para o Newcastle, que tem um artilheiro nato, que dificilmente perde pênaltis. Ba, sempre ele: 1 a 1.

O jogo voltava a ter no equilíbrio sua principal característica. Pardew trocou Obertan, inoperante na segunda etapa, pelo insinuante Sami Ameobi, o mais novo da família. Não deu muito resultado. Aos 35, Jonás Gutiérrez pôs quase tudo ao perder, ao acertar Nani com um carrinho violento e desnecessário. Com menos um, a pressão dos donos da casa era iminente. Imediatamente, Pardew sacou Bem Arfa para a entrada de Lovekrands. O Newcastle se reorganizava no 4-4-1, e se defendia como podia

O Manchester tinha 10 minutos – mais os acréscimos – para desempatar o jogo. Mas a bola não entrou. Oportunidades não faltaram. Cruzamento da esquerda, com Young na bola. Cruzamento da direita, de Nani. Enfiada de bola por dentro…E nada. O Newcastle foi guerreiro demais. E tinha uma muralha no gol. E muitos guardiões à frente dela. Nos minutos finais, Simpson salvou em cima da linha, a trave salvou outras duas chances e Krul fez milagre. O ponto heróico conquistado em Manchester vale muito para Alan Pardew, que tem nas mãos um time guerreiro, organizado e surpreendente pelas peças à disposição.

 

 

25/11/2011 / Boleiragem Tática

Monstruosa em Quito, LDU precisa provar que pode ser forte fora de casa

Poucos times são tão fortes dentro de casa como a LDU. Jogando na altitude de Quito, o time equatoriano raramente passa por dificuldades. Graças, principalmente, as características típicas da equipe há anos, como as bolas aéreas, os chutes de fora da área e as jogadas pelos flancos. Com o principal meia inspirado e o centroavante de bem com as redes, tudo se torna ainda mais complicado.

Que o digam os argentinos do Vélez Sarsfield, que sofreram em Quito nesta quinta-feira e acabaram derrotados por 2 a 0, com gols dos melhores em campo: Equi González e Hernán Barcos. Acuados pela pressão exercida pela LDU na maior parte do jogo, pouco assustaram e mereceram a derrota.

A vantagem de dois gols numa competição de mata-mata é muito boa. Torna o time vencedor do primeiro jogo, o favorito para o confronto geral. Mas pelo contraste que a LDU apresenta fora de casa nos últimos, seria totalmente incoerente cravá-la na final da Copa Sul-Americana deste ano. Ademais, o Vélez tem time e torcida para reverter os dois gols de diferença, em Buenos Aires, na semana que vem.

A missão é difícil, mas está longe de ser impossível. Seria muito mais árdua se a LDU jogasse na Argentina como joga em Quito, na altitude, o que raramente acontece. No 3-4-1-2, o time de Edgardo Bauza marca na frente sob pressão, dificulta a saída de bola do adversário e costuma ser ameaça ao gol rival durante boa parte dos 90 minutos.

Quando tem a bola, a equipe equatoriana abusa dos chutes de fora da área, privilegiados pela altitude. Num deles, Equi González abriu o placar. Além dos tentos de média ou longa distância, as bolas alçadas à área pelos alas Reasco e  Ambrosi, além das tabelinhas pelo meio ou pelas laterais entre o ótimo centroavante Barcos e os meias-atacantes Equi González e Miller Bolaños, também são muito perigosas.

O preparo físico da equipe é ainda mais impressionante. Não só para suportar os limites físicos impostos pela altitude. Mas também por permitir que quase todo o time marque a saída de bola, sob intensa pressão, aos 38 minutos da segunda etapa. E roube a bola de um time cansado, com ainda mais facilidade. A sequência da jogada é a tabelinha entre Equi e Barcos, e o gol do camisa 16, o centroavante da equipe.

Sem  a bola, o time se recompõe com rapidez. Contra adversários que têm meias abertos pelos lados, como o Vélez, que joga no 4-3-2-1, a LDU abre dois zagueiros pelo lado, deixando um na sobra. Nesta quinta-feira, Araújo ficou na sobra. Nos poucos momentos de ataques perigosos do time argentino, a marcação estava encaixada, sem erros de posicionamento. Outro ponto forte do time equatoriano.

Muito forte em casa, a LDU promete segurar o resultado em Buenos Aires. Sem muita motivação –  pois já está classificado para a Libertadores -, e com o elenco se desmanchando, o Vélez não parece ter muitas forças para reverter o panorama. Se buscar o ataque e tiver alternativas para furar a muito provável retranca equatoriana na Argentina, tem grandes chances de chegar à final.

20/11/2011 / Boleiragem Tática

Chelsea 1 x 2 Liverpool – A vitória da estratégia de Kenny Dalglish

Kenny Dalglish podia ter escalado Andy Carrol ao lado de Suárez, puxado Bellamy para o meio de campo, lançado o time ao ataque, contra o Chelsea, em Stamford Bridge. Provavelmente, travaria um duelo muito perigoso e aberto contra o inteligente André Villas-Boas. Mas não. O ídolo dos Reds preferiu a cautela à ousadia. Procurando armar um time mais equilibrado, deixou Carrol no banco de reservas e pôs Bellamy flutuando entre o meio e o ataque, como um autêntico segundo atacante. Na prática, um 4-4-2 mais defensivo, à procura de contra-ataques para decidir o jogo. Deu muito certo.

A estratégia do mito do Anfield Road correu riscos enormes de não obter sucesso. Sobretudo na primeira metade do primeiro tempo e em boa parte da etapa final, quando os Blues dominavam o jogo à base da posse de bola e da ocupação do campo de ataque. Mas os momentos de controle do Liverpool foram mais decisivos. Com Charlie Adam monstruoso à frente da zaga, o time marcava muito no meio de campo e saía com muita velocidade nos contra-golpes com Bellamy, Kuyt, Maxi Rodríguez e Suárez.

É verdade que os Reds demoraram a entrar no jogo. Antes confusos na marcação sobre o ataque aberto do Chelsea, Lucas e Adam bateram cabeça em boa parte do primeiro tempo. Assim que descobriram a chave do sucesso na roubada de bola no campo de ataque, ganharam o meio de campo e, menos diretamente, o jogo. É incrível como o time vermelho é forte na marcação sob pressão no campo de ataque. Diante de uma zaga que vem falhando muito na saída de bola, não tinha como esse tipo de combate dar errado.

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Foi assim que, aos 33, o cada vez mais inconstante Petr Cech saiu jogando errado, Bellamy pressionou Mikel, roubou a bola e, já no campo de ataque, tramou ótima triangulação com Suárez, antes da bola sobrar limpa para Maxi Rodríguez. O argentino bateu no meio do gol, mas o goleiro tcheco já tinha caído: 1 a 0 Liverpool. O gol deu tranqüilidade ao time de Kenny Dalglish,que passou a jogar ainda mais fechado, no mesmo 4-4-2, sempre à procura dos contra-golpes.

Para a segunda etapa, Villas-Boas resolveu mexer. Tentou, assim como havia sido contra o Manchester, ganhar o jogo do banco de reservas. Tirou o vaiado Obi Mikel para a entrada do jovem Daniel Sturridge. O garoto canhoto fez o time abandonar o 4-3-3 para o 4-2-3-1, com ele, Mata e Malouda fazendo a ligação entre os volantes e o atacante Didier Drogba. Além da maior mobilidade, o time passou a atacar não só pelas laterais mas também pelo meio. O esquema tático funcionava bem, e o Chelsea voltava a dominar o jogo.

Aos 9 da segunda etapa, Malouda invadiu a área pela esquerda e bateu cruzado. Aproveitando deslize do lateral José Enrique, Sturridge apareceu sozinho e, de carrinho, completou para o gol. O empate azul pôs fogo no jogo e assustou os Reds. O Chelsea voltava a ter os comandos da partida, pressionando o Liverpool no seu campo de defesa, com posse de bola e, agora, movimentação no esquema novo.

Mesmo assim, a bola não entrava. Retrancado, o Liverpool se remodelou no 4-1-4-1, com Lucas à beira da zaga, Henderson formando dupla de volantes com Adam e Suárez isolado na frente. Com o Chelsea intenso no jogo, os contra-ataques eram raridade. O plano de Dalglish começava a dar sinais de falhas. E os Blues atacavam, pressionavam, mas o gol não saía. Foi quando Villas-Boas colocou Fernando Torres e Raúl Meirelles, nos lugares de Drogba e Ramires, respectivamente.

 

As alterações não mexeram na estrutura tática da equipe, mas tiraram o poder de marcação que Ramires conferia ao meio-campo. Com Meirelles e Lampard, André tinha uma dupla de volantes muito dinâmica, mas também ofensiva. O Chelsea se lançavam à frente à procura do gol da virada. E deixava espaços atrás. Sem a cobertura dos volantes, que, agora, jogavam mais do que marcavam, os laterais poderia ficar sobrecarregados. Exatamente o que aconteceu.

Aos  41, o Charlie Adam viu Johnson se projetando pela direita e acertou um baita lançamento. O camisa 2 dos Reds dominou bonito, arrancou em direção à área sem a marcação de Malouda, fugiu da marcação de Ashley Cole, antes de bater sem chances para Cech.  O Liverpool que só marcava, agora saía para o jogo. E pela direita, com seu lateral-direito sem marcação. A cobertura que teria que sair de um dos volantes, não aconteceu. Pois tanto Meirelles como Lampard estavam preocupados em jogar. Mais uma jogada de velocidade na transição defesa-ataque. E a estratégia de Dalglish deu certo.

O Chelsea tinha no seu banco de reserva um estrategista profissional. Um jovem técnico que sabe como poucos ganhar um jogo do banco de reservas. Mas o Liverpool tem muito mais do que isso no seu banco. Tem a lenda Kenny Dalglish, maior jogador da história e a caminho de ser o melhor técnico da história do clube. O homem que nunca perdeu para o Chelsea. Em 12 jogos, 9 vitórias e só 2 empates. 

 

 

20/11/2011 / Boleiragem Tática

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Primeiro tempo

18/11/2011 / Boleiragem Tática

A simplicidade do Figueirense, a sensação do Campeonato Brasileiro

O simples e eficiente 4-3-1-2 do Figueirense: liberdade para os laterais e equilíbrio nos setores.

No 4-3-1-2, Jorginho achou um time sem muitas invenções, básico, simples, equilibrado. Tanto com a bola, como sem ela. Um time extremamente eficiente dentro e fora de casa. Não à toa é o quarto colocado do Campeonato Brasileiro. Nesta quinta-feira, controlou a maior parte da partida diante do Flamengo, no Engenhão, perdeu um pênalti e saiu com um empate injusto em virtude do que aconteceu na partida. Tudo isso sem seu artilheiro, o atacante Júlio César, que saiu machucado logo aos 10 da primeira etapa e dificilmente terá condições para o restante da competição.

O Figueirense pode não ter elenco suficiente para brigar pelo título brasileiro. O substituto de Júlio César, por exemplo, é o jovem Aloísio, que perdeu o pênalti nesta quinta-feira. Tecnicamente, é inferior ao camisa 11.  E é muito menos rodado. Assim como acontece em outras posições. Mesmo assim, sobretudo pelo time titular que tem, é bem capaz que a   equipe de Jorginho belisque uma vaga na Libertadores.

Dos 5 primeiros colocados, é, hoje, o time em maior ascensão. E também o menos brilhante. Enquanto os times mais poderosos economicamente tem em grandes astros os seus diferenciais, o Figueira tem em Wellington Nem, revelado pelo Fluminense e candidatíssimo à grande revelação do Brasileirão, a sua grande referência. Veloz, ele costuma recuar para armar jogo com Elias, o organizador-central do time, responsável pelas enfiadas de bola e pela aproximação do meio ao ataque. Além de auxiliar Elias na armação, Wellington Nem é, também, o grande criador de jogadas laterais do time. Neste caso, trabalha com a ajuda dos ótimos e promissores laterais Bruno e Juninho.

É pelos lados que o Figueirense melhor ataca, inclusive. Como joga com três volantes, os dois laterais têm liberdade suficiente para subir juntos ao ataque. Para isso, dois volantes ficam na retaguarda, enquanto o terceiro sobe para auxiliar o ataque – normalmente o volante posicionado no lado em que a jogada se desenrola. Se a bola está pela esquerda do ataque catarinense, é Túlio quem sobe ao ataque; pela direita, é Coutinho; e por dentro, Ygor, que fez grande partida na noite desta quinta-feira, anulando Thiago Neves.

Com esse equilíbrio básico o Figueirense raramente sofre contra-golpes. Sem a bola, o time recompõe a marcação de forma muito rápida. Wellington Nem acompanha um dos laterais, Elias pega um dos volantes e o tripé de volantes do time se divide na marcação aos meias ou laterais rivais. Não há uma marcação muito elaborada. Jorginho não gosta de combater o adversário com marcação homem a homem. Prefere marcar por zona. E seu time faz isso muito bem. É difícil achar uma falha defensiva tática do Figueirense. Mais difícil ainda é achar um atacante rival sobrando contra o time catarinense. Marcação simples, e muito eficaz.

Com  a bola nos pés, o time ataca com inteligência. Além das jogadas pelos flancos, descrita no quarto parágrafo, pela zona central, o Figueira também sabe trabalhar bem a bola. Através de toques rápidos e curtos, os volantes fazem uma saída de bola eficiente, veloz. Elias é, normalmente, o responsável por reter essa bola no meio e pensar o jogo. Algumas vezes, Wellington Nem recua pelo meio, recebe o passe e arma as jogadas, buscando uma eventual tabela, ou tentanto uma jogada individual. Neste caso, Elias espeta seu posicionamento e vira um pivô arranjado, para tabelas ou simplesmente para desmarcar o meio de campo, movimento comum ao meia-central do 4-3-1-2.

 

Para esse time funcionar, o equilíbrio entre os setores é extremamente importante. Além dele, os acertos de passe são ainda mais fundamentais. E, por isso, são treinador com exaustividade por Jorginho. Um erro de passe causa um efeito dominó no time, podendo causar um contra-ataque mortal. A posse de bola é uma marca do Figueirense, um dos times mais pacientes com a bola nos pés. É assim que joga a sensação do campeonato. Simples e inteligente.

13/11/2011 / Boleiragem Tática

Vasco 2 x 0 Botafogo – O acerto de Cristóvão Borges e a nova virtude cruzmaltina

Preste atenção nos dois gols vascaínos na vitória deste domingo, por 2 a 0, sobre o Botafogo, no Engenhão. Principalmente na forma como eles começam. As roubadas de bola no meio de campo, seguidas por transições para o ataque de velocidade incrível, abriram caminho para o gol de Jefferson. E mostram para o país a nova virtude deste Vasco: marcação forte no meio de campo, buscando o desarme e o contra-ataque rápido.

Talvez até por essa nova característica de jogo do time é que Cristóvão Borges tenha optado por Fellipe Bastos no lugar de Juninho e por uma equipe sem centroavante de ofício. Além de povoar mais o meio de campo contra um time que trabalha a bola no campo de ataque e faz uso de bastante movimentação entre seus meias, possibilitou ainda mais a insistência dos jogadores em fazer uso dessa nova virtude. Deu muito certo.

A má fase alvinegra, por outro lado, parece não ter fim. O time que voou em todo o primeiro turno e em boa parte do segundo, encantando o país pelo seu jogo ofensivo e intenso no 4-2-3-1, hoje parece “manjado”. Nem mesmo as jogadas de linha de fundo, variando de lado, de Elkeson e Maicosuel, funcionaram. O resultado era perda de bolas frequentes no meio de campo, cedendo contra-ataques mortais para o time cruzmaltino. Como no primeiro gol vascaíno, quando o passe de Éder Luís terminou em gol de Fellipe Bastos, muito bem no jogo ate sair contundido na segunda etapa.

O segundo nasceu em outra roubada de bola. Houve quem disse que Jumar fez falta em Herrera ao tomar a bola do argentino. Este que vos escreve não acha. Acha melhor enaltecer a ótima jogada de Dedé, na sequência. Jogada que terminou em gol, servindo para mitificar ainda mais a figura de zagueiro e protagonista do time. Um monstro, de fato.

Não é errado dizer que o Vasco ganhou o jogo com o meio de campo. E roubando bolas dos meias alvinegros. Recuperar rapidamente a posse de bola, se possível já no campo de ataque, era o melhor caminho para surpreender o Botafogo de Caio Júnior. Fosse pelo fortíssimo lado direito do time – com Fágner, Allan e Éder Luís -, pelo meio ou até pelo lado esquerdo, reforçado por Felipe, que contou com mais liberdade graças à presença de Jumar na lateral-esquerda. Assim o Vasco ganhou o jogo.

 

Nem mesmo a expulsão de Rômulo foi suficiente para mudar o panorama da partida, controlada do início ao fim pelo time de Cristóvão Borges. Mesmo com um a menos, o Vasco continuou no controle. Marcando mais do que atacando, obviamente. Com Nílton no lugar de Bastos e Juninho no de Felipe, ate para valorizar mais a posse de bola.

Se por um lado Cristóvão tem um time motivado e bem montado à disposição, Caio Júnior terá que quebrar a cabeça para ajeitar o Botafogo. A começar pelo aspecto psicológico. Um time sem vontade não chega a lugar algum. Um time sem organização menos ainda. As mudanças devem ser urgentes.

12/11/2011 / Boleiragem Tática

Fluminense 1 x 2 América-MG – Os equívocos de Abel, as falhas individuais e a tranquilidade do ex-lanterna

Abel Braga não teve Deco, nem Carlinhos para encarar um lanterna embalado por uma vitória sobre o líder do campeonato. Com Fred de volta, optou por não mexer muito na estrutura da equipe: manteve Lanzini na criação de jogadas e deu a primeira chance a Jefferson, que, na teoria, é o reserva imediato de Carlinhos.  4-2-2-2  que era para ser uma escalação simples e cautelosa, sem muita invenção, acabou se transformando numa das grandes razões para uma derrota surpreendente. A calma que faltava ao Fluminense e sobrava ao América-MG praticamente decidiu o jogo.

A exemplo do que fizera contra o Corinthians, na rodada passada, Givanildo Oliveira deu tranquilidade de sobra para seus comandados. A consequência foi um time organizado na defesa e no ataque. No 3-4-1-2 habitual da equipe – que, por sinal, é a única que joga com regularidade com três zagueiros na Série A -, o Coelho adiantou a marcação e jogou quase que o primeiro tempo inteiro no campo de ataque. Com posse de bola, dominou o Fluminense e só  parou em ótima atuação de Diego Cavalieri. Entre defesas incríveis, o goleiro tricolor pegou um pênalti polêmico batido por Fábio Júnior.

O início do jogo: Flu no 4-2-2-2, América no 3-4-1-2.

Mas o arqueiro do Fluminense não teve segurança suficiente para sair nos pés de Kempes, que entrou sozinho pela direita, aos 38. O gol do América Mineiro representa bem as falhas do setor defensivo tricolor na primeira etapa, sobretudo pelo lado esquerdo. O lateral estreante Jefferson errava de tudo e cansava de tomar bolas nas costas. Para piorar, Edinho e Valência batiam cabeça e não o cobriam. O primeiro não sabia se era terceiro-zagueiro pela direita ou primeiro volante. A marcação indefinia a todo momento.

Se não bastassem os problemas na defesa, o meio de campo tricolor também não funcionava. Sem Deco, a criatividade inexiste. Ainda mais quando o garoto Lanzini não aparece para o jogo, o que acontece frequentemente desde o Fla-Flu decidido por Darío Bottinelli. O outro meia, Marquinho, corria muito e pensava pouco, afobado demais. Na frente, Sóbis se mexia pouco com a bola, principalmente pelo esgotamento físico causado pelas ordens de Abel para voltar e ajudar na marcação. Fred sequer recebia bolas.

Problemas demais para um time que mirava a liderança do campeonato. Melhor para o tranquilo América, que tinha paciência para trabalhar a bola no campo de ataque e cautela na defesa. O ponto negativo foi Fábio Júnior, que perdeu pênalti, gol na cara e errou passes e dribles em uma escala impressionante. Em um Engenhão lotado e contra o lanterna da competição, esperava-se mais do Fluminense.

No intervalo, Abel Braga resolveu parte das vaias da torcida, que pedia mudanças na equipe. Mas criou outras. Não adiantava mexer mal. Depois de acertar na troca de Valência por Diguinho, que melhorou a saída de bola e o combate na frente da defesa, funcionando até mesmo como um armador, inventou Araújo no lugar de Lanzini. E manteve Jefferson tomando sufoco na lateral.

A ideia era abrir uma atacante por cada lado(Araújo na esquerda, Sóbis na direita) e forçar Diguinho a organizar o jogo por dentro com Marquinho. Deu errado. Até pelo fato dos atacantes não entenderem a proposta de Abel e insistirem em jogar pelo meio, afunilando o jogo. Sem jogadas pelas laterais e com o time embolado no meio, sobravam oportunidades para o América contra-atacar.

A torcida voltou a vaiar. Desta vez, as reclamações vinham acompanhadas com os pedidos pela entrada do atacante Rafael Moura. Abel atendeu-os aos 20. E, enfim, resolveu tirar Jefferson. Puxou Marquinho para a lateral e viu seu meio-campo desaparecer. Sobrou, então, para Sóbis e Araújo as funções de criadores da equipe. Inútil. O pesadelo ganhou proporções ainda maiores: em jogada trabalhada novamente pelo lado direito, o ótimo ala Marcos Rocha achou Alessandro dentro da área, que concluiu com oportunismo, ampliando a vantagem.

O fim da partida: Flu já nervoso e desorganizado, América esperando o apito final.

O último suspiro de um time que se mostrou apático na maior parte do jogo, enterrado por mexidas ruins de seu técnico, surgiu logo em seguida. Na base do abafa, Marquinho enfim entendeu a ideia de Abel nas jogadas pelas pontas, visando o cruzamento , e cruzou para Rafael Moura concluir. Depois de uma tentativa fracassada, na segunda o He-Man diminuiu a vantagem. As esperanças de uma virada estavam vivas.

Mas só o perfil guerreiro não basta para um time vencer jogos no Campeonato Brasileiro. É preciso ter um mínimo senso de organização e equilíbrio em todos os setores do campo. Coisa que o Fluminense esteve longe de ter, justamente ao contrário do América Mineiro, cada vez mais esperançoso na luta contra o rebaixamento.

08/11/2011 / Boleiragem Tática

Durval na lateral-esquerda, uma ótima opção para Muricy Ramalho ‘anular’ Daniel Alves

Ao perder Léo, lesionado, e Alex Sandro, seu reserva imediato, vendido para o Porto, Muricy resolveu improvisar o experiente zagueiro Durval na lateral-esquerda. Inteligente e canhoto, o “Xerife do Sertão” rapidamente se adaptou. Em cinco jogos, foi bem em todos, diminui os problemas defensivos e criou uma ótima alternativa para Muricy Ramalho armar seu time no Mundial de Clubes, em dezembro, visando um possível e provável confronto contra o Barcelona.

Apesar de viver dizendo que a melhor forma de vencer o Barcelona é fazer seu time se desprender das preocupações defensivas e jogar bola, é fato óbvio que o treinador santista terá, ao menos, uma mínima atenção ao escalar a defesa que terá a dura missão de parar Messi e Cia. A ideia de Muricy é desenvolver uma marcação por zona, com combates rápidos e, sempre que possível, adiantar a marcação. Este que vos escreve concorda completamente com o treinador. No entanto, por bem ou por mal, duelos individuais ocorrerão nesse confronto provável, como em toda partida de futebol.

Esses confrontos individuais se darão, sobretudo, pelos lados do campo. É aí que a improvisação de Durval entra em ação. No lado esquerdo da defesa santista, o direito do ataque catalão, a missão é árdua: marcar dois grandes jogadores ofensivos. Afinal, além de Pedro, o atacante que costuma jogar aberto por aquele lado, o lateral-direito da equipe de Joseph Guardiola é ninguém menos ninguém mais que Daniel Alves, um dos mais atacantes da posição em todo o planeta.

Quando o time tem a bola, é comum Pedro entrar em diagonal e abrir um imenso corredor para Dani Alves, que vira praticamente um segundo ponta-direita. Na maioria dos casos, o meia rival que deveria estar em sua marcação quando sem a bola, não aguenta a frequência das subidas do camisa 2 barcelonista e o deixa livre. Isso só facilita ainda mais as jogadas criadas pelo time. Daniel Alves é, aliás, um dos grandes criadores de tramas do Barcelona, justamente pelo espaço e pela liberdade que lhe são concedidos.

Com Durval na lateral, o Santos ganha um lateral defensivo, exatamente no lado em que mais precisa reforçar o combate. Assim, o confronto com Daniel Alves e Pedro se torna mais simples. Se um dos volantes marcar Messi, Pará, o lateral-direito, colar em David Villa, Edu Dracena e Bruno Rodrigo sobrarão. Como só é preciso um jogador na sobra da zaga, um dos zagueiros pode sair para marcar Pedro e, assim, Durval fica exclusivamente preocupado com Daniel Alves.

Meio sem querer, Muricy pode ter descoberto a melhor forma de anular uma das grandes jogadas do Barcelona. Ainda assim, vale ressaltar que Durval é um jogador absurdamente mais lento do que Daniel Alves. E menos técnico também. Portanto, a possibilidade do lateral do time europeu levar a melhor nesse embate é, de fato, bem maior. Mesmo assim, só de ter um homem exclusivamente no seu pé, a pressão aumenta e a dificuldade também. E é possível que Daniel Alves renda menos do que o esperado.

Há ainda um outro ponto favorável em se ter Durval preso à marcação na lateral-esquerda. Com um homem totalmente voltado para a defesa no lado esquerdo, Neymar não precisa se preocupar em voltar para marcar. Com mais liberdade e espaço, até em maior escala que Daniel Alves, o melhor jogador brasileiro da atualidade certamente será muito perigoso.