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14/12/2011 / Boleiragem Tática

Kashiwa Reysol 1 x 3 Santos – A qualidade individual e as preocupações do time de Muricy

Neymar e Borges precisaram de menos de 20 minutos para decidir o jogo diante do Kashiwa Reysol, pela semifinal do Mundial Interclubes, em Nagoya, no Japão. Com dois lances geniais culminando em finalizações no ângulo, os atacantes santistas provaram do que é capaz de aprontar um time repleto de talentos individuais. Mas em uma noite em que o coletivo não funcionou muito bem e, por pouco, o Santos não passou por sustos maiores. Para a final de domingo, muito provavelmente contra o Barcelona, que nesta quinta-feira enfrenta o Al-Sadd, do Catar, há muita coisa a ser corrigida por Muricy Ramalho.

A começar pelo lado esquerdo da defesa. A ideia de improvisar Durval como lateral, que surgiu e foi testada na reta final do Brasileirão, é interessante por visar um possível duelo com o time espanhol, que ataca muito pelo lado direito, sobreutdo com Daniel Alves. Mas ainda não deu certo. Sem cacoete de lateral, o zagueiro santista falhou na cobertura, tomou um baile de Sakai e foi um dos piores em campo, justamente ao lado de Elano, o meia-direita do time de Muricy. Foi por lá que o Kashiwa mais aprontou, com Leandro Domingues abrindo o corredor para as ultrapassagens do lateral japonês, o mais perigoso do time de Nelsinho Baptista, e autor do único gol da equipe no jogo.

Outro ponto a ser corrigido é a estratégia inicial do time. Assim como na Libertadores, o time de Muricy começa a partida recuado, fechado, em busca de contra-golpes rápidos com Ganso, Neymar, Borgres e algum volante que suba como elemento surpresa. Melhor para o adversário, que tem campo, tempo e posse de bola para dominar o jogo. Foi assim contra o Cerro Porteño, no Paraguai, contra o Peñarol, e em diversas outras oportunidades. Em todas, deu certo. Mas visando um eventual confronto contra o melhor time do mundo, que tem números exorbitantes de posse de bola, parece suicídio.

E quase deu errado diante do Kashima Reysol. Até Neymar abrir o placar com um golaço com sua assinatura de craque, o time era amplamente dominado. E tinha dificuldades para jogar. Até mesmo pleo nervosismo da estreia e pelo sumiço iminente de Ganso, que, assim como os volantes, não apareciam para o jogo. Tudo mudou aos 15 da primeira. O camisa 10 apareceu para o jogo, achou Neymar livre na ponta-direita e só esperou pela jogada genial do camisa 11. Golaço.

Detalhe para a movimentação da joia santista: da ponta-esquerda, seu habitat inicial no 4-3-1-2 habitual, para a direita, confundindo  marcação japonesa. Na conclusão de perna esquerda, a perfeição incomum a destros. Mas de praxe quando se trata de gênios do futebol.

Mal absorveu o primeiro golpe, a equipe de Nelsinho levou o segundo. Tão crucial quanto o primeiro. Igualmente lindo. Agora foi Arouca, o melhor em campo na opinião deste que vos escreve, quem ganhou a disputa na frente, deixou a bola com Borges. E basta. Centroavante nato, sabe girar em cima de um zagueiro, achar espaço onde não tem e finalizar para o fundo das redes. Borges prefere o ângulo, como Neymar. Outra pintura. 2 a 0 Santos.

O time que funcionava mal no 4-3-1-2, variando para o 4-2-3-1 com as subidas de Elano, agora marcava melhor e jogava mais no campo de ataque. Mais do que isso, tinha a vaga para a final nas mãos. Restava administrar o resultado, segurando mais a bola na frente, protegendo mais o lado mais frágil da defesa e valorizando a posse de bola, bem essencial no futebol.

O início do segundo tempo foi muito bom. O Santos continuava no controle da partida, com Arouca monstruoso na marcação a Leandro Domingues e nas saídas de bola, Danilo aparecendo mais para o jogo como válvula de escape pela direita e Ganso segurando a bola no meio-campo. Muricy conseguiu dar mais volume de jogo ao time, que buscava o terceiro gol como se fosse o primeiro.

Até que veio o susto inicial. Em cobrança de escanteio de Jorge Wágner, Sakai subiu sozinho e diminuiu a vantagem. Havia um jogo. O baque não foi tão grande, mas Muricy achou coerente mexer. Tirou o inoperante Elano para a entrada de Allan Kardec, que fez bom Brasileiro como meio-campista, chegando de trás na área. O time se repaginou no 4-2-2-2 e ganhou mais presença ofensiva. Danilo, que parecia outro jogador na segunda etapa, fez bela jogada pelo meio e sofreu falta que ele mesmo bateu com precisão, sem chances para Sugena: 3 a a 1.

O Santos voltava a ter uma vantagem de dois gols no placar. Ainda mais tranquilo pelo fim de jogo, jogava mais solto. Dribles, passes de efeito e firulas aumentaram. Mas os sustos também. Sempre pela direita, o time hipônico era muito perigoso. Durval não ganhava uma.  Sawa, que entrara no segundo tempo, chegou a desperdiçar uma chance incrível, dentro da pequena área.

O apito final não chegou a ser um apito de alívio. E sim de confirmação. Mesmo assim, é preciso redobrar a atenção para domingo. E consertar os muitos problemas que o time apresentou. Porque Barcelona é Barcelona.

11/12/2011 / Boleiragem Tática

Os segredos do Kashiwa Reysol, primeiro obstáculo do Santos no Mundial

Time-base do Kashiwa: 4-2-2-2, com dois meias abertos, dois laterais ofensivos e dois atacantes.

Para a imensa maioria dos brasileiros, o time do Kashiwa Reysol é absolutamente desconhecido. Pelas duas partidas que jogou no Mundial Interclubes, um time que merece mais elogios do que críticas. Comandado por brasileiros tanto na área técnica – o treinador é Nelsinho Baptista – como dentro de campo – o 10 e melhor jogador do time é o meia Leandro Domingues, ex-Cruzeiro, Fluminense e Vitória -, a equipe busca o ataque sempre que possível.

Aliás, taticamente, o time se parece muito com clubes brasileiros. No 4-2-2-2, tem laterais muito ofensivos, meias abertos pelos lados que entram em diagonal para abrir o corredor, dois volantes marcadores e dois atacantes com características diferentes entre si: enquanto um se movimenta mais, o outro se fixa mais dentro da área.

Contra o Monterrey, na manhã deste domingo, a equipe demorou a entrar bem no jogo. Dominada no primeiro tempo, só assustava com sua jogada tradicional e mais perigosa: Sakai aproveitando o corredor aberto por Leandro Domingues e atacando pelo lado direito. O lateral japonês pretendido pelo Santos para a temporada que vem joga muita bola e é bastante veloz com a bola nos pés. Sem ela, recompõe com rapidez e não compromete na marcação.

No segundo tempo, pôde-se ver mais virtudes do time de Nelsinho, assim como na partida da última quinta-feira, vitória sobre o Auckland City. O Kashiwa passou a valorizar mais a posse de bola, atacar em bloco e pressionar o razoável time mexicano, que sentia falta de um Suárez melhor fisicamente na frente, para auxiliar os meias Delgado e Cardozo na criação e finalização de jogadas. Mesmo sentindo a perna direita, marcou o gol de empate, ao completar a boa jogada de Delgado, sempre pela direita.

Leandro Domingues havia aberto o placar com um golaço de voleio em jogada que começou com lançamento de Sakai. Tudo pelo lado direito, o mais forte do time, ainda que, pela esquerda, com Jorge Wagner cadenciando mais o jogo e Tanaka caindo nas costas do lateral-direito rival, a equipe também levasse perigo.

O empate em 1 a 1 se manteve até a prorrogação. No primeiro tempo extra, só deu Kashiwa Reysol. Com a marcação adiantada, o time japonês mostrou o que tem de melhor. Posse de bola, muitas jogadas pelas laterais e um camisa 10 decisivo nos passes e na movimentação. Ao sair da meia-direita para organizar o time por dentro, Leandro Domingues abria o corredor para o excelente lateral Sakai, acionado com intensidade durante todos os jogos do time. Em menor escala, Jorge Wagner fazia o mesmo pela esquerda.

Curiosamente, Nelsinho só fez uma alteração durante todos os 120 minutos: o atacante Hayashi no lugar do centroavante Kudo. Curiosa, também, é a quantidade de inversões de bola do time. Quando muito marcado por um lado, os meias ou laterais já viram o jogo rapidamente, transferindo o ataque para o outro lado menos marcado. Um senso de inversão de jogo impressionante. E que pode ser fatal contra o Santos. Antes do Barcelona, há um Kashiwa.

 

11/12/2011 / Boleiragem Tática

Real Madrid 1 x 3 Barcelona – O bom início merengue e a reação do melhor time do mundo

Para os que esperavam um time acuado, em busca de um erro rival para contra-atacar e, quem sabe, ganhar o jogo, José Mourinho  respondeu em grande estilo. Ao contrário dos clássicos recentes contra o Barcelona, mandou a campo um time feroz, ofensivo e cheio de vontade de ganhar. O Real Madrid entrou em campo disposto a suar sangue para conseguir os três pontos. E logo aos 23 segundos, conseguiu o que queria no primeiro tempo: a vantagem no placar. Numa `blitz`ofensiva impressionante, fez Victor Valdés errar a saída de bola, acertando os pés de Di María, que tentou deixar Benzema na cara do gol. A zaga aliviou, mas a bola voltou nos pés de Ozil, que pegou de primeira. Em novo rebote, Benzema aproveitou e, cara a cara com Casillas, abriu o placar.

Não havia melhor começo de jogo. Torcida inflamada, time contagiante, vantagem no placar. Mas o adversário do outro lado do campo não é um qualquer. É time que não se intimida contra qualquer rival, placar ou adversidade. E faz de tudo para encaixar o seu e dominar o jogo. Neste sábado, Guardiola precisou ser ainda mais inteligente, estrategista e sagaz para mudar um panorama tão desfavorável.

Depois de entrar em campo no 4-3-3, com Daniel Alves na lateral-direita, Messi na ponta-direita e Sánchez como centroavante, Guardiola percebeu corretamente que o time não funcionava. Sobretudo não jogava como Barcelona. Muitos erros de passe em função da forte marcação merengue. Com Iniesta isolado na ponta-esquerda e Fábregas marcando mais do que jogando, assim como Xavi, a situação piorava. Foi então que o treinador catalão resolveu voltar ao 3-4-3, adiantando Daniel Alves para a meia-direita.

No entanto, mais do que a modificação no sistema tático da equipe, a mudança de postura dos jogadores foi o que mais fez diferença na segunda etapa. De um time estático, errante, irreconhecível, para o Barcelona que encanta o mundo. Posse de bola, movimentação e um senso de variação excepcional. Messi, por exemplo, rodava o campo de ataque. Da ponta-direita para o meio, do meio para a grande área. Ora como ponta, ora como armador, ora como falso-nove. Sempre indefinindo a boa marcação do time de Mourinho.

E deu certo. O time ganhou volume de jogo, passou a jogar de forma cadenciada, valorizando a posse de bola, sufocando o Real Madrid, que já não tinha a mesma intensidade, a mesma pegada. Mesmo assim, do jeito que dava, anulava o melhor time do mundo. O problema é que, às vezes, é impossível parar o melhor do mundo. Tipo quando Messi pega a bola, enfileira uns três e deixa o companheiro na cara do gol. O sortudo da vez foi Sánchez, que além de sorte, sabe se movimentar, tem velocidade e finaliza como um autêntico 9. Chute sem chances para Valdés: 1 a 1.

O empate foi suficiente para assustar o Real Madrid e dar o complemento que faltava ao time blaugrana. Apesar de ter voltado melhor, o gol de Xavi, em chute desviado por Marcelo, que contou com alta dose de sorte, deixou os donos da casa mais do que assustados, acuados. Jogando no campo de ataque, ocupando espaços e tocando a bola, o Barcelona passou a dominar completamente o jogo. Com Iniesta monstruoso pelo lado esquerdo do campo, vindo ao meio eventualmente para armar jogadas por dentro e Sánchez se movimentando com muita inteligência, abrindo espaços para Messi e cia, o terceiro gol amadurecia com uma velocidade incrível.

E quando se deu por conta do domínio blaugrana, o Real já sucumbia aos olhos da própria torcida. Pela direita, Messi fez mais uma jogada à la Messi, puxou um contra-golpe e achou Daniel Alves na ponta-direita. O brasileiro cruzou com precisão, na cabeça de Fábregas, que não perdoou: 3 a 1. O melhor time do mundo também sabe contra-atacar quando é pressionado. Mais do que isso, o Barcelona mostrou que é um time preparado para reagir contra o pior mal possível.

Te cuida, Santos. O melhor time do mundo está sempre voando baixo.

09/12/2011 / Boleiragem Tática

Previsão tática: Real Madrid x Barcelona

A grandeza que envolve a partida deste sábado causa uma expectativa absurda em todos os envolvidos. José Mourinho e Pep Guardiola, os treinadores, são praticamente obrigados pelo contexto a fazer mistério quanto à escalação inicial de suas equipes. Entre as estrelas, os planejamentos, os tabus e as conseqüências, é praticamente impossível fazer previsões para o Superclássico do próximo dia 10, em Madrid, no Santiago Bernabéu, de onde Guardiola jamais saiu derrotado como treinador.

É possível, sim, fazer análises prevendo o que provavelmente irá acontecer. Como por exemplo o 3-4-3 criativo do novo Barcelona, implantado por Guardiola nos últimos meses. O esquema à La Cruyff teve impacto e sucesso imediato entre todos em Barcelona. Ao mesmo tempo que acerta os pontos fortes do ataque, com Daniel Alves na ponta-direita, por exemplo, melhora a defesa e mantém o estilo de jogo do time, que, ademais, ganha velocidade na transição.

Quanto ao onze inicial do Real Madrid, assim como os principais jornais espanhóis, este que vos escreve crê numa trinca de volantes para marcar o setor mais criativo do futebol mundial, o meio-campo catalão. Mourinho deve optar novamente pelo 4-1-4-1 que encarou o rival nas últimas oportunidades, com um cabeça de área marcando individualmente Messi e os outros dois cercando Xavi e Iniesta. Lass Diarra, Khedira e Xabi Alonso são os favoritos à zaga.

Mas como se trata de José Mourinho, as surpresas não podem ser descartadas. O 4-2-3-1 que brilhou em todo o ano pode ser mantido, é uma das alternativas. Não a mais provável. Um 4-3-3 talvez para pressionar, sobretudo no início do jogo. Pelas entrevistas e treinamentos, é fácil constatar, porém, que Mourinho jogará somente com um homem de área, e este é bem capaz de ser Benzema. Nas pontas, Di María é nome certo pela direita e Cristiano Ronaldo pela esquerda. O meio é uma incógnita. E a defesa não terá Arbeloa.

Do outro lado, o Barcelona joga completo.  Muito provavelmente no 3-4-3, com Piqué, Abidal e Busquets na zaga, Daniel Alves na ponta-direita, Xavi , Keita e Iniesta no meio, e, na frente, Messi, Fábregas e Villa. No entanto, pode ser que Pedro ou Mascherano sejam surpresas de última hora. Thiago Alcântara também. Fato é, porém, que Guardiola não gosta muito disso. Prefere se planejar e treinar com um time na cabeça e escalar esse mesmo time. Considera mais fácil e costuma fazer isso.

Taticamente, é de esperar um duelo rico em alternativas e novidades que só serão desvendadas momentos antes de a bola rolar. Embates individuais também merecem atenção. E será importante saber a marcação optada pelo rival. É difícil crer que o Real não vá marcar sob pressão e individualmente os principais jogadores do Barcelona. Ainda mais de Mourinho optar pelo 4-1-4-1.

O “1” entre as linhas de 4 é o cara para colar e seguir Messi por todo o campo. Afinal, o argentino tem se mexido muito no 3-4-3. Da ponta-direita para o centro, do centro para a esquerda, da esquerda para a direita, sempre buscando adentrar a grande área. O manjado “falso nove” já virou “ faz de tudo”. Fábregas, na referência, deve receber a atenção especial do zagueiro-central do Real. Os outros dois volantes baterão com Xavi e Iniesta. E terão a missão de dar velocidade às saídas de bola, uma missão complicada contra o time da posse de bola e da recomposição veloz.

Pelos flancos, duelos interessantes. Cristiano Ronaldo x Piqué, Daniel Alves x Marcelo, Di María x Busquets ou Abidal,  Villa x o lateral-direito escolhido por Mourinho para suprir Arbeloa, suspenso. E Messi X? A resposta que Mourinho ainda não achou, mas continua à procura. Talvez Lass Diarra. Caberá a um de seus cabeças de área a missão de seguir o argentino, que deve começar jogando na ponta-direita, mas sempre abrindo o corredor para as ultrapassagens de Daniel Alves.

É jogo para se esperar, gravar, ver e rever. É jogo para se recordar. E a ansiedade toma conta. Que venham gols, que venham surpresas, que venha o Superclássico.

05/12/2011 / Boleiragem Tática

O dedo de Tite no título corintiano

O nervosismo digno de uma final de campeonato tirou o brilho do Corinthians. O adversário contribuiu. Jogos contra o Palmeiras são sempre tensos para a Fiel e seus jogadores. E não pôde se ver o time campeão em campo. Viu-se, sim, um time guerreiro, com vontade de levantar a taça e marcar o nome na história, mas não a equipe brilhante que encantou os críticos em boa parte do campeonato.

Com Wallace no lugar do suspenso Ralf, Tite alegou querer dar estatura ao time. Queria, na verdade, se defender da melhor arma do Palmeiras atualmente: a bola parada de Marcos Assunção. O zagueiro não foi bem improvisado na cabeça de área, bateu mais do que devia e acabou expulso. Pelo caráter do jogo e, principalmente, pelas características de Wallace desde os tempos de Vitória, é possível dizer que Tite errou. Mas por tudo que fez durante a temporada, seria, acima de tudo, injusto.

O homem que planejou, montou e executou o esquema tático mais regular do campeonato, culminando numa campanha invejável, merece mais elogios do que críticas. Desde a primeira rodada, contando com um time equilibrado, e muito ofensivo. Um time que ansiava, “babava “ por vitórias.

Com um elenco repleto de boas opções, ainda mais complementado pela janela de transferências do meio do ano, Tite tinha a obrigação de montar um time vencedor, capaz, sobretudo, de brigar pelo título. Porém, é preciso ser experiente e competente para isso. Exemplos não faltam para comprovar o contrário. E Tite é muito mais do que isso. E passou por dificuldades bem maiores, a principal delas a pressão imposta pela torcida e pela imprensa.

Eliminado de forma muito precoce na Libertadores, tinha tudo para cair. Sobreviveu. A ação incomum de Andrés Sanchez transbordava confiança em Tite. O presidente sabia do nível do treinador. E não se arrependeu. Recebeu, como retribuição, um título brasileiro merecido, conquistado por um time brilhante, extremamente bem treinado. E administrado. Porque as funções do técnico transcendem as quatro linhas e adentram o vestiário. Tite sabe, como poucos, lidar bem com isso.

Mas é melhor analisar o que as câmeras mostram. Os bastidores obscuros muitas vezes não são capazes de salvar um técnico. E fazendo bem o seu trabalho à beira do campo, não há técnico que seja derrubado. Tite o fez. E respondeu às críticas trabalhando. Aos que o chamavam de retranqueiro, lançou o time à frente; aos que o chamavam de ultrapassado, adotou o sistema mais moderno da atualidade, o 4-2-3-1, com funções modernas, como a de falso-nove; aos que o chamavam de metido, o abraço em todos os jogadores no apito final.

Inteligentemente, Tite aproveitou bem as peças que tinha à disposição. E soube usar o seu grupo de jogadores. Adriano, por exemplo, poucas vezes entrou, devido às péssimas condições em que se encontra. Mesmo assim, o treinador corintiano soube tirar leite de pedra. E Adriano foi decisivo, marcando o gol da vitória sobre o Atlético Mineiro.

Cheio de alternativas na frente, conseguiu provar para atacantes que marcar poderia ser tão importante quanto atacar. Willian e Emerson nunca correram tanto atrás de lateral. Nas pontas, além de darem velocidade ao time, são importantes na recomposição do time também.  Assim como Liédson no primeiro combate à saída de bola adversária.

Com a bola, é difícil achar um time melhor treinado. No 4-2-3-1, o Corinthians é muito rápido na transição, é versátil, inteligente, ousado e decisivo. Na pior das hipóteses, um time que adianta as linhas, ganha a marcação e pressiona o rival. A qualidade dos jogadores é fundamental, mas o dedo de Tite não pode ser esquecido. Um time campeão, para muitos, começa com um bom goleiro. Para os melhores, um time campeão precisa começar com um técnico campeão.

 

26/11/2011 / Boleiragem Tática

Manchester United 1 x 1 Newcastle – Empate heróico na conta da arbitragem, da sorte e da muralha alvinegra

Antes de enfrentar uma das piores sequências de jogos de todo o campeonato, contra, respectivamente, Manchester City, Manchester United e Chelsea, o técnico do Newcastle, Alan Pardew, chegou a dizer que de 9 pontos, a conquista de um ou dois seria de extrema importância para a equipe. Depois de se acovardar no City of Manchester, na semana passada, foi corajoso e audacioso, lançou o time à frente e jogou de igual para igual neste sábado, contra o United, em pleno Old Trafford. No entanto, mais do que a postura ofensiva, a sorte, a arbitragem, a capacidade de salvação da zaga e de Tim Krul foram essenciais para a conquista de um empate heróico.

Até perder Jonas Gutiérrez expulso, na segunda etapa, o Newcastle travava um duelo equilibrado com os donos da casa. Pelo primeiro tempo que fez, poderia, até mesmo, vencer o jogo. Organizado no 4-4-1-1, trabalhava muito bem a bola e tinha posse de bola incomum para visitantes em Manchester, cerca de 54 % ao final do primeiro tempo. Na defesa, posicionamento correto e desarmes precisos. Um time, definitivamente, muito difícil de ser batido.

Os defeitos do Manchester também ajudavam. Como a falta de participação dos pontas. Giggs recebia a bola no meio e era praticamente obrigado a fazer lançamentos longos para a dupla de ataque. Nem Nani nem Young davam opções. E tome bola pelo alto. Isso melhorou quando ambos passaram a trocar de lados frequentemente. Logo de cara, Nani quase marcou. Assim, além de confundirem a marcação, abriam mais o corredor para o apoio de Evra e Fábio, ambos muito bem na partida.

O duelo de boa parte do jogo: 4-4-2 dos donos da casa contra o 4-4-1-1 dos visitantes, muito dependente da posse de bola e de Ben Arfa.

Tanto é que o Manchester United só foi abrir um placar num lance de sorte. Após cobrança de falta na barreira, Wayne Rooney aproveitou o rebote e, de primeira, bateu forte de perna esquerda, de fora da área. Taylor tentou aliviar o perigo à frente do gol, mas a bola bateu em Chicharito Hernández e entrou: 1 a 0 United. O centroavante que peca muito nas finalizações de fora da área tem um faro de gol impressionante dentro dela.

Ao contrário do que era de se esperar, o Manchester não relaxou. Seguiu adiantando suas linhas, aproveitando os lançamentos de Giggs, a maior participação dos wingers Nani e Young, e pressionando o rival. Ao recuar para armar, como em alguns momentos da primeira etapa, Rooney abria muitos espaços na bem postada zaga do time alvinegro. E o Manchester crescia no jogo.

Demorou algum tempo para o time de Alan Pardew se recuperar. Com Bem Arfa cansado e sumido, a bola parava pouco no ataque e a criatividade praticamente inexistia. O time passava a depender muito da ligação direta para o ótimo Bemba Ba. Até que, aos 20, Bem Arfa voltou a aparecer. Caindo pela direita, como sempre gostou. Ele carregou a bola, invadiu a área e recebeu um carrinho lateral de Rio Ferdinand. O zagueiro inglês tocou na bola e depois no camisa 10 alvinegro. Não para o árbitro, que marcou um dos pênaltis menos pênaltis da Premier League. Melhor para o Newcastle, que tem um artilheiro nato, que dificilmente perde pênaltis. Ba, sempre ele: 1 a 1.

O jogo voltava a ter no equilíbrio sua principal característica. Pardew trocou Obertan, inoperante na segunda etapa, pelo insinuante Sami Ameobi, o mais novo da família. Não deu muito resultado. Aos 35, Jonás Gutiérrez pôs quase tudo ao perder, ao acertar Nani com um carrinho violento e desnecessário. Com menos um, a pressão dos donos da casa era iminente. Imediatamente, Pardew sacou Bem Arfa para a entrada de Lovekrands. O Newcastle se reorganizava no 4-4-1, e se defendia como podia

O Manchester tinha 10 minutos – mais os acréscimos – para desempatar o jogo. Mas a bola não entrou. Oportunidades não faltaram. Cruzamento da esquerda, com Young na bola. Cruzamento da direita, de Nani. Enfiada de bola por dentro…E nada. O Newcastle foi guerreiro demais. E tinha uma muralha no gol. E muitos guardiões à frente dela. Nos minutos finais, Simpson salvou em cima da linha, a trave salvou outras duas chances e Krul fez milagre. O ponto heróico conquistado em Manchester vale muito para Alan Pardew, que tem nas mãos um time guerreiro, organizado e surpreendente pelas peças à disposição.

 

 

25/11/2011 / Boleiragem Tática

Monstruosa em Quito, LDU precisa provar que pode ser forte fora de casa

Poucos times são tão fortes dentro de casa como a LDU. Jogando na altitude de Quito, o time equatoriano raramente passa por dificuldades. Graças, principalmente, as características típicas da equipe há anos, como as bolas aéreas, os chutes de fora da área e as jogadas pelos flancos. Com o principal meia inspirado e o centroavante de bem com as redes, tudo se torna ainda mais complicado.

Que o digam os argentinos do Vélez Sarsfield, que sofreram em Quito nesta quinta-feira e acabaram derrotados por 2 a 0, com gols dos melhores em campo: Equi González e Hernán Barcos. Acuados pela pressão exercida pela LDU na maior parte do jogo, pouco assustaram e mereceram a derrota.

A vantagem de dois gols numa competição de mata-mata é muito boa. Torna o time vencedor do primeiro jogo, o favorito para o confronto geral. Mas pelo contraste que a LDU apresenta fora de casa nos últimos, seria totalmente incoerente cravá-la na final da Copa Sul-Americana deste ano. Ademais, o Vélez tem time e torcida para reverter os dois gols de diferença, em Buenos Aires, na semana que vem.

A missão é difícil, mas está longe de ser impossível. Seria muito mais árdua se a LDU jogasse na Argentina como joga em Quito, na altitude, o que raramente acontece. No 3-4-1-2, o time de Edgardo Bauza marca na frente sob pressão, dificulta a saída de bola do adversário e costuma ser ameaça ao gol rival durante boa parte dos 90 minutos.

Quando tem a bola, a equipe equatoriana abusa dos chutes de fora da área, privilegiados pela altitude. Num deles, Equi González abriu o placar. Além dos tentos de média ou longa distância, as bolas alçadas à área pelos alas Reasco e  Ambrosi, além das tabelinhas pelo meio ou pelas laterais entre o ótimo centroavante Barcos e os meias-atacantes Equi González e Miller Bolaños, também são muito perigosas.

O preparo físico da equipe é ainda mais impressionante. Não só para suportar os limites físicos impostos pela altitude. Mas também por permitir que quase todo o time marque a saída de bola, sob intensa pressão, aos 38 minutos da segunda etapa. E roube a bola de um time cansado, com ainda mais facilidade. A sequência da jogada é a tabelinha entre Equi e Barcos, e o gol do camisa 16, o centroavante da equipe.

Sem  a bola, o time se recompõe com rapidez. Contra adversários que têm meias abertos pelos lados, como o Vélez, que joga no 4-3-2-1, a LDU abre dois zagueiros pelo lado, deixando um na sobra. Nesta quinta-feira, Araújo ficou na sobra. Nos poucos momentos de ataques perigosos do time argentino, a marcação estava encaixada, sem erros de posicionamento. Outro ponto forte do time equatoriano.

Muito forte em casa, a LDU promete segurar o resultado em Buenos Aires. Sem muita motivação –  pois já está classificado para a Libertadores -, e com o elenco se desmanchando, o Vélez não parece ter muitas forças para reverter o panorama. Se buscar o ataque e tiver alternativas para furar a muito provável retranca equatoriana na Argentina, tem grandes chances de chegar à final.

20/11/2011 / Boleiragem Tática

Chelsea 1 x 2 Liverpool – A vitória da estratégia de Kenny Dalglish

Kenny Dalglish podia ter escalado Andy Carrol ao lado de Suárez, puxado Bellamy para o meio de campo, lançado o time ao ataque, contra o Chelsea, em Stamford Bridge. Provavelmente, travaria um duelo muito perigoso e aberto contra o inteligente André Villas-Boas. Mas não. O ídolo dos Reds preferiu a cautela à ousadia. Procurando armar um time mais equilibrado, deixou Carrol no banco de reservas e pôs Bellamy flutuando entre o meio e o ataque, como um autêntico segundo atacante. Na prática, um 4-4-2 mais defensivo, à procura de contra-ataques para decidir o jogo. Deu muito certo.

A estratégia do mito do Anfield Road correu riscos enormes de não obter sucesso. Sobretudo na primeira metade do primeiro tempo e em boa parte da etapa final, quando os Blues dominavam o jogo à base da posse de bola e da ocupação do campo de ataque. Mas os momentos de controle do Liverpool foram mais decisivos. Com Charlie Adam monstruoso à frente da zaga, o time marcava muito no meio de campo e saía com muita velocidade nos contra-golpes com Bellamy, Kuyt, Maxi Rodríguez e Suárez.

É verdade que os Reds demoraram a entrar no jogo. Antes confusos na marcação sobre o ataque aberto do Chelsea, Lucas e Adam bateram cabeça em boa parte do primeiro tempo. Assim que descobriram a chave do sucesso na roubada de bola no campo de ataque, ganharam o meio de campo e, menos diretamente, o jogo. É incrível como o time vermelho é forte na marcação sob pressão no campo de ataque. Diante de uma zaga que vem falhando muito na saída de bola, não tinha como esse tipo de combate dar errado.

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Foi assim que, aos 33, o cada vez mais inconstante Petr Cech saiu jogando errado, Bellamy pressionou Mikel, roubou a bola e, já no campo de ataque, tramou ótima triangulação com Suárez, antes da bola sobrar limpa para Maxi Rodríguez. O argentino bateu no meio do gol, mas o goleiro tcheco já tinha caído: 1 a 0 Liverpool. O gol deu tranqüilidade ao time de Kenny Dalglish,que passou a jogar ainda mais fechado, no mesmo 4-4-2, sempre à procura dos contra-golpes.

Para a segunda etapa, Villas-Boas resolveu mexer. Tentou, assim como havia sido contra o Manchester, ganhar o jogo do banco de reservas. Tirou o vaiado Obi Mikel para a entrada do jovem Daniel Sturridge. O garoto canhoto fez o time abandonar o 4-3-3 para o 4-2-3-1, com ele, Mata e Malouda fazendo a ligação entre os volantes e o atacante Didier Drogba. Além da maior mobilidade, o time passou a atacar não só pelas laterais mas também pelo meio. O esquema tático funcionava bem, e o Chelsea voltava a dominar o jogo.

Aos 9 da segunda etapa, Malouda invadiu a área pela esquerda e bateu cruzado. Aproveitando deslize do lateral José Enrique, Sturridge apareceu sozinho e, de carrinho, completou para o gol. O empate azul pôs fogo no jogo e assustou os Reds. O Chelsea voltava a ter os comandos da partida, pressionando o Liverpool no seu campo de defesa, com posse de bola e, agora, movimentação no esquema novo.

Mesmo assim, a bola não entrava. Retrancado, o Liverpool se remodelou no 4-1-4-1, com Lucas à beira da zaga, Henderson formando dupla de volantes com Adam e Suárez isolado na frente. Com o Chelsea intenso no jogo, os contra-ataques eram raridade. O plano de Dalglish começava a dar sinais de falhas. E os Blues atacavam, pressionavam, mas o gol não saía. Foi quando Villas-Boas colocou Fernando Torres e Raúl Meirelles, nos lugares de Drogba e Ramires, respectivamente.

 

As alterações não mexeram na estrutura tática da equipe, mas tiraram o poder de marcação que Ramires conferia ao meio-campo. Com Meirelles e Lampard, André tinha uma dupla de volantes muito dinâmica, mas também ofensiva. O Chelsea se lançavam à frente à procura do gol da virada. E deixava espaços atrás. Sem a cobertura dos volantes, que, agora, jogavam mais do que marcavam, os laterais poderia ficar sobrecarregados. Exatamente o que aconteceu.

Aos  41, o Charlie Adam viu Johnson se projetando pela direita e acertou um baita lançamento. O camisa 2 dos Reds dominou bonito, arrancou em direção à área sem a marcação de Malouda, fugiu da marcação de Ashley Cole, antes de bater sem chances para Cech.  O Liverpool que só marcava, agora saía para o jogo. E pela direita, com seu lateral-direito sem marcação. A cobertura que teria que sair de um dos volantes, não aconteceu. Pois tanto Meirelles como Lampard estavam preocupados em jogar. Mais uma jogada de velocidade na transição defesa-ataque. E a estratégia de Dalglish deu certo.

O Chelsea tinha no seu banco de reserva um estrategista profissional. Um jovem técnico que sabe como poucos ganhar um jogo do banco de reservas. Mas o Liverpool tem muito mais do que isso no seu banco. Tem a lenda Kenny Dalglish, maior jogador da história e a caminho de ser o melhor técnico da história do clube. O homem que nunca perdeu para o Chelsea. Em 12 jogos, 9 vitórias e só 2 empates. 

 

 

20/11/2011 / Boleiragem Tática

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Primeiro tempo

18/11/2011 / Boleiragem Tática

A simplicidade do Figueirense, a sensação do Campeonato Brasileiro

O simples e eficiente 4-3-1-2 do Figueirense: liberdade para os laterais e equilíbrio nos setores.

No 4-3-1-2, Jorginho achou um time sem muitas invenções, básico, simples, equilibrado. Tanto com a bola, como sem ela. Um time extremamente eficiente dentro e fora de casa. Não à toa é o quarto colocado do Campeonato Brasileiro. Nesta quinta-feira, controlou a maior parte da partida diante do Flamengo, no Engenhão, perdeu um pênalti e saiu com um empate injusto em virtude do que aconteceu na partida. Tudo isso sem seu artilheiro, o atacante Júlio César, que saiu machucado logo aos 10 da primeira etapa e dificilmente terá condições para o restante da competição.

O Figueirense pode não ter elenco suficiente para brigar pelo título brasileiro. O substituto de Júlio César, por exemplo, é o jovem Aloísio, que perdeu o pênalti nesta quinta-feira. Tecnicamente, é inferior ao camisa 11.  E é muito menos rodado. Assim como acontece em outras posições. Mesmo assim, sobretudo pelo time titular que tem, é bem capaz que a   equipe de Jorginho belisque uma vaga na Libertadores.

Dos 5 primeiros colocados, é, hoje, o time em maior ascensão. E também o menos brilhante. Enquanto os times mais poderosos economicamente tem em grandes astros os seus diferenciais, o Figueira tem em Wellington Nem, revelado pelo Fluminense e candidatíssimo à grande revelação do Brasileirão, a sua grande referência. Veloz, ele costuma recuar para armar jogo com Elias, o organizador-central do time, responsável pelas enfiadas de bola e pela aproximação do meio ao ataque. Além de auxiliar Elias na armação, Wellington Nem é, também, o grande criador de jogadas laterais do time. Neste caso, trabalha com a ajuda dos ótimos e promissores laterais Bruno e Juninho.

É pelos lados que o Figueirense melhor ataca, inclusive. Como joga com três volantes, os dois laterais têm liberdade suficiente para subir juntos ao ataque. Para isso, dois volantes ficam na retaguarda, enquanto o terceiro sobe para auxiliar o ataque – normalmente o volante posicionado no lado em que a jogada se desenrola. Se a bola está pela esquerda do ataque catarinense, é Túlio quem sobe ao ataque; pela direita, é Coutinho; e por dentro, Ygor, que fez grande partida na noite desta quinta-feira, anulando Thiago Neves.

Com esse equilíbrio básico o Figueirense raramente sofre contra-golpes. Sem a bola, o time recompõe a marcação de forma muito rápida. Wellington Nem acompanha um dos laterais, Elias pega um dos volantes e o tripé de volantes do time se divide na marcação aos meias ou laterais rivais. Não há uma marcação muito elaborada. Jorginho não gosta de combater o adversário com marcação homem a homem. Prefere marcar por zona. E seu time faz isso muito bem. É difícil achar uma falha defensiva tática do Figueirense. Mais difícil ainda é achar um atacante rival sobrando contra o time catarinense. Marcação simples, e muito eficaz.

Com  a bola nos pés, o time ataca com inteligência. Além das jogadas pelos flancos, descrita no quarto parágrafo, pela zona central, o Figueira também sabe trabalhar bem a bola. Através de toques rápidos e curtos, os volantes fazem uma saída de bola eficiente, veloz. Elias é, normalmente, o responsável por reter essa bola no meio e pensar o jogo. Algumas vezes, Wellington Nem recua pelo meio, recebe o passe e arma as jogadas, buscando uma eventual tabela, ou tentanto uma jogada individual. Neste caso, Elias espeta seu posicionamento e vira um pivô arranjado, para tabelas ou simplesmente para desmarcar o meio de campo, movimento comum ao meia-central do 4-3-1-2.

 

Para esse time funcionar, o equilíbrio entre os setores é extremamente importante. Além dele, os acertos de passe são ainda mais fundamentais. E, por isso, são treinador com exaustividade por Jorginho. Um erro de passe causa um efeito dominó no time, podendo causar um contra-ataque mortal. A posse de bola é uma marca do Figueirense, um dos times mais pacientes com a bola nos pés. É assim que joga a sensação do campeonato. Simples e inteligente.