Skip to content
13/02/2012 / Boleiragem Tática

Vasco 2 x 1 Fluminense – A péssima arbitragem não tira os méritos do ‘time da virada’

Esquemas dos dois times na primeira etapa: ambos no 4-2-3-1; Vasco com linha ´torta´de armadores; Flu com mais mobilidade e intensidade no meio-campo

Eram raros os torcedores tricolores que conheciam o árbitro Antônio Frederico Schneider antes do clássico contra o Vasco, neste domingo, no Engenhão, pela Taça Guanabara. E serão ainda mais raros os que esquecerem o seu nome depois da derrota de hoje, por 2 a 1. Com uma arbitragem confusa desde o início da partida, o juiz atrapalhou demais o time comandado por Abel Braga – principalmente na segunda etapa -, ao deixar de marcar dois pênaltis, um escanteio clamoroso e expulsar Fred.

Mesmo assim, seria incoerente esquecer de enaltecer o time de Cristóvão Borges, novamente em paz com a torcida. Honrando um dos hits mais conhecidos nas arquibancadas de São Januário, o Vasco lutou bravamente e virou o jogo, com dois gols de Alecsandro, o artilheiro dos clássicos. E, de quebra, praticamente encaminhou sua classificação para as semifinais do primeiro turno do Carioca.

O primeiro tempo foi quase todo do Flu. Sobretudo os primeiros minutos. Com Deco novamente jogando o fino da bola e Thiago Neves querendo jogo, ficou mais fácil do que se esperava. Logo aos 6, em jogada envolvendo os três principais jogadores tricolores do momento, Thiago Neves tabelou com Deco e recebeu na entrada da área. Dali, emendou um belo chute, no canto esquerdo de Fernando Prass. Golaço. O primeiro do camisa 7 na sua volta às Laranjeiras.

O Vasco carecia de criatividade. Com Felipe mais recuado e Bernardo e Chaparro apagados, o meio mal funcionava. Para piorar, Fágner, a grande arma ofensiva do time, era acompanhado por Rafael Sóbis e Diguinho na cobertura. Enquanto isso, o Fluminense marcava na frente – e bem. Com Diguinho desarmando muito e saindo bem pro jogo, o time de Abel sufocava o Vasco. Fernando Prass salvava. Como o chute de Deco, aos 34.

Até que veio o segundo tempo. E a inteligente mudança de Cristóvão: Willian Barbio no lugar do sumido Leandro Chaparro. Resultado: mudança de esquema – 4-2-3-1 para 4-2-2-2 – e um time mais ofensivo e com mais presença de área. Melhor que a alteração, foi a mudança de postura. O Vasco passou a marcar no campo de ataque e pressionar a saída de bola tricolor, até então muito eficaz. O jogo, no entanto, caíra de produção pela chuva e o excesso de faltas. Mesmo assim, ainda era equilibrado.

Aos 14, contudo, um momento-chave. Sagaz, Nílton bateu uma falta rápida no meio de campo, Rodolfo fez belo lançamento, achando Fágner livre da marcação de Carlinhos na ponta-direita. O ótimo lateral cruzou na medida para Alecsandro provar o seu oportunismo: 1 a 1. O Vasco estava mais vivo do que nunca na partida.

Marcando bem e na frente, o Gigante da Colina tinha a partida nas mãos. Ou nos pés de Alecsandro. Mas Diego Cavalieri tratou de operar um milagre, ao salvar a finalização do 9 vascaíno aos 22 da segunda etapa. Aos 33, não houve quem salvasse. Em jogada ensaiada, Alecsandro se antecipou a Edinho e aproveitou o bom escanteio cobrado por Bernardo para virar a partida.

Minutos antes, o árbitro acabara de começar o seu show de horrores contra o Fluminense. Ele ignorou um pênalti claro de Fágner em Carlinhos – na primeira etapa, já havia mandado seguir o jogo em uma penal em cima de Fred, cometido por Dedé. Após o segundo gol vascaíno, já com Rafael Moura no lugar de Diguinho, outro erro clamoroso. Um escanteio visível a olho nu foi ignorado. Por reclamarem, Fred e He-man acabaram amarelados. Em seguida, Fred fez falta boba na entrada da área vascaína e acabou expulso pelo segundo cartão.

A essa altura, o descontrole já tomava conta do time tricolor e do técnico Abel Braga. Edinho também terminou expulso. E o jogo terminou com “olé” vascaíno. Vitória merecida, mas ofuscada pela péssima arbitragem de Antônio Frederico Schneider.

11/02/2012 / Boleiragem Tática

Em grande fase, Rooney é muito importante para o United taticamente

O United de Ferguson com Rooney entre a área e a intermediária: 4-4-1-1.

Em 20 jogos desde a sua estreia como profissional, aos 16 anos, pelo Everton, Rooney só havia marcado 2 gols contra o desde sempre rival Liverpool. Em 3 minutos, o camisa 10 do Manchester United dobrou essa conta, garantiu a vitória no Old Trafford e, de quebra, uma liderança que pode ser provisória sobre o City, que tem um ponto a menos que o rival vermelho e joga amanhã, contra o Aston Villa.

Mas não é só na capacidade técnica de decidir jogos que Rooney prova sua diferença para outros atacantes e sua importância para o Manchester United. Além de garantir meio-gol quando recebe uma bola na entrada da área, o Shrek é muito útil taticamente.

É verdade que Rooney surgiu e chegou a se destacar como um homem de área. A força física e a facilidade absurda para finalizar eram virtudes que o transformavam num camisa 9 daqueles. Mas com o tempo, veio o amadurecimento tático. E o próprio Rooney percebeu que poderia se doar mais, ser mais importante para a equipe com e sem a bola. Surgiu, então, um novo Rooney. Um Rooney que volta para armar e marcar, quase como um antigo ponta de lança, porém mais dedicado sem a posse de bola.

Contra o Liverpool, Rooney não cansou de fazer isso. Com seu preparo físico invejável, por vezes recuava para dar um toque na b0la, se livrar da marcação e voltar para a área tentando uma eventual tabela com os homens que vinham de trás. Por várias vezes, pôde se observar uma linha de três meias: Giggs, pela esquerda, Valência, pela direita, e Rooney pelo meio, tamanho era o recuo do camisa 10. Quase um 4-2-3-1. Mas que, na teoria, e em bons momentos na prática, se desenhava como 4-4-1-1.

Não é de hoje que ele faz isso. Contudo, foi nesta temporada, que esse novo posicionamento de Rooney se tornou mais frequente nos jogos. Tanto é que Kenny Dalglish escalou Spearing entre as linhas do seu 4-1-4-1 justamente para acompanhar o Shrek inglês. Mas não foi suficiente. Numa questão de segundos, Rooney o trazia até o meio-campo e voltava sozinho para a grande área, não só abrindo espaços como se livrando de seu ‘carrapato’.

Assim, ele consegue aumentar o seu leque de opções de jogadas. O fato é que, vindo de trás ou recebendo a bola de costas para o gol, tanto faz. A fase é boa e o cara é craque. Rooney é letal. E o Liverpool sabe bem disso.

04/02/2012 / Boleiragem Tática

Entre os reservas, Abel testa 4-2-3-1 com Thiago Neves

Flu reserva de Abel neste sábado

Abel Braga já lançou mão de uma das alternativas para ter Thiago Neves no time principal. Ainda entre os reservas, o novo camisa 10 tricolor foi o organizador-central do 4-2-3-1 do Fluminense, no empate em 1 a  1 com o Duque de Caxias, neste sábado, em Volta Redonda(RJ). Um pouco fora de forma e atrapalhado pelo forte calor da tarde na Cidade do Aço, o apoiador não foi tão bem como alguns tricolores esperavam, mas mostrou um senso tático interessante.

Sempre que não tinha a bola, Thiago Neves procurava se posicionar para recebê-la. Num pequeno leque de interações com os outros dois meias-atacantes do esquema, os meias-extremos Araújo e Wellington Nem, fugia para a ponta-direita e voltava para o meio, trocando de posição ora com um, ora com o outro. Entre esses dois últimos, as inversões eram ainda mais intensas e constantes, confundindo e indefinindo a marcação da zaga caxiense.

O curioso é que o mais provável era esperar de Abel escalar Thiago Neves aberto pela direita, quase como um segundo-atacante, como ele mesmo gosta de jogar. Mas provavelmente pela falta de opções entre os suplentes para arranjar um meia que pudesse jogar centralizado – já que Souza estava improvisado na lateral-direita e Lanzini não começou o ano bem, e , por isso, novamente ficou no banco. O importante é notar que Thiago Neves não se sentiu perdido em campo.

Além da escalação do camisa 10 centralizado, outra novidade se deu pela improvisação de Souza na lateral-direita e a manutenção e Jean como volante pela direita. Com isso, o técnico tricolor parece deixar claro como pretende utilizar o ex-jogador são-paulino. Jean marcou e jogou bem. Foi, inclusive, um dos melhores do time, assim como Thiago Carletto, que voltou a fazer um golaço e ameaçar Carlinhos no time titular.

Ainda assim, a probabilidade de haver mudanças até a consolidação de um time titular é imensa. Principalmente nos aspectos táticos. O 4-2-3-1, esquema da moda no Brasil e no mundo, não parece atender à demanda do técnico Abel Braga. Isso porque o meio-campo perde muito em combate e marcação, com as peças utilizadas pelo treinador tricolor. Talvez com Deco e Wágner, e  Thiago Neves como segundo atacante, o time perca menos e se equilibre mais. A conferir.

29/01/2012 / Boleiragem Tática

Novato, Andrezinho já é o cérebro do Botafogo de Oswaldo de Oliveira

O Botafogo de Oswaldo: Andrezinho como 'cérebro'

Na linha de três armadores, teoricamente, ele é quem mais se assemelha a um típico camisa 10 do futebol brasileiro. Com ótima visão de jogo e técnica, Andrezinho se movimenta com inteligência pelo campo, chama os volantes para jogar, encosta nos meias, no centroavante e se consolida, aos poucos, como o melhor jogador do time de Oswaldo de Oliveira neste início de temporada. Apesar do pouco tempo de clube, o novo camisa 10 alvinegro já rende ótimos frutos.

Mas nem sempre Andrezinho pôde jogar como sempre quis. O meia-atacante que surgiu no Flamengo chegou a ser improvisado como volante no Internacional. E, de fato, é como articulador-central que ele melhor rende. De preferência, com dois meias ao seu lado e um centroavante mais participativo que Loco Abreu, cada vez mais isolado no 4-2-3-1 de Oswaldo.

Como Maicosuel e Elkeson ainda não conseguem buscar a movimentação ideal entre si neste início de ano, a criatividade fica toda na conta de Andrezinho. Sozinho, ele tenta aparecer nos mais diversos setores do campo, interagir com jogadores diferentes, chamar a responsabilidade da criação, de fato. E Andrezinho ainda consegue tirar uma carta da manga para surpreender os adversários. Ele recua e chama os volantes para jogar. Mais atrás, assim, Andrezinho consegue fazer com que Marcelo Mattos e, principalmente, Renato joguem mais do que marquem.

Dessa forma, surgem mais opções para a tabela, ultrapassagem e etc. Mais alternativas. Mais jogadores para munirem Andrezinho e os outros atacantes de boas oportunidades.

Os laterais também têm importância extrema na criação do meio-campo alvinegro. Ao subirem ao ataque, Lucas e Marcio Azevedo provocam uma mudança de posicionamento nos meias-extremos Elkeson(esquerda) e Maicosuel(direita). Ambos afunilam, e passam a centralizar mais as jogadas, ficando ainda mais próximos de Andrezinho e dos volantes.

28/01/2012 / Boleiragem Tática

Flu ideal de Abel Braga deverá ter Thiago Neves de segundo atacante

Não era só o Internacional campeão do mundo em 2006 que jogava com um losango no meio de campo. Durante toda a sua trajetória como técnico profissional, Abel Braga sempre gostou do esquema tático com um volante plantado, dois meias ou volantes pelos lados e um armador centralizado no setor intermediário. No Fluminense deste ano, não deverá ser diferente. Com um elenco recheado de boas opções para o meio-campo e um brinde especial vindo do Flamengo, é bem provável que o treinador tricolor abra mão de Rafael Sóbis para escalar Thiago Neves como segundo atacante.

Obviamente, as outras formações não estão descartadas. Mas, ao que tudo indica, o Fluminense deve começar o ano ao melhor estilo Abelão: 4-3-1-2 com um losango no meio-campo e um segundo atacante aberto pela direita. Aliás, foi dessa forma que o time melhor rendeu no fim do ano passado. Com Thiago Neves, o treinador ganha uma dor de cabeça a mais: onde escalá-lo?

Thiago Neves jogou 2011 quase que por inteiro como um meia de ligação, ora aberto por um dos lados, ora por dentro. Quase sempre buscando as jogadas centralizadas. Mas no seu melhor momento com a camisa do Fluminense atuou avançado pela ponta-direita, procurando sempre brechas para levar a bola para a perna esquerda. Por isso, pode funcionar bem como um segundo atacante, formando dupla com Fred.

Assim, Wágner não precisa ser recuado e improvisado como um meia-volante pela esquerda, onde nunca jogou. Sempre rendeu bem como um meia-centralizado, um autêntico 10. No Cruzeiro de Adilson Baptista, era o cérebro do time. Quase todas as jogadas passavam por ele. Participativo, o meia chega bem à grande área, tem bom chute, dribla bem…Um organizador completo, que rende muito melhor jogando pelo meio, armando as jogadas.

O fato de estar aberto à direita do ataque não pode tirar a movimentação de Thiago Neves. Como em toda sua carreira, a tendência é de que continua a buscar o meio, para sua perna melhor. Desta forma, pode fazer combinações táticas e jogadas com Wágner e quem quer que venha de trás.

O meio-campo tricolor, neste caso, seria completado por um meia-volante pela direita – provavelmente Diguinho -, um  meia-volante pela esquerda – que pode ser Deco – e um volante-central para proteger melhor os zagueiros – Edinho.

Com o time no seu esquema predileto, Abel pode perder em velocidade na frente com a entrada de Thiago Neves no time, mas ganha em outras muitas frentes. Um time extremamente competitivo para a Libertadores e o Brasileirão.

18/12/2011 / Boleiragem Tática

As influências de Cruyff no time de Guardiola

Guardiola iniciou sua trajetória gloriosa à frente do Barcelona, como técnico, com um time ofensivo. Mas não tão brilhante como o atual. De início, manteve o 4-3-3 de seu antecessor, Frank Rijkaard. Com o tempo, foi moldando o time ao seu modo. Do 4-3-3 clássico culé para o 4-2-3-1, enfim centralizando Messi, que antes não saía da ponta-direita. Hoje, há três temporadas na área técnica do Camp Nou, se baseia em uma de suas maiores inspirações profissionais: o holandês Johan Cruyff, ex-jogador e técnico do time.

A começar pelo 3-4-3 adotado recentemente. O primeiro time a obter sucesso jogando com esse desenho tático foi justamente o Barcelona de Cruyff, o  famoso “Dream Team”, do qual o próprio Guardiola fez parte. O equilíbrio entre as mais diversas zonas do campo encantava todo o mundo. E inspira Guardiola até hoje. Tanto é que, desde que testou o novo esquema tático, não sentiu falta do 4-3-3, o desenho anterior da equipe.

A outra inspiração “cruyffiana” vem da Holanda de 74. Nenhum time do futebol conseguiu se movimentar tanto como os autores do “Futebol Total”. No Barcelona da década de 90, Cruyff tentou reproduzir aquela seleção. Quase conseguiu. Mas faltou planejamento e um material humano melhor, já que as noções de inversões de posição e improvisações não eram bem assimiladas por todos.

Hoje, ao golear o Santos por 4 a 0 e se  sagrar campeão do mundo,  Guardiola conseguiu se aproximar muito daquele estilo de jogo. Nenhum jogador guardava posição fixa do meio para a frente. Na defesa, Puyol ora era lateral-direito, ora terceiro zagueiro. Busquets dependia da posse de bola para se posicionar em campo: com ela, virava primeiro volante, sem ela, zagueiro.

O carrossel catalão que atropelou o Peixe no Japão tem influências históricas importantíssimas. Jogando à base do ‘Futebol Total’ no 3-4-3 é praticamente impossível não relacionar Guardiola a Cruyff.

14/12/2011 / Boleiragem Tática

Kashiwa Reysol 1 x 3 Santos – A qualidade individual e as preocupações do time de Muricy

Neymar e Borges precisaram de menos de 20 minutos para decidir o jogo diante do Kashiwa Reysol, pela semifinal do Mundial Interclubes, em Nagoya, no Japão. Com dois lances geniais culminando em finalizações no ângulo, os atacantes santistas provaram do que é capaz de aprontar um time repleto de talentos individuais. Mas em uma noite em que o coletivo não funcionou muito bem e, por pouco, o Santos não passou por sustos maiores. Para a final de domingo, muito provavelmente contra o Barcelona, que nesta quinta-feira enfrenta o Al-Sadd, do Catar, há muita coisa a ser corrigida por Muricy Ramalho.

A começar pelo lado esquerdo da defesa. A ideia de improvisar Durval como lateral, que surgiu e foi testada na reta final do Brasileirão, é interessante por visar um possível duelo com o time espanhol, que ataca muito pelo lado direito, sobreutdo com Daniel Alves. Mas ainda não deu certo. Sem cacoete de lateral, o zagueiro santista falhou na cobertura, tomou um baile de Sakai e foi um dos piores em campo, justamente ao lado de Elano, o meia-direita do time de Muricy. Foi por lá que o Kashiwa mais aprontou, com Leandro Domingues abrindo o corredor para as ultrapassagens do lateral japonês, o mais perigoso do time de Nelsinho Baptista, e autor do único gol da equipe no jogo.

Outro ponto a ser corrigido é a estratégia inicial do time. Assim como na Libertadores, o time de Muricy começa a partida recuado, fechado, em busca de contra-golpes rápidos com Ganso, Neymar, Borgres e algum volante que suba como elemento surpresa. Melhor para o adversário, que tem campo, tempo e posse de bola para dominar o jogo. Foi assim contra o Cerro Porteño, no Paraguai, contra o Peñarol, e em diversas outras oportunidades. Em todas, deu certo. Mas visando um eventual confronto contra o melhor time do mundo, que tem números exorbitantes de posse de bola, parece suicídio.

E quase deu errado diante do Kashima Reysol. Até Neymar abrir o placar com um golaço com sua assinatura de craque, o time era amplamente dominado. E tinha dificuldades para jogar. Até mesmo pleo nervosismo da estreia e pelo sumiço iminente de Ganso, que, assim como os volantes, não apareciam para o jogo. Tudo mudou aos 15 da primeira. O camisa 10 apareceu para o jogo, achou Neymar livre na ponta-direita e só esperou pela jogada genial do camisa 11. Golaço.

Detalhe para a movimentação da joia santista: da ponta-esquerda, seu habitat inicial no 4-3-1-2 habitual, para a direita, confundindo  marcação japonesa. Na conclusão de perna esquerda, a perfeição incomum a destros. Mas de praxe quando se trata de gênios do futebol.

Mal absorveu o primeiro golpe, a equipe de Nelsinho levou o segundo. Tão crucial quanto o primeiro. Igualmente lindo. Agora foi Arouca, o melhor em campo na opinião deste que vos escreve, quem ganhou a disputa na frente, deixou a bola com Borges. E basta. Centroavante nato, sabe girar em cima de um zagueiro, achar espaço onde não tem e finalizar para o fundo das redes. Borges prefere o ângulo, como Neymar. Outra pintura. 2 a 0 Santos.

O time que funcionava mal no 4-3-1-2, variando para o 4-2-3-1 com as subidas de Elano, agora marcava melhor e jogava mais no campo de ataque. Mais do que isso, tinha a vaga para a final nas mãos. Restava administrar o resultado, segurando mais a bola na frente, protegendo mais o lado mais frágil da defesa e valorizando a posse de bola, bem essencial no futebol.

O início do segundo tempo foi muito bom. O Santos continuava no controle da partida, com Arouca monstruoso na marcação a Leandro Domingues e nas saídas de bola, Danilo aparecendo mais para o jogo como válvula de escape pela direita e Ganso segurando a bola no meio-campo. Muricy conseguiu dar mais volume de jogo ao time, que buscava o terceiro gol como se fosse o primeiro.

Até que veio o susto inicial. Em cobrança de escanteio de Jorge Wágner, Sakai subiu sozinho e diminuiu a vantagem. Havia um jogo. O baque não foi tão grande, mas Muricy achou coerente mexer. Tirou o inoperante Elano para a entrada de Allan Kardec, que fez bom Brasileiro como meio-campista, chegando de trás na área. O time se repaginou no 4-2-2-2 e ganhou mais presença ofensiva. Danilo, que parecia outro jogador na segunda etapa, fez bela jogada pelo meio e sofreu falta que ele mesmo bateu com precisão, sem chances para Sugena: 3 a a 1.

O Santos voltava a ter uma vantagem de dois gols no placar. Ainda mais tranquilo pelo fim de jogo, jogava mais solto. Dribles, passes de efeito e firulas aumentaram. Mas os sustos também. Sempre pela direita, o time hipônico era muito perigoso. Durval não ganhava uma.  Sawa, que entrara no segundo tempo, chegou a desperdiçar uma chance incrível, dentro da pequena área.

O apito final não chegou a ser um apito de alívio. E sim de confirmação. Mesmo assim, é preciso redobrar a atenção para domingo. E consertar os muitos problemas que o time apresentou. Porque Barcelona é Barcelona.

11/12/2011 / Boleiragem Tática

Os segredos do Kashiwa Reysol, primeiro obstáculo do Santos no Mundial

Time-base do Kashiwa: 4-2-2-2, com dois meias abertos, dois laterais ofensivos e dois atacantes.

Para a imensa maioria dos brasileiros, o time do Kashiwa Reysol é absolutamente desconhecido. Pelas duas partidas que jogou no Mundial Interclubes, um time que merece mais elogios do que críticas. Comandado por brasileiros tanto na área técnica – o treinador é Nelsinho Baptista – como dentro de campo – o 10 e melhor jogador do time é o meia Leandro Domingues, ex-Cruzeiro, Fluminense e Vitória -, a equipe busca o ataque sempre que possível.

Aliás, taticamente, o time se parece muito com clubes brasileiros. No 4-2-2-2, tem laterais muito ofensivos, meias abertos pelos lados que entram em diagonal para abrir o corredor, dois volantes marcadores e dois atacantes com características diferentes entre si: enquanto um se movimenta mais, o outro se fixa mais dentro da área.

Contra o Monterrey, na manhã deste domingo, a equipe demorou a entrar bem no jogo. Dominada no primeiro tempo, só assustava com sua jogada tradicional e mais perigosa: Sakai aproveitando o corredor aberto por Leandro Domingues e atacando pelo lado direito. O lateral japonês pretendido pelo Santos para a temporada que vem joga muita bola e é bastante veloz com a bola nos pés. Sem ela, recompõe com rapidez e não compromete na marcação.

No segundo tempo, pôde-se ver mais virtudes do time de Nelsinho, assim como na partida da última quinta-feira, vitória sobre o Auckland City. O Kashiwa passou a valorizar mais a posse de bola, atacar em bloco e pressionar o razoável time mexicano, que sentia falta de um Suárez melhor fisicamente na frente, para auxiliar os meias Delgado e Cardozo na criação e finalização de jogadas. Mesmo sentindo a perna direita, marcou o gol de empate, ao completar a boa jogada de Delgado, sempre pela direita.

Leandro Domingues havia aberto o placar com um golaço de voleio em jogada que começou com lançamento de Sakai. Tudo pelo lado direito, o mais forte do time, ainda que, pela esquerda, com Jorge Wagner cadenciando mais o jogo e Tanaka caindo nas costas do lateral-direito rival, a equipe também levasse perigo.

O empate em 1 a 1 se manteve até a prorrogação. No primeiro tempo extra, só deu Kashiwa Reysol. Com a marcação adiantada, o time japonês mostrou o que tem de melhor. Posse de bola, muitas jogadas pelas laterais e um camisa 10 decisivo nos passes e na movimentação. Ao sair da meia-direita para organizar o time por dentro, Leandro Domingues abria o corredor para o excelente lateral Sakai, acionado com intensidade durante todos os jogos do time. Em menor escala, Jorge Wagner fazia o mesmo pela esquerda.

Curiosamente, Nelsinho só fez uma alteração durante todos os 120 minutos: o atacante Hayashi no lugar do centroavante Kudo. Curiosa, também, é a quantidade de inversões de bola do time. Quando muito marcado por um lado, os meias ou laterais já viram o jogo rapidamente, transferindo o ataque para o outro lado menos marcado. Um senso de inversão de jogo impressionante. E que pode ser fatal contra o Santos. Antes do Barcelona, há um Kashiwa.

 

11/12/2011 / Boleiragem Tática

Real Madrid 1 x 3 Barcelona – O bom início merengue e a reação do melhor time do mundo

Para os que esperavam um time acuado, em busca de um erro rival para contra-atacar e, quem sabe, ganhar o jogo, José Mourinho  respondeu em grande estilo. Ao contrário dos clássicos recentes contra o Barcelona, mandou a campo um time feroz, ofensivo e cheio de vontade de ganhar. O Real Madrid entrou em campo disposto a suar sangue para conseguir os três pontos. E logo aos 23 segundos, conseguiu o que queria no primeiro tempo: a vantagem no placar. Numa `blitz`ofensiva impressionante, fez Victor Valdés errar a saída de bola, acertando os pés de Di María, que tentou deixar Benzema na cara do gol. A zaga aliviou, mas a bola voltou nos pés de Ozil, que pegou de primeira. Em novo rebote, Benzema aproveitou e, cara a cara com Casillas, abriu o placar.

Não havia melhor começo de jogo. Torcida inflamada, time contagiante, vantagem no placar. Mas o adversário do outro lado do campo não é um qualquer. É time que não se intimida contra qualquer rival, placar ou adversidade. E faz de tudo para encaixar o seu e dominar o jogo. Neste sábado, Guardiola precisou ser ainda mais inteligente, estrategista e sagaz para mudar um panorama tão desfavorável.

Depois de entrar em campo no 4-3-3, com Daniel Alves na lateral-direita, Messi na ponta-direita e Sánchez como centroavante, Guardiola percebeu corretamente que o time não funcionava. Sobretudo não jogava como Barcelona. Muitos erros de passe em função da forte marcação merengue. Com Iniesta isolado na ponta-esquerda e Fábregas marcando mais do que jogando, assim como Xavi, a situação piorava. Foi então que o treinador catalão resolveu voltar ao 3-4-3, adiantando Daniel Alves para a meia-direita.

No entanto, mais do que a modificação no sistema tático da equipe, a mudança de postura dos jogadores foi o que mais fez diferença na segunda etapa. De um time estático, errante, irreconhecível, para o Barcelona que encanta o mundo. Posse de bola, movimentação e um senso de variação excepcional. Messi, por exemplo, rodava o campo de ataque. Da ponta-direita para o meio, do meio para a grande área. Ora como ponta, ora como armador, ora como falso-nove. Sempre indefinindo a boa marcação do time de Mourinho.

E deu certo. O time ganhou volume de jogo, passou a jogar de forma cadenciada, valorizando a posse de bola, sufocando o Real Madrid, que já não tinha a mesma intensidade, a mesma pegada. Mesmo assim, do jeito que dava, anulava o melhor time do mundo. O problema é que, às vezes, é impossível parar o melhor do mundo. Tipo quando Messi pega a bola, enfileira uns três e deixa o companheiro na cara do gol. O sortudo da vez foi Sánchez, que além de sorte, sabe se movimentar, tem velocidade e finaliza como um autêntico 9. Chute sem chances para Valdés: 1 a 1.

O empate foi suficiente para assustar o Real Madrid e dar o complemento que faltava ao time blaugrana. Apesar de ter voltado melhor, o gol de Xavi, em chute desviado por Marcelo, que contou com alta dose de sorte, deixou os donos da casa mais do que assustados, acuados. Jogando no campo de ataque, ocupando espaços e tocando a bola, o Barcelona passou a dominar completamente o jogo. Com Iniesta monstruoso pelo lado esquerdo do campo, vindo ao meio eventualmente para armar jogadas por dentro e Sánchez se movimentando com muita inteligência, abrindo espaços para Messi e cia, o terceiro gol amadurecia com uma velocidade incrível.

E quando se deu por conta do domínio blaugrana, o Real já sucumbia aos olhos da própria torcida. Pela direita, Messi fez mais uma jogada à la Messi, puxou um contra-golpe e achou Daniel Alves na ponta-direita. O brasileiro cruzou com precisão, na cabeça de Fábregas, que não perdoou: 3 a 1. O melhor time do mundo também sabe contra-atacar quando é pressionado. Mais do que isso, o Barcelona mostrou que é um time preparado para reagir contra o pior mal possível.

Te cuida, Santos. O melhor time do mundo está sempre voando baixo.

09/12/2011 / Boleiragem Tática

Previsão tática: Real Madrid x Barcelona

A grandeza que envolve a partida deste sábado causa uma expectativa absurda em todos os envolvidos. José Mourinho e Pep Guardiola, os treinadores, são praticamente obrigados pelo contexto a fazer mistério quanto à escalação inicial de suas equipes. Entre as estrelas, os planejamentos, os tabus e as conseqüências, é praticamente impossível fazer previsões para o Superclássico do próximo dia 10, em Madrid, no Santiago Bernabéu, de onde Guardiola jamais saiu derrotado como treinador.

É possível, sim, fazer análises prevendo o que provavelmente irá acontecer. Como por exemplo o 3-4-3 criativo do novo Barcelona, implantado por Guardiola nos últimos meses. O esquema à La Cruyff teve impacto e sucesso imediato entre todos em Barcelona. Ao mesmo tempo que acerta os pontos fortes do ataque, com Daniel Alves na ponta-direita, por exemplo, melhora a defesa e mantém o estilo de jogo do time, que, ademais, ganha velocidade na transição.

Quanto ao onze inicial do Real Madrid, assim como os principais jornais espanhóis, este que vos escreve crê numa trinca de volantes para marcar o setor mais criativo do futebol mundial, o meio-campo catalão. Mourinho deve optar novamente pelo 4-1-4-1 que encarou o rival nas últimas oportunidades, com um cabeça de área marcando individualmente Messi e os outros dois cercando Xavi e Iniesta. Lass Diarra, Khedira e Xabi Alonso são os favoritos à zaga.

Mas como se trata de José Mourinho, as surpresas não podem ser descartadas. O 4-2-3-1 que brilhou em todo o ano pode ser mantido, é uma das alternativas. Não a mais provável. Um 4-3-3 talvez para pressionar, sobretudo no início do jogo. Pelas entrevistas e treinamentos, é fácil constatar, porém, que Mourinho jogará somente com um homem de área, e este é bem capaz de ser Benzema. Nas pontas, Di María é nome certo pela direita e Cristiano Ronaldo pela esquerda. O meio é uma incógnita. E a defesa não terá Arbeloa.

Do outro lado, o Barcelona joga completo.  Muito provavelmente no 3-4-3, com Piqué, Abidal e Busquets na zaga, Daniel Alves na ponta-direita, Xavi , Keita e Iniesta no meio, e, na frente, Messi, Fábregas e Villa. No entanto, pode ser que Pedro ou Mascherano sejam surpresas de última hora. Thiago Alcântara também. Fato é, porém, que Guardiola não gosta muito disso. Prefere se planejar e treinar com um time na cabeça e escalar esse mesmo time. Considera mais fácil e costuma fazer isso.

Taticamente, é de esperar um duelo rico em alternativas e novidades que só serão desvendadas momentos antes de a bola rolar. Embates individuais também merecem atenção. E será importante saber a marcação optada pelo rival. É difícil crer que o Real não vá marcar sob pressão e individualmente os principais jogadores do Barcelona. Ainda mais de Mourinho optar pelo 4-1-4-1.

O “1” entre as linhas de 4 é o cara para colar e seguir Messi por todo o campo. Afinal, o argentino tem se mexido muito no 3-4-3. Da ponta-direita para o centro, do centro para a esquerda, da esquerda para a direita, sempre buscando adentrar a grande área. O manjado “falso nove” já virou “ faz de tudo”. Fábregas, na referência, deve receber a atenção especial do zagueiro-central do Real. Os outros dois volantes baterão com Xavi e Iniesta. E terão a missão de dar velocidade às saídas de bola, uma missão complicada contra o time da posse de bola e da recomposição veloz.

Pelos flancos, duelos interessantes. Cristiano Ronaldo x Piqué, Daniel Alves x Marcelo, Di María x Busquets ou Abidal,  Villa x o lateral-direito escolhido por Mourinho para suprir Arbeloa, suspenso. E Messi X? A resposta que Mourinho ainda não achou, mas continua à procura. Talvez Lass Diarra. Caberá a um de seus cabeças de área a missão de seguir o argentino, que deve começar jogando na ponta-direita, mas sempre abrindo o corredor para as ultrapassagens de Daniel Alves.

É jogo para se esperar, gravar, ver e rever. É jogo para se recordar. E a ansiedade toma conta. Que venham gols, que venham surpresas, que venha o Superclássico.