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04/03/2012 / Boleiragem Tática

Roma 1 x 2 Lazio – A supremacia azul mistura méritos com injustiças

Formação das duas equipes em todo o jogo - Roma com um a menos e De Rossi aprofundando posicionamento.

A Lazio teve um jogador a mais durante quase o tempo inteiro no dérbi deste domingo, no Olímpico, em Roma, e, mesmo assim, sofreu bastante para vencer uma Roma corajosa, ainda que com um a menos. De fato, mais do que os erros bisonhos da arbitragem de Marco Bergonzi, a expulsão do goleiro Stekelenburg, que culminou no gol de Hernanes, de pênalti, acabou sendo fundamental para a vitória da Lazio, por 2 a 1.

Expulsão, diga-se de passagem, justa. Klose recebeu ótima enfiada de bola do Profeta, nas costas do brasileiro Juan, driblou o holandês e foi derrubado. Como era último homem, o goleiro acabou corretamente expulso.

Ao contrário do que era de se esperar, a Roma não sentiu tanto o gol e o homem a menos. Luis Henrique rearmou o seu 4-3-3 rapidamente, tirando Lamela para a entrada do reserva Lobont, e recuando De Rossi quase como um líbero quando seu time tinha a bola. Assim, Taddei e José Ángel ganhavam mais liberdade para apoiar pelos lados e a equipe mais opções.

Corajosa, a Roma ganhou o meio de campo, adiantou a marcação e foi buscar o empate, que veio aos 16. Cruzamento da direita, falha da zaga da Lazio, chute na trave de Juan e a bola sobra limpa para De Rossi, de cabeça, empatar. A Roma tinha dez jogadores, mas tinha a disposição e a coragem de vinte.

O jogo ganhou em emoção. E em equilíbrio. A Lazio não se deixava dominar, mas também não tomava as rédeas da partida. Pela esquerda, com Mauri e Matuzalém deitando e rolando às costas de Taddei e Fábio Simplício, assustava. E com o melhor em campo bastante participativo, mais ainda. Hernanes estava por toda a parte: na direita, no meio, na esquerda, dentro da área. Atuação digna de um camisa 10. Mais: digna de jogador titular de seleção brasileira, que merece ser pelo que vem jogando.

Com o passar do tempo e das faltas, a tensão de um dos clássicos mais nervosos do mundo do futebol só crescia. Entradas ríspidas e muita pressão em cima do fraco e incoerente Bergonzi. Mauri invadiu a área, teve a camisa quase arrancada por Taddei, mas nada foi marcado. E ainda recebeu um amarelo por “simulação”. Do outro lado do campo, Biava distribuía pontapés como um lutador, e passava despercebido pelo juiz.

Veio o segundo tempo e o clássico ganhou ainda mais cara de clássico. Bombas eram soltadas nas arquibancadas, enquanto o jogo se tornava ainda mais nervoso. Luis Henrique colocou Marquinho no lugar do lesionado Pjanic, mas o brasileiro demorou a entrar no jogo. Foi justamente por seu setor que nasceu o segundo gol azul. Ledesma cruzou, Juan viu a bola passar e Mauri, outro gigante em campo, marcar. Era a segunda falha grave do brasileiro, que se redimira no minuto seguinte, evitando o terceiro, de Hernanes.

Passado o susto pelo segundo gol, a Roma se organizou. E foi pra cima. Juan sentiu o joelho e teve que deixar o campo para a entrada de Bojan. Taddei e José Ángel formaram um trio de zaga híbrido com Heinze. Era tudo ou nada. Logo em seguida, Scaloni acabou expulso ao dar carrinho em Bojan, mesmo não tendo o atingido. Bergonzi sinalizou de que havia visto a falta, inexistente. Sem a desvantagem numérica, mas com pouco tempo para pressionar, a Roma bem que tentou empatar, sem sucesso. Marquinho chegou a cruzar duas ótimas bolas para Totti e Borini, mas ambos cabecearam para fora.

Melhor para a parte azul da cidade, que comemora a segunda vitória sobre o rival no ano e a supremacia no campeonato à parte, um dos dérbis mais disputados do mundo. Entre méritos e injustiças causadas pela arbitragem ou pela sorte, a Lazio já terceira colocada no campeonato italiano. E tem time para brigar entre os primeiros da Itália.

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26/02/2012 / Boleiragem Tática

Arsenal 5 x 2 Tottenham – Virada sensacional reanima os gunners e alivia Wenger

Com exceção dos primeiros 15 minutos, o Arsenal fez uma partida brilhante. Depois de ver o rival Tottenham ganhar o meio de campo, a posse de bola e domínio dos primeiros minutos, com dois gols em duas falhas bizarras de posicionamento da defesa vermelha, o time de Arsène Wenger ressurgiu das cinzas. Com uma recuperação incrível, empatou e virou o jogo com uma atuação fantástica de boa parte do sistema ofensivo. Voando na segunda etapa, construiu uma goleada que tem tudo para servir como combustível para o restante da temporada.

A reação começou baseada justamente na mudança de postura do adversário. Com o 2 a 0 no placar, o relaxamento era natural. Mas soava totalmente incoerente um recuo excessivo. E foi o que aconteceu. Buscando jogar na sua melhor arma, os velozes contra-ataques puxados por Bale, Saha e Adebayor, os Spurs se acuaram à espera de um erro rival. Erro que não veio.

O Arsenal aproveitou e partiu para cima. Pressionou. Sempre jogando pelos lados, forçando cruzamentos para o artilheiro da Premier League Robin Van Persie, em fase esplêndida. Mas foi o lateral Sagna, um dos melhores em campo, quem apareceu para cabecear o cruzamento de Arteta, da esquerda: 2 a 1.

O gol elevou a moral dos gunners, que, logo após a saída de bola do meio de campo, já a tinham de novo. Com Walcott centralizando o posicionamento e abrindo o corredor para Sagna fazer Assou-Ekotto de gato e sapato, a direita era o melhor atalho para o Arsenal. E foi por lá que começou a jogada do gol de empate. Após uma rebatida displicente de Ekotto, a bola caiu nos pés de Van Persie, na entrada da área. Bastou levar a bola para a canhota, arrumar o corpo e chutar colocado, no ângulo. Golaço de empate.

A tática de esperar contra-golpes não dava certo. Principalmente com um meio-campo de pouca marcação e desarme. No 4-4-2, Harry Redknapp escalou somente um volante de combate – Scott Parker. Acabou sofrendo dois gols pela falta de marcação e coragem. Logo no intervalo, tentou ajeitar as coisas: Sandro no lugar de Saha e Van der Vaart no lugar do sumido Krjancar. Porém, pouco funcionou. A intensidade do time da casa parecia insuperável.

Dessa vez, a jogada começou e terminou pelo lado direito, o melhor dos gunners em todo o jogo. Tabela entre Sagna e Rosicky, conclusão oportunista do tcheco, que voltou a jogar muito bem. Explosão de euforia no Emirates Stadium. O Arsenal voltara a jogar bem, a ser efetivo na frente. E sem depender exclusivamente de Van Persie.

Enquanto isso, o Tottenham assistia o jogo. Sem força ofensiva, sem posse de bol, mal passava do meio de campo com a bola nos pés. Era atropelado por um time que babava por vitória. Por goleada. Um time que marcava no campo de ataque, sufocava o rival e voava pelo lado direito.

Num dos raros ataques dos Spurs na segunda etapa, surgiu o quarto do Arsenal. Em um contra-ataque. A arma do inimigo servindo bem. Chutão da defesa para Van Persie, que brigou pela bola, construiu um contra-golpe quase que sozinho e deixou Walcott em ótimas condições de marcar. Ele não perdoou: 4 a 2. O quinto veio logo em sequência, novamente com Walcott, em ótimo lançamento de Sagna. A dupla afinada foi o terror pela ponta-direita, juntamente com Rosicky.

Muito mais do que os três pontos, a ótima virada do Arsenal neste domingo, no Emirates Stadium, renova os ânimos do time. E ameniza o clima de crise nos bastidores. Dá tempo ao tempo. E tranquilidade para Arsène Wenger continuar a desenvolver com calma seu trabalho no time que sempre o acolheu. E que se cuide o Milan, que pode perder por até 3 gols de diferença em Londres, pelas oitavas de finais da Champions League.

13/02/2012 / Boleiragem Tática

Vasco 2 x 1 Fluminense – A péssima arbitragem não tira os méritos do ‘time da virada’

Esquemas dos dois times na primeira etapa: ambos no 4-2-3-1; Vasco com linha ´torta´de armadores; Flu com mais mobilidade e intensidade no meio-campo

Eram raros os torcedores tricolores que conheciam o árbitro Antônio Frederico Schneider antes do clássico contra o Vasco, neste domingo, no Engenhão, pela Taça Guanabara. E serão ainda mais raros os que esquecerem o seu nome depois da derrota de hoje, por 2 a 1. Com uma arbitragem confusa desde o início da partida, o juiz atrapalhou demais o time comandado por Abel Braga – principalmente na segunda etapa -, ao deixar de marcar dois pênaltis, um escanteio clamoroso e expulsar Fred.

Mesmo assim, seria incoerente esquecer de enaltecer o time de Cristóvão Borges, novamente em paz com a torcida. Honrando um dos hits mais conhecidos nas arquibancadas de São Januário, o Vasco lutou bravamente e virou o jogo, com dois gols de Alecsandro, o artilheiro dos clássicos. E, de quebra, praticamente encaminhou sua classificação para as semifinais do primeiro turno do Carioca.

O primeiro tempo foi quase todo do Flu. Sobretudo os primeiros minutos. Com Deco novamente jogando o fino da bola e Thiago Neves querendo jogo, ficou mais fácil do que se esperava. Logo aos 6, em jogada envolvendo os três principais jogadores tricolores do momento, Thiago Neves tabelou com Deco e recebeu na entrada da área. Dali, emendou um belo chute, no canto esquerdo de Fernando Prass. Golaço. O primeiro do camisa 7 na sua volta às Laranjeiras.

O Vasco carecia de criatividade. Com Felipe mais recuado e Bernardo e Chaparro apagados, o meio mal funcionava. Para piorar, Fágner, a grande arma ofensiva do time, era acompanhado por Rafael Sóbis e Diguinho na cobertura. Enquanto isso, o Fluminense marcava na frente – e bem. Com Diguinho desarmando muito e saindo bem pro jogo, o time de Abel sufocava o Vasco. Fernando Prass salvava. Como o chute de Deco, aos 34.

Até que veio o segundo tempo. E a inteligente mudança de Cristóvão: Willian Barbio no lugar do sumido Leandro Chaparro. Resultado: mudança de esquema – 4-2-3-1 para 4-2-2-2 – e um time mais ofensivo e com mais presença de área. Melhor que a alteração, foi a mudança de postura. O Vasco passou a marcar no campo de ataque e pressionar a saída de bola tricolor, até então muito eficaz. O jogo, no entanto, caíra de produção pela chuva e o excesso de faltas. Mesmo assim, ainda era equilibrado.

Aos 14, contudo, um momento-chave. Sagaz, Nílton bateu uma falta rápida no meio de campo, Rodolfo fez belo lançamento, achando Fágner livre da marcação de Carlinhos na ponta-direita. O ótimo lateral cruzou na medida para Alecsandro provar o seu oportunismo: 1 a 1. O Vasco estava mais vivo do que nunca na partida.

Marcando bem e na frente, o Gigante da Colina tinha a partida nas mãos. Ou nos pés de Alecsandro. Mas Diego Cavalieri tratou de operar um milagre, ao salvar a finalização do 9 vascaíno aos 22 da segunda etapa. Aos 33, não houve quem salvasse. Em jogada ensaiada, Alecsandro se antecipou a Edinho e aproveitou o bom escanteio cobrado por Bernardo para virar a partida.

Minutos antes, o árbitro acabara de começar o seu show de horrores contra o Fluminense. Ele ignorou um pênalti claro de Fágner em Carlinhos – na primeira etapa, já havia mandado seguir o jogo em uma penal em cima de Fred, cometido por Dedé. Após o segundo gol vascaíno, já com Rafael Moura no lugar de Diguinho, outro erro clamoroso. Um escanteio visível a olho nu foi ignorado. Por reclamarem, Fred e He-man acabaram amarelados. Em seguida, Fred fez falta boba na entrada da área vascaína e acabou expulso pelo segundo cartão.

A essa altura, o descontrole já tomava conta do time tricolor e do técnico Abel Braga. Edinho também terminou expulso. E o jogo terminou com “olé” vascaíno. Vitória merecida, mas ofuscada pela péssima arbitragem de Antônio Frederico Schneider.

11/02/2012 / Boleiragem Tática

Em grande fase, Rooney é muito importante para o United taticamente

O United de Ferguson com Rooney entre a área e a intermediária: 4-4-1-1.

Em 20 jogos desde a sua estreia como profissional, aos 16 anos, pelo Everton, Rooney só havia marcado 2 gols contra o desde sempre rival Liverpool. Em 3 minutos, o camisa 10 do Manchester United dobrou essa conta, garantiu a vitória no Old Trafford e, de quebra, uma liderança que pode ser provisória sobre o City, que tem um ponto a menos que o rival vermelho e joga amanhã, contra o Aston Villa.

Mas não é só na capacidade técnica de decidir jogos que Rooney prova sua diferença para outros atacantes e sua importância para o Manchester United. Além de garantir meio-gol quando recebe uma bola na entrada da área, o Shrek é muito útil taticamente.

É verdade que Rooney surgiu e chegou a se destacar como um homem de área. A força física e a facilidade absurda para finalizar eram virtudes que o transformavam num camisa 9 daqueles. Mas com o tempo, veio o amadurecimento tático. E o próprio Rooney percebeu que poderia se doar mais, ser mais importante para a equipe com e sem a bola. Surgiu, então, um novo Rooney. Um Rooney que volta para armar e marcar, quase como um antigo ponta de lança, porém mais dedicado sem a posse de bola.

Contra o Liverpool, Rooney não cansou de fazer isso. Com seu preparo físico invejável, por vezes recuava para dar um toque na b0la, se livrar da marcação e voltar para a área tentando uma eventual tabela com os homens que vinham de trás. Por várias vezes, pôde se observar uma linha de três meias: Giggs, pela esquerda, Valência, pela direita, e Rooney pelo meio, tamanho era o recuo do camisa 10. Quase um 4-2-3-1. Mas que, na teoria, e em bons momentos na prática, se desenhava como 4-4-1-1.

Não é de hoje que ele faz isso. Contudo, foi nesta temporada, que esse novo posicionamento de Rooney se tornou mais frequente nos jogos. Tanto é que Kenny Dalglish escalou Spearing entre as linhas do seu 4-1-4-1 justamente para acompanhar o Shrek inglês. Mas não foi suficiente. Numa questão de segundos, Rooney o trazia até o meio-campo e voltava sozinho para a grande área, não só abrindo espaços como se livrando de seu ‘carrapato’.

Assim, ele consegue aumentar o seu leque de opções de jogadas. O fato é que, vindo de trás ou recebendo a bola de costas para o gol, tanto faz. A fase é boa e o cara é craque. Rooney é letal. E o Liverpool sabe bem disso.

04/02/2012 / Boleiragem Tática

Entre os reservas, Abel testa 4-2-3-1 com Thiago Neves

Flu reserva de Abel neste sábado

Abel Braga já lançou mão de uma das alternativas para ter Thiago Neves no time principal. Ainda entre os reservas, o novo camisa 10 tricolor foi o organizador-central do 4-2-3-1 do Fluminense, no empate em 1 a  1 com o Duque de Caxias, neste sábado, em Volta Redonda(RJ). Um pouco fora de forma e atrapalhado pelo forte calor da tarde na Cidade do Aço, o apoiador não foi tão bem como alguns tricolores esperavam, mas mostrou um senso tático interessante.

Sempre que não tinha a bola, Thiago Neves procurava se posicionar para recebê-la. Num pequeno leque de interações com os outros dois meias-atacantes do esquema, os meias-extremos Araújo e Wellington Nem, fugia para a ponta-direita e voltava para o meio, trocando de posição ora com um, ora com o outro. Entre esses dois últimos, as inversões eram ainda mais intensas e constantes, confundindo e indefinindo a marcação da zaga caxiense.

O curioso é que o mais provável era esperar de Abel escalar Thiago Neves aberto pela direita, quase como um segundo-atacante, como ele mesmo gosta de jogar. Mas provavelmente pela falta de opções entre os suplentes para arranjar um meia que pudesse jogar centralizado – já que Souza estava improvisado na lateral-direita e Lanzini não começou o ano bem, e , por isso, novamente ficou no banco. O importante é notar que Thiago Neves não se sentiu perdido em campo.

Além da escalação do camisa 10 centralizado, outra novidade se deu pela improvisação de Souza na lateral-direita e a manutenção e Jean como volante pela direita. Com isso, o técnico tricolor parece deixar claro como pretende utilizar o ex-jogador são-paulino. Jean marcou e jogou bem. Foi, inclusive, um dos melhores do time, assim como Thiago Carletto, que voltou a fazer um golaço e ameaçar Carlinhos no time titular.

Ainda assim, a probabilidade de haver mudanças até a consolidação de um time titular é imensa. Principalmente nos aspectos táticos. O 4-2-3-1, esquema da moda no Brasil e no mundo, não parece atender à demanda do técnico Abel Braga. Isso porque o meio-campo perde muito em combate e marcação, com as peças utilizadas pelo treinador tricolor. Talvez com Deco e Wágner, e  Thiago Neves como segundo atacante, o time perca menos e se equilibre mais. A conferir.

29/01/2012 / Boleiragem Tática

Novato, Andrezinho já é o cérebro do Botafogo de Oswaldo de Oliveira

O Botafogo de Oswaldo: Andrezinho como 'cérebro'

Na linha de três armadores, teoricamente, ele é quem mais se assemelha a um típico camisa 10 do futebol brasileiro. Com ótima visão de jogo e técnica, Andrezinho se movimenta com inteligência pelo campo, chama os volantes para jogar, encosta nos meias, no centroavante e se consolida, aos poucos, como o melhor jogador do time de Oswaldo de Oliveira neste início de temporada. Apesar do pouco tempo de clube, o novo camisa 10 alvinegro já rende ótimos frutos.

Mas nem sempre Andrezinho pôde jogar como sempre quis. O meia-atacante que surgiu no Flamengo chegou a ser improvisado como volante no Internacional. E, de fato, é como articulador-central que ele melhor rende. De preferência, com dois meias ao seu lado e um centroavante mais participativo que Loco Abreu, cada vez mais isolado no 4-2-3-1 de Oswaldo.

Como Maicosuel e Elkeson ainda não conseguem buscar a movimentação ideal entre si neste início de ano, a criatividade fica toda na conta de Andrezinho. Sozinho, ele tenta aparecer nos mais diversos setores do campo, interagir com jogadores diferentes, chamar a responsabilidade da criação, de fato. E Andrezinho ainda consegue tirar uma carta da manga para surpreender os adversários. Ele recua e chama os volantes para jogar. Mais atrás, assim, Andrezinho consegue fazer com que Marcelo Mattos e, principalmente, Renato joguem mais do que marquem.

Dessa forma, surgem mais opções para a tabela, ultrapassagem e etc. Mais alternativas. Mais jogadores para munirem Andrezinho e os outros atacantes de boas oportunidades.

Os laterais também têm importância extrema na criação do meio-campo alvinegro. Ao subirem ao ataque, Lucas e Marcio Azevedo provocam uma mudança de posicionamento nos meias-extremos Elkeson(esquerda) e Maicosuel(direita). Ambos afunilam, e passam a centralizar mais as jogadas, ficando ainda mais próximos de Andrezinho e dos volantes.

28/01/2012 / Boleiragem Tática

Flu ideal de Abel Braga deverá ter Thiago Neves de segundo atacante

Não era só o Internacional campeão do mundo em 2006 que jogava com um losango no meio de campo. Durante toda a sua trajetória como técnico profissional, Abel Braga sempre gostou do esquema tático com um volante plantado, dois meias ou volantes pelos lados e um armador centralizado no setor intermediário. No Fluminense deste ano, não deverá ser diferente. Com um elenco recheado de boas opções para o meio-campo e um brinde especial vindo do Flamengo, é bem provável que o treinador tricolor abra mão de Rafael Sóbis para escalar Thiago Neves como segundo atacante.

Obviamente, as outras formações não estão descartadas. Mas, ao que tudo indica, o Fluminense deve começar o ano ao melhor estilo Abelão: 4-3-1-2 com um losango no meio-campo e um segundo atacante aberto pela direita. Aliás, foi dessa forma que o time melhor rendeu no fim do ano passado. Com Thiago Neves, o treinador ganha uma dor de cabeça a mais: onde escalá-lo?

Thiago Neves jogou 2011 quase que por inteiro como um meia de ligação, ora aberto por um dos lados, ora por dentro. Quase sempre buscando as jogadas centralizadas. Mas no seu melhor momento com a camisa do Fluminense atuou avançado pela ponta-direita, procurando sempre brechas para levar a bola para a perna esquerda. Por isso, pode funcionar bem como um segundo atacante, formando dupla com Fred.

Assim, Wágner não precisa ser recuado e improvisado como um meia-volante pela esquerda, onde nunca jogou. Sempre rendeu bem como um meia-centralizado, um autêntico 10. No Cruzeiro de Adilson Baptista, era o cérebro do time. Quase todas as jogadas passavam por ele. Participativo, o meia chega bem à grande área, tem bom chute, dribla bem…Um organizador completo, que rende muito melhor jogando pelo meio, armando as jogadas.

O fato de estar aberto à direita do ataque não pode tirar a movimentação de Thiago Neves. Como em toda sua carreira, a tendência é de que continua a buscar o meio, para sua perna melhor. Desta forma, pode fazer combinações táticas e jogadas com Wágner e quem quer que venha de trás.

O meio-campo tricolor, neste caso, seria completado por um meia-volante pela direita – provavelmente Diguinho -, um  meia-volante pela esquerda – que pode ser Deco – e um volante-central para proteger melhor os zagueiros – Edinho.

Com o time no seu esquema predileto, Abel pode perder em velocidade na frente com a entrada de Thiago Neves no time, mas ganha em outras muitas frentes. Um time extremamente competitivo para a Libertadores e o Brasileirão.

18/12/2011 / Boleiragem Tática

As influências de Cruyff no time de Guardiola

Guardiola iniciou sua trajetória gloriosa à frente do Barcelona, como técnico, com um time ofensivo. Mas não tão brilhante como o atual. De início, manteve o 4-3-3 de seu antecessor, Frank Rijkaard. Com o tempo, foi moldando o time ao seu modo. Do 4-3-3 clássico culé para o 4-2-3-1, enfim centralizando Messi, que antes não saía da ponta-direita. Hoje, há três temporadas na área técnica do Camp Nou, se baseia em uma de suas maiores inspirações profissionais: o holandês Johan Cruyff, ex-jogador e técnico do time.

A começar pelo 3-4-3 adotado recentemente. O primeiro time a obter sucesso jogando com esse desenho tático foi justamente o Barcelona de Cruyff, o  famoso “Dream Team”, do qual o próprio Guardiola fez parte. O equilíbrio entre as mais diversas zonas do campo encantava todo o mundo. E inspira Guardiola até hoje. Tanto é que, desde que testou o novo esquema tático, não sentiu falta do 4-3-3, o desenho anterior da equipe.

A outra inspiração “cruyffiana” vem da Holanda de 74. Nenhum time do futebol conseguiu se movimentar tanto como os autores do “Futebol Total”. No Barcelona da década de 90, Cruyff tentou reproduzir aquela seleção. Quase conseguiu. Mas faltou planejamento e um material humano melhor, já que as noções de inversões de posição e improvisações não eram bem assimiladas por todos.

Hoje, ao golear o Santos por 4 a 0 e se  sagrar campeão do mundo,  Guardiola conseguiu se aproximar muito daquele estilo de jogo. Nenhum jogador guardava posição fixa do meio para a frente. Na defesa, Puyol ora era lateral-direito, ora terceiro zagueiro. Busquets dependia da posse de bola para se posicionar em campo: com ela, virava primeiro volante, sem ela, zagueiro.

O carrossel catalão que atropelou o Peixe no Japão tem influências históricas importantíssimas. Jogando à base do ‘Futebol Total’ no 3-4-3 é praticamente impossível não relacionar Guardiola a Cruyff.

14/12/2011 / Boleiragem Tática

Kashiwa Reysol 1 x 3 Santos – A qualidade individual e as preocupações do time de Muricy

Neymar e Borges precisaram de menos de 20 minutos para decidir o jogo diante do Kashiwa Reysol, pela semifinal do Mundial Interclubes, em Nagoya, no Japão. Com dois lances geniais culminando em finalizações no ângulo, os atacantes santistas provaram do que é capaz de aprontar um time repleto de talentos individuais. Mas em uma noite em que o coletivo não funcionou muito bem e, por pouco, o Santos não passou por sustos maiores. Para a final de domingo, muito provavelmente contra o Barcelona, que nesta quinta-feira enfrenta o Al-Sadd, do Catar, há muita coisa a ser corrigida por Muricy Ramalho.

A começar pelo lado esquerdo da defesa. A ideia de improvisar Durval como lateral, que surgiu e foi testada na reta final do Brasileirão, é interessante por visar um possível duelo com o time espanhol, que ataca muito pelo lado direito, sobreutdo com Daniel Alves. Mas ainda não deu certo. Sem cacoete de lateral, o zagueiro santista falhou na cobertura, tomou um baile de Sakai e foi um dos piores em campo, justamente ao lado de Elano, o meia-direita do time de Muricy. Foi por lá que o Kashiwa mais aprontou, com Leandro Domingues abrindo o corredor para as ultrapassagens do lateral japonês, o mais perigoso do time de Nelsinho Baptista, e autor do único gol da equipe no jogo.

Outro ponto a ser corrigido é a estratégia inicial do time. Assim como na Libertadores, o time de Muricy começa a partida recuado, fechado, em busca de contra-golpes rápidos com Ganso, Neymar, Borgres e algum volante que suba como elemento surpresa. Melhor para o adversário, que tem campo, tempo e posse de bola para dominar o jogo. Foi assim contra o Cerro Porteño, no Paraguai, contra o Peñarol, e em diversas outras oportunidades. Em todas, deu certo. Mas visando um eventual confronto contra o melhor time do mundo, que tem números exorbitantes de posse de bola, parece suicídio.

E quase deu errado diante do Kashima Reysol. Até Neymar abrir o placar com um golaço com sua assinatura de craque, o time era amplamente dominado. E tinha dificuldades para jogar. Até mesmo pleo nervosismo da estreia e pelo sumiço iminente de Ganso, que, assim como os volantes, não apareciam para o jogo. Tudo mudou aos 15 da primeira. O camisa 10 apareceu para o jogo, achou Neymar livre na ponta-direita e só esperou pela jogada genial do camisa 11. Golaço.

Detalhe para a movimentação da joia santista: da ponta-esquerda, seu habitat inicial no 4-3-1-2 habitual, para a direita, confundindo  marcação japonesa. Na conclusão de perna esquerda, a perfeição incomum a destros. Mas de praxe quando se trata de gênios do futebol.

Mal absorveu o primeiro golpe, a equipe de Nelsinho levou o segundo. Tão crucial quanto o primeiro. Igualmente lindo. Agora foi Arouca, o melhor em campo na opinião deste que vos escreve, quem ganhou a disputa na frente, deixou a bola com Borges. E basta. Centroavante nato, sabe girar em cima de um zagueiro, achar espaço onde não tem e finalizar para o fundo das redes. Borges prefere o ângulo, como Neymar. Outra pintura. 2 a 0 Santos.

O time que funcionava mal no 4-3-1-2, variando para o 4-2-3-1 com as subidas de Elano, agora marcava melhor e jogava mais no campo de ataque. Mais do que isso, tinha a vaga para a final nas mãos. Restava administrar o resultado, segurando mais a bola na frente, protegendo mais o lado mais frágil da defesa e valorizando a posse de bola, bem essencial no futebol.

O início do segundo tempo foi muito bom. O Santos continuava no controle da partida, com Arouca monstruoso na marcação a Leandro Domingues e nas saídas de bola, Danilo aparecendo mais para o jogo como válvula de escape pela direita e Ganso segurando a bola no meio-campo. Muricy conseguiu dar mais volume de jogo ao time, que buscava o terceiro gol como se fosse o primeiro.

Até que veio o susto inicial. Em cobrança de escanteio de Jorge Wágner, Sakai subiu sozinho e diminuiu a vantagem. Havia um jogo. O baque não foi tão grande, mas Muricy achou coerente mexer. Tirou o inoperante Elano para a entrada de Allan Kardec, que fez bom Brasileiro como meio-campista, chegando de trás na área. O time se repaginou no 4-2-2-2 e ganhou mais presença ofensiva. Danilo, que parecia outro jogador na segunda etapa, fez bela jogada pelo meio e sofreu falta que ele mesmo bateu com precisão, sem chances para Sugena: 3 a a 1.

O Santos voltava a ter uma vantagem de dois gols no placar. Ainda mais tranquilo pelo fim de jogo, jogava mais solto. Dribles, passes de efeito e firulas aumentaram. Mas os sustos também. Sempre pela direita, o time hipônico era muito perigoso. Durval não ganhava uma.  Sawa, que entrara no segundo tempo, chegou a desperdiçar uma chance incrível, dentro da pequena área.

O apito final não chegou a ser um apito de alívio. E sim de confirmação. Mesmo assim, é preciso redobrar a atenção para domingo. E consertar os muitos problemas que o time apresentou. Porque Barcelona é Barcelona.

11/12/2011 / Boleiragem Tática

Os segredos do Kashiwa Reysol, primeiro obstáculo do Santos no Mundial

Time-base do Kashiwa: 4-2-2-2, com dois meias abertos, dois laterais ofensivos e dois atacantes.

Para a imensa maioria dos brasileiros, o time do Kashiwa Reysol é absolutamente desconhecido. Pelas duas partidas que jogou no Mundial Interclubes, um time que merece mais elogios do que críticas. Comandado por brasileiros tanto na área técnica – o treinador é Nelsinho Baptista – como dentro de campo – o 10 e melhor jogador do time é o meia Leandro Domingues, ex-Cruzeiro, Fluminense e Vitória -, a equipe busca o ataque sempre que possível.

Aliás, taticamente, o time se parece muito com clubes brasileiros. No 4-2-2-2, tem laterais muito ofensivos, meias abertos pelos lados que entram em diagonal para abrir o corredor, dois volantes marcadores e dois atacantes com características diferentes entre si: enquanto um se movimenta mais, o outro se fixa mais dentro da área.

Contra o Monterrey, na manhã deste domingo, a equipe demorou a entrar bem no jogo. Dominada no primeiro tempo, só assustava com sua jogada tradicional e mais perigosa: Sakai aproveitando o corredor aberto por Leandro Domingues e atacando pelo lado direito. O lateral japonês pretendido pelo Santos para a temporada que vem joga muita bola e é bastante veloz com a bola nos pés. Sem ela, recompõe com rapidez e não compromete na marcação.

No segundo tempo, pôde-se ver mais virtudes do time de Nelsinho, assim como na partida da última quinta-feira, vitória sobre o Auckland City. O Kashiwa passou a valorizar mais a posse de bola, atacar em bloco e pressionar o razoável time mexicano, que sentia falta de um Suárez melhor fisicamente na frente, para auxiliar os meias Delgado e Cardozo na criação e finalização de jogadas. Mesmo sentindo a perna direita, marcou o gol de empate, ao completar a boa jogada de Delgado, sempre pela direita.

Leandro Domingues havia aberto o placar com um golaço de voleio em jogada que começou com lançamento de Sakai. Tudo pelo lado direito, o mais forte do time, ainda que, pela esquerda, com Jorge Wagner cadenciando mais o jogo e Tanaka caindo nas costas do lateral-direito rival, a equipe também levasse perigo.

O empate em 1 a 1 se manteve até a prorrogação. No primeiro tempo extra, só deu Kashiwa Reysol. Com a marcação adiantada, o time japonês mostrou o que tem de melhor. Posse de bola, muitas jogadas pelas laterais e um camisa 10 decisivo nos passes e na movimentação. Ao sair da meia-direita para organizar o time por dentro, Leandro Domingues abria o corredor para o excelente lateral Sakai, acionado com intensidade durante todos os jogos do time. Em menor escala, Jorge Wagner fazia o mesmo pela esquerda.

Curiosamente, Nelsinho só fez uma alteração durante todos os 120 minutos: o atacante Hayashi no lugar do centroavante Kudo. Curiosa, também, é a quantidade de inversões de bola do time. Quando muito marcado por um lado, os meias ou laterais já viram o jogo rapidamente, transferindo o ataque para o outro lado menos marcado. Um senso de inversão de jogo impressionante. E que pode ser fatal contra o Santos. Antes do Barcelona, há um Kashiwa.