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24/03/2017 / Boleiragem Tática

Uruguaio 1 x 4 Brasil – Poder de reação, modelo de jogo e estratégia

 

Na entrevista coletiva após a goleada desta quinta-feira, em Montevidéu, Tite fez questão de exaltar o desempenho e a consciência coletiva da importância do mesmo para a equipe. Mais do que os gols e o placar elástico, o treinador da Seleção e seus comandados ficaram extasiados por terem conseguido, novamente, ter grande desempenho, desta vez fora de casa e depois de sair perdendo no placar.

A felicidade geral se explica: o bom desempenho é fruto da consolidação do modelo de jogo do time, somado ainda às estratégias específicas adotadas em cada partida e o poder de concentração do time. Mesmo depois de tomar um gol em uma falha individual, o time manteve o padrão, o modelo e a estratégia. Sem se abater, soube se impôr e neutralizar os principais trunfos do rival.

Pressing uruguaio e dificuldade de transição

Os primeiros minutos foram complicados para a Seleção. Apesar de esperar um time vertical e com muita força nas bolas longas, o Uruguai atacou muito pelo chão, com intensidade no início de jogo. Sem a bola, o time subia as linhas e pressionava a saída de bola brasileira. Com os laterais errando passes curtos e a pressão alta do adversário funcionando, o Brasil teve dificuldades na primeira fase de transição.

Até levar o gol, o time brasileiro só tinha conseguido uma transição boa: em arrancada de Neymar. Depois que Cavani abriu o placar, o time se achou. Soube retomar a confiança e ter concentração para impor o seu jogo. Aos poucos, as triangulações e o jogo apoiado foram aparecendo. Em noite inspirada, Neymar usava as conduções e dribles em velocidade da esquerda para o centro, em diagonal, para quebrar linhas e criar novas alternativas de passe. Foi, durante boa parte do primeiro tempo, a principal alternativa de jogo do time.

Perde-pressiona

As marcas da Seleção começaram a aparecer aos poucos. Depois de mostrar que não havia sentido o gol e um poder de reação excpecional, o Brasil se impôs. Com jogo apoiado, as transições aconteciam com circulação de bola e boas triangulações. Sem a bola, o perde-pressiona já funcionava bem. Numa dessas, Sánchez foi pressionado ao recuperar a posse e errou o passe. Caiu logo nos pés de Neymar, que partiu da esquerda para o meio e achou Paulinho livre para acertar um chutaço: 1 a 1.

Posse de bola, imposição e movimentação: controle absoluto

Depois do gol de empate, o Brasil assumiu as rédeas da partida. Seguindo à risca o modelo de jogo, circulava bem a bola no campo de ataque, criando triângulos de opções de passe pelos lados e alternando o ritmo de velocidade das jogadas. Na esquerda, ora Marcelo construía por dentro, deixando Neymar aberto para tentar o enfrentamento no mano a mano, ora aberto, com Neymar flutuando por dentro. Do outro lado, Coutinho flutuava mais e aproveitava os espaços entre as linhas da defesa uruguaia. De ambos os lados, opções de tabela , triangulações, jogo apoiado e alternância de ritmo, marcas do time.

Legenda: Os triângulos em ambos os lados, sempre com um apoio extra, para a necessidade de circular a bola até o outro lado e tentar outra jogada.

Com posse de bola e jogo apoiado, o Brasil construiu mais, e ainda assim, infiltrou pouco. Teve Firmino jogando entrelinhas, buscando às costas dos laterais, combinando bem com os meias. Mas pouca infiltração e até profundidade. No último terço do campo, o Uruguai mantinha seu sistema de marcação com encaixes individuais, sofrendo com os dribles dos extremos brasileiros, que várias vezes ficaram no mano a mano com seus marcadores.

urubra2

Os encaixes individuais da marcação uruguaia. Destaque para Coutinho buscando os pequenos espaços entre o lateral e o volante, e Neymar flutuando entrelinhas, com Firmino saindo da área para a ponta-esquerda.

Firmino de pivô, a estrela de Paulinho e a tentativa de mudança de Tabárez

Não demorou para a virada acontecer. Depois de circular a bola da direita para a esquerda, Coutinho fez boa jogada e usou Firmino como pivô. O atacante do Liverpool segurou bem, fez boa finta, girou e finalizou com precisão de esquerda. No rebote, Paulinho, o volante que infiltra e pisa na área adversária que todos clubes queriam ter, virou o jogo.

Como o jogo direto com Rolán por dentro não funcionava, Tabárez mexeu. Abriu o seu segundo atacante pela direita, centralizou Sánchez e tentou transicionar o jogo de forma mais vertical, roubando mais bolas na intermediária defensiva. Não deu muito certo. O Brasil valorizava bem a posse de bola e se movimentava com inteligência.

Bolas longas pros dois lados

Tabárez fez mais duas alterações: Stuani e Abel Hernández em campo. A média de altura do time uruguaio subiu, assim como o número de bolas longas. Quase sempre em diagonal, de uma lateral para a ponta oposta, o time tentava acelerar o jogo e brigar pela segunda bola já mais perto do gol adversário. O Brasil se defendeu bem e, com Fernandinh0 em campo, conseguiu povoar mais o meio de campo e o setor onde caiam a maioria das segundas bolas.

A reação de Tite foi usar a mesma arma. Pedindo uma saída mais rápida desse início de pressão uruguaia e uma ocupação maior do campo de ataque, orientava os defensores a saírem por bola longa para Firmino. Por mais que o atacante da Seleção não seja dos mais altos ou mais fortes, conseguia brigar e atrapalhar os zagueiros uruguaios na disputa. Assim, o time ainda tinha a chance de pegar uma segunda bola no ataque e sair da pressão subindo as linhas com rapidez. Numa dessas ligações diretas, Neymar saiu cara a cara com Martin Silva e fez um golaço de cobertura: 3 a 1.

Jogo decidido, ainda teve espaço para mais um gol do volante Paulinho, aproveitando ótimo cruzamento da direita de Daniel Alves para fechar a goleada e a bela atuação da Seleção.

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