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02/02/2017 / Boleiragem Tática

Análise de jogo – Fla 3 x 0 Macaé: o papel de Mancuello e a ótima organização ofensiva rubro-negra

No papel, a diferença entre Flamengo e Macaé já era grande. Foi a bola rolar para todos perceberem o abismo geral que separa as duas equipes. Fisica e tecnicamente, os jogadores do Flamengo estavam bem acima da média normal das equipes de menor expressão no Rio. Taticamente, o jogo se desenhou da mesma forma. Com o seu habitual 4-2-3-1, Zé Ricardo insistiu com Mancuello aberto à direita, opção que já tinha adotado em alguns jogos de 2015 e na estreia da temporada, a goleada contra o Boavista por 4 a 1. Novamente, escolha acertada.

Canhoto e comprometido taticamente, Mancuello costuma ter boa tomada de decisão com e sem a bola. Com a posse, era peça importante na primeira fase de construção de jogo do Flamengo. Diante de um Macaé retroativo, marcando abaixo da linha do meio-campo, os volantes rubro-negros tinham tempo de sobrar para pensar o jogo e explorar a ótima mobilidade do ataque. E neste cenário, entra o argentino. Movimentando-se da direita para o centro, ele abre o corredor para Pará, em grande fase, jogar. Acompanhado por um jogador mais lento (Romarinho), o lateral-direito costumava receber os passes de Arão, Rômulo e Diego com liberdade para chegar à linha de fundo.

Pivô de Guerrero:

Pelo porte físico e a ótima técnica, Guerrero sabe, como poucos, escorar uma bola vertical vinda da defesa ou fazer a famosa parede de pivô para esperar a compactação ofensiva do time. Contra o Macaé, o peruano fez isso mais de uma vez, facilitando a transição direta defesa-ataque e ajudando na mobilidade do time.

pivoguerrero

Guerrero faz o pivô em passe de Arão. Com Diego recuado, Mancuello vira aprofunda o jogo, abrindo novamente espaço para Pará às costas de Romarinho. À esquerda, Everton é opção de tabela para o peruano e Trauco, espetado, amplia o jogo rubro-negro. Se Guerrero segura a bola, Arão consegue infiltrar, criando mais uma alternativa.

 

Pressão no portador da bola:

Sem a bola, ainda no primeiro tempo, o Flamengo deu show também na transição defensiva. Marcando em blocos médios e baixos, com Diego dando os primeiros combates na saída de bola adversária, os volantes rubro-negros se revezavam entre a pressão no portador da bola e a cobertura para fechar as linhas de passe do portador pelo meio.

No segundo tempo, com um jogador a mais, o Flamengo conseguia pressionar ainda mais o portador da bola, flutuando a zona de marcação de lado para lado, dependendo de onde estivesse a bola.

À esquerda,no primeiro tempo, Macaé faz o seu jogo transicional pelo meio, sempre passando pelos pés do inteligente Zotti (10). Flamengo procurava pressionar o portador da bola e cobrir possíveis passes verticais. Pontas do Macaé tentavam fazer o facão por dentro, mas sem linhas de passe, não receberiam a bola. No frame, Arão e Diego pressionavam a zona da bola, enquanto Rômulo quebrava uma possível linha de passe vertical pelo meio. À direita, já no segundo tempo e com um a mais, a superioridade numérica do Flamengo na marcação ficou ainda mais evidente.

Amplitude e mobilidade:

Com boa parte do segundo tempo com um a mais, Flamengo teve liberdade e espaços de sobra para exercer seu ótimo jogo transicional com mobilidade, profundidade e amplitude.Os dois zagueiros, que são agressivos com a bola e sabem dar passes verticais e fazer bolas longas para mudar o lado do ataque, abriam posicionamento para participarem da primeira fase de construção do ataque junto com os volantes. Arão, quase sempre ele, era quem aprofundava posicionamento como um “terceiro-zagueiro momentâneo”. Assim,  a saída de bola sempre tinha linhas e opções para o primeiro passe.

Do meio pra frente, mobilidade intensa. Éverton combinando bem com Diego, Guerrero e abrindo corredor para Trauco jogar. Do lado direito, Mancuello chamando o jogo por dentro e se aproximando de Guerrero, com Pará voando no corredor. Diego, o principal articulador do time, tentava colocar Rômulo e Arão mais no jogol, recuando para receber o passe de costas e estimulando os dois volantes a infiltrarem.

amplitude

No flagrante acima, Rafa Vaz faz a saída de bola pela esquerda cheio de alternativas para passe. Trauco recua para criar linha, Diego também se aproxima alinhado com Rômulo, criando duas opções de passe simples para o zagueiro. Do outro lado Arão vira terceiro zagueiro, Réver sobe pela direita, empurrando Pará quase como um ponta, com o corredor livre, já que Mancuello fez a diagonal para o meio, se aproximando de Guerrero.A curiosidade da jogada é Éverton, que está quase na ponta direita, tentando confundir ainda mais a marcação em linha do Macaé.

mobilidade

Agora, quem aprofunda posicionamento para buscar primeiro passe é Rômulo, entre os dois zagueiros. Observem, porém, a quantidade de jogadores rubro-negros no campo de ataque. São 7, movimentando-se de forma compacta para receber o passe e tramar combinações diretas à meta adversária.

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