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28/06/2016 / Boleiragem Tática

A aula tática de Conte e o interessante modelo de jogo italiano

Quem viu a vitória da Itália sobre a Bélgica, ainda na primeira fase da Euro-2016, já se encantava com o modelo de jogo preparado e executado por Antonio Conte. Um time extremamente compacto, sobretudo na transição defensiva, marcando por zona e exercendo pressão sobre a bola para recuperar a posse. Com ela, amplitude, profundidade e, acima de tudo, opções de passes, jogadas e triangulações. Futebol absolutamente moderno com traços clássicos, como, por exemplo a utilização de uma referência ofensiva.

Contra a Espanha, na vitória por 1 a 0 nas oitavas de finais da competição, o time comandado pelo ex-treinador da Juventus e futuro técnico do Chelsea, provou, mais uma vez, como pode ser encantador ter um modelo de jogo bem definido. Organizada mais uma vez no 3-5-2, a Azzurra começou a partida pressionando na marcação, tirando a saída de bola da Espanha com pressão na bola e um encaixe perfeito, praticamente tirando Sergio Busquets da transição ofensiva espanhola. E sem Busquets, tal qual o Barcelona, fica muito difícil para a Espanha conseguir propor o jogo e simplesmente JOGAR.

E tome-lhe transição direta, lançamento longo…Com superioridade numérica na defesa pelos três zagueiros e a organização defensiva, a segunda bola normalmente era da Itália.

Nas vezes em que conseguia fazer a transição com linhas de passe e triangulações com sucesso, a Espanha não tinha infiltração. Do meio pra frente, o jogo não fluía, as tabelas não funcionavam e os espaços eram cada vez mais escassos. Mérito da ocupação defensiva italiana e do balanceamento das linhas, sempre focando a pressão no lado onde estava a bola, procurando superioridade numérica e quebra das linhas de passes. Silva, por vezes, tentava jogar entre as linhas, como Messi fazia no Barcelona de Guardiola, mas sem sucesso.

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Em ambas as situações, é fácil perceber a superioridade numérica dos italianos e a pressão na bola. Na primeira imagem, Silva se desloca para buscar espaço, mas é rapidamente pressionado. Na segunda, Iniesta vira o jogo para tentar sair da pressão, e ela já volta logo em seguida. Quando a jogada muda o lado, a marcação italiana se desloca rapidamente, impedindo novos espaços para os espanhois triangularem e acelerarem o jogo.

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Com a bola, organização ofensiva na transição italiana. Os volantes e zagueiros com a missão de pensar o jogo e tomar a melhor decisão para o passe ou lançamento. Perceba, agora, a quantidade de opção que De Rossi tem. Laterais afundados no campo de ataque, dando mais amplitude para o time. Parolo sobe para jogar nas costas dos volantes espanhois. E Pellé, como referência, segura um zagueiro e, ao mesmo tempo, dá profundidade para a transição do time inteiro.

A importância da referência ofensiva:

Pellé está longe de ser craque. Mas tem porte de centroavante e inteligência. Sabe, como poucos, fazer a famosa parede, segurar a bola e facilitar a transição do time todo.Quando ele é acionado como pivô, os alas ganham tempo para subir e servir como opção pelas pontas. Éder recebe normalmente espaço para ganhar bolas escoradas e os volantes podem infiltrar com mais facilidade. Na jogada do frame acima, Pellé escora para Éder, que abre o jogo com De Sciglio livre na ponta para cruzar. Quase sai o gol. Na falta que originou o gol de Chiellini, é o mesmo Pellé fazendo o pivô, esperando o time “subir” e sofrendo a falta de Sergio Ramos.

Além disso, em jogos contra times que alternam a pressão na marcação, a figura de uma referência ofensiva que possa ganhar bolas no alto e segurar a transição é fundamental. A Espanha, por exemplo, marcou pressão alta durante várias partes do jogo, obrigando, muitas vezes, os italianos a fazerem bolas longas. Em grande parte delas, Pellé ganhou dos zagueiros. Ele é parte de um modelo de jogo que vem sendo treinado, aperfeiçoado. Isso é parte fundamental de todo o contexto.

Como os espanhois melhoraram no segundo tempo:

Sem espaços para trocar passes efetivos no campo de ataque e com o tempo se esgotando, a paciência foi acabando na hora de ficar girando o jogo o tempo inteiro para os espanhois. Alba tentava ganhar amplitude, forçando subidas e entradas em diagonais nas costas de Bonucci.Mas as melhores jogadas saíram por triangulações com passes rápidos no meio. Iniesta deixou Aduriz em ótimas condições de marcar no fim do jogo. A melhor forma de sair da pressão, é com tabelas rápida e passes de primeira. Para isso, é fácil adivinhar a necessidade de jogadores rápido e extremamente técnicos. Mas nem assim funcionou. Palmas para a Itália, que soube neutralizar uma das equipes que melhor sabe propor o jogo no futebol mundial sendo extremamente aplicada em seu modelo de jogo.

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