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26/04/2012 / Boleiragem Tática

Athletic Bilbao 3 x 1 Sporting Lisboa – Primeiro tempo à la Bielsa e show de Llorente garantem sensação espanhola na final da Liga Europa

Marcelo Bielsa costuma dizer que prefere ganhar um jogo com todo o time do que com um só jogador. De fato, o treinador argentino do Athletic Bilbao é um grande adepto da organização coletiva no futebol. Seus times atacam e defendem de forma elaborada e planejada. Nesta quinta, porém, por mais que tivesse feito um primeiro tempo brilhante e administrado o resultado na maior parte do segundo, precisou depender de um jogador específico.

Se não fosse pela capacidade de decisão de Fernando Llorente, talvez a cidade de Bilbao não estivesse em festa pela classificação histórica do clube à final da Liga Europa. Inteligente, eficiente e oportunista, o camisa 9 foi o dono do jogo: deu duas assistências e fez o terceiro na vitória do seu Athletic sobre o Sporting Lisboa, por 3 a 1, pelo jogo de volta das semis da Liga Europa.

Ainda assim, é dever dos críticos exaltar a bela atuação do time na primeira etapa, resumo perfeito da participação da equipe e da filosofia de jogo de Marcelo Bielsa em toda a temporada. Intenso, tático, veloz, ofensivo, o Bilbao parece um rolo compressor quando tem a bola. Num esquema que varia o tempo inteiro, com movimentações constantes dos jogadores, o time sobra e controla a maior parte do jogo no campo de ataque.

3-1-3-3 basco x 4-1-4-1 lisboeta. Tônica do primeiro tempo. Atenção para o posicionamento de Iturraspe, como primeiro volante, mas aprofundando para receber a bola ou para acompanhar Matías Fernández. Por vezes, fez a cobertura de Iraola.

Contra o 4-1-4-1 do Sporting Lisboa, Bielsa mandou a campo um 4-2-3-1 que, na prática, mais se parecia com um 3-1-3-3. Sem Oscar de Marcos, voltou a dar uma oportunidade para o driblador Ibai Gómez, autor de um dos gols e da jogada do terceiro. Como se percebe, deu certo. Mas só funcionou porque Iturraspe e Ander Herrera estiveram imensos dentro de campo. O primeiro, como volante entre as linhas, recuando para receber o primeiro passe – como faz Busquets, no Barcelona – e cercando o meia-organizador rival. Iturraspe desempenhou a função que coube, durante toda a temporada, a Javi Martínez.

 

O segundo, mais como meia do que como volante. Marcando o segundo volante rival, e saindo pro jogo às suas costas, se aproximando de Muniaín, Gómez e, mais raramente, de Susaeta. De fato, Ander Herrera era o De Marcos de hoje. Mas com mais disposição. Ganhando todas as divididas, dava piques incríveis para recuperar bolas e reorganizar o ataque. Foi um monstro no meio-campo. E um dos protetores da defesa que voltou a falhar pelo alto.

Javi Martínez e Amorebieta foram bem pelo chão. Anteciparam e desarmaram demais. Todaiva, em escanteios, pareciam nervosos e inseguros. E foi justamente num deles, que os portugueses empataram o jogo, ainda no primeiro tempo. No entanto, o que era pra ser um balde de água fria na pretensão e na intensidade dos bascos, não se passou de um rápido susto. No minuto seguinte, a bola chegou a Llorente, que tirou dois defensores e deixou Gómez na cara do gol: 2 a 1 Bilbao.

O Sporting conseguia chegar ao ataque, mas não conseguia criar boas chances de gol. Com a marcação adiantada, pressionava a ótima saída de bola da zaga basca na tentativa de roubar a bola mais perto do gol. Na maioria das vezes, em vão. Pela esquerda, crescia com Diego Capel jogando às costas de Iraola, mas quase sempre com a cobertura de Iturraspe, que saía da marcação de Matías Fernández – sumido do jogo -, para pegar Capel. E dificultar ainda mais a criação do Sporting.

No intervalo, o técncico português Ricardo Sá Pinto trocou Fernández, que voltou a sentir a lesão muscular, por Carriço, zagueiro que jogou improvisado na cabeça de área. André Martins foi adiantado como meia-central e Schaars virou segundo volante. O 4-1-4-1 lisboeta se transformava num 4-2-3-1.

Até que o time melhorou. Mas muito em função do relaxamento do Athletic de Bilbao, que não tinha mais forças para impor o ritmo do primeiro tempo e de boa parte da temporada, passando a viver da ligação direta para Llorente e de raras triangulações envolvendo Muniaín, Herrera, Susaeta e Gómez. O jogo caiu de produção e passou a depender mais do estado físico dos times do que de técnica e tática.

O Sporting foi para a segunda alteração. Saiu Bruno Pereirinha, o apagado meia-extremo da direita, para a entrada de Jeffrén. Seis por meia dúzia, e pouca coisa mudou. Bielsa não mexia. Parecia estar certo de que o time reagiria no fim, ou esperaria tranquilamente a prorrogação.

Estava certo. Aos 43, a bola chegou na ponta-esquerda. Ibai Gómez fez o que melhor sabe: driblou e cruzou. Dentro da área, estava o dono da noite. Fernando Llorente deixava o seu. O gol que vale por 35 anos nem foi tão bonito assim, mas tem uma importância histórica quase do tamanho de Llorente.ilb

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