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14/12/2011 / Boleiragem Tática

Kashiwa Reysol 1 x 3 Santos – A qualidade individual e as preocupações do time de Muricy

Neymar e Borges precisaram de menos de 20 minutos para decidir o jogo diante do Kashiwa Reysol, pela semifinal do Mundial Interclubes, em Nagoya, no Japão. Com dois lances geniais culminando em finalizações no ângulo, os atacantes santistas provaram do que é capaz de aprontar um time repleto de talentos individuais. Mas em uma noite em que o coletivo não funcionou muito bem e, por pouco, o Santos não passou por sustos maiores. Para a final de domingo, muito provavelmente contra o Barcelona, que nesta quinta-feira enfrenta o Al-Sadd, do Catar, há muita coisa a ser corrigida por Muricy Ramalho.

A começar pelo lado esquerdo da defesa. A ideia de improvisar Durval como lateral, que surgiu e foi testada na reta final do Brasileirão, é interessante por visar um possível duelo com o time espanhol, que ataca muito pelo lado direito, sobreutdo com Daniel Alves. Mas ainda não deu certo. Sem cacoete de lateral, o zagueiro santista falhou na cobertura, tomou um baile de Sakai e foi um dos piores em campo, justamente ao lado de Elano, o meia-direita do time de Muricy. Foi por lá que o Kashiwa mais aprontou, com Leandro Domingues abrindo o corredor para as ultrapassagens do lateral japonês, o mais perigoso do time de Nelsinho Baptista, e autor do único gol da equipe no jogo.

Outro ponto a ser corrigido é a estratégia inicial do time. Assim como na Libertadores, o time de Muricy começa a partida recuado, fechado, em busca de contra-golpes rápidos com Ganso, Neymar, Borgres e algum volante que suba como elemento surpresa. Melhor para o adversário, que tem campo, tempo e posse de bola para dominar o jogo. Foi assim contra o Cerro Porteño, no Paraguai, contra o Peñarol, e em diversas outras oportunidades. Em todas, deu certo. Mas visando um eventual confronto contra o melhor time do mundo, que tem números exorbitantes de posse de bola, parece suicídio.

E quase deu errado diante do Kashima Reysol. Até Neymar abrir o placar com um golaço com sua assinatura de craque, o time era amplamente dominado. E tinha dificuldades para jogar. Até mesmo pleo nervosismo da estreia e pelo sumiço iminente de Ganso, que, assim como os volantes, não apareciam para o jogo. Tudo mudou aos 15 da primeira. O camisa 10 apareceu para o jogo, achou Neymar livre na ponta-direita e só esperou pela jogada genial do camisa 11. Golaço.

Detalhe para a movimentação da joia santista: da ponta-esquerda, seu habitat inicial no 4-3-1-2 habitual, para a direita, confundindo  marcação japonesa. Na conclusão de perna esquerda, a perfeição incomum a destros. Mas de praxe quando se trata de gênios do futebol.

Mal absorveu o primeiro golpe, a equipe de Nelsinho levou o segundo. Tão crucial quanto o primeiro. Igualmente lindo. Agora foi Arouca, o melhor em campo na opinião deste que vos escreve, quem ganhou a disputa na frente, deixou a bola com Borges. E basta. Centroavante nato, sabe girar em cima de um zagueiro, achar espaço onde não tem e finalizar para o fundo das redes. Borges prefere o ângulo, como Neymar. Outra pintura. 2 a 0 Santos.

O time que funcionava mal no 4-3-1-2, variando para o 4-2-3-1 com as subidas de Elano, agora marcava melhor e jogava mais no campo de ataque. Mais do que isso, tinha a vaga para a final nas mãos. Restava administrar o resultado, segurando mais a bola na frente, protegendo mais o lado mais frágil da defesa e valorizando a posse de bola, bem essencial no futebol.

O início do segundo tempo foi muito bom. O Santos continuava no controle da partida, com Arouca monstruoso na marcação a Leandro Domingues e nas saídas de bola, Danilo aparecendo mais para o jogo como válvula de escape pela direita e Ganso segurando a bola no meio-campo. Muricy conseguiu dar mais volume de jogo ao time, que buscava o terceiro gol como se fosse o primeiro.

Até que veio o susto inicial. Em cobrança de escanteio de Jorge Wágner, Sakai subiu sozinho e diminuiu a vantagem. Havia um jogo. O baque não foi tão grande, mas Muricy achou coerente mexer. Tirou o inoperante Elano para a entrada de Allan Kardec, que fez bom Brasileiro como meio-campista, chegando de trás na área. O time se repaginou no 4-2-2-2 e ganhou mais presença ofensiva. Danilo, que parecia outro jogador na segunda etapa, fez bela jogada pelo meio e sofreu falta que ele mesmo bateu com precisão, sem chances para Sugena: 3 a a 1.

O Santos voltava a ter uma vantagem de dois gols no placar. Ainda mais tranquilo pelo fim de jogo, jogava mais solto. Dribles, passes de efeito e firulas aumentaram. Mas os sustos também. Sempre pela direita, o time hipônico era muito perigoso. Durval não ganhava uma.  Sawa, que entrara no segundo tempo, chegou a desperdiçar uma chance incrível, dentro da pequena área.

O apito final não chegou a ser um apito de alívio. E sim de confirmação. Mesmo assim, é preciso redobrar a atenção para domingo. E consertar os muitos problemas que o time apresentou. Porque Barcelona é Barcelona.

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