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20/11/2011 / Boleiragem Tática

Chelsea 1 x 2 Liverpool – A vitória da estratégia de Kenny Dalglish

Kenny Dalglish podia ter escalado Andy Carrol ao lado de Suárez, puxado Bellamy para o meio de campo, lançado o time ao ataque, contra o Chelsea, em Stamford Bridge. Provavelmente, travaria um duelo muito perigoso e aberto contra o inteligente André Villas-Boas. Mas não. O ídolo dos Reds preferiu a cautela à ousadia. Procurando armar um time mais equilibrado, deixou Carrol no banco de reservas e pôs Bellamy flutuando entre o meio e o ataque, como um autêntico segundo atacante. Na prática, um 4-4-2 mais defensivo, à procura de contra-ataques para decidir o jogo. Deu muito certo.

A estratégia do mito do Anfield Road correu riscos enormes de não obter sucesso. Sobretudo na primeira metade do primeiro tempo e em boa parte da etapa final, quando os Blues dominavam o jogo à base da posse de bola e da ocupação do campo de ataque. Mas os momentos de controle do Liverpool foram mais decisivos. Com Charlie Adam monstruoso à frente da zaga, o time marcava muito no meio de campo e saía com muita velocidade nos contra-golpes com Bellamy, Kuyt, Maxi Rodríguez e Suárez.

É verdade que os Reds demoraram a entrar no jogo. Antes confusos na marcação sobre o ataque aberto do Chelsea, Lucas e Adam bateram cabeça em boa parte do primeiro tempo. Assim que descobriram a chave do sucesso na roubada de bola no campo de ataque, ganharam o meio de campo e, menos diretamente, o jogo. É incrível como o time vermelho é forte na marcação sob pressão no campo de ataque. Diante de uma zaga que vem falhando muito na saída de bola, não tinha como esse tipo de combate dar errado.

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Foi assim que, aos 33, o cada vez mais inconstante Petr Cech saiu jogando errado, Bellamy pressionou Mikel, roubou a bola e, já no campo de ataque, tramou ótima triangulação com Suárez, antes da bola sobrar limpa para Maxi Rodríguez. O argentino bateu no meio do gol, mas o goleiro tcheco já tinha caído: 1 a 0 Liverpool. O gol deu tranqüilidade ao time de Kenny Dalglish,que passou a jogar ainda mais fechado, no mesmo 4-4-2, sempre à procura dos contra-golpes.

Para a segunda etapa, Villas-Boas resolveu mexer. Tentou, assim como havia sido contra o Manchester, ganhar o jogo do banco de reservas. Tirou o vaiado Obi Mikel para a entrada do jovem Daniel Sturridge. O garoto canhoto fez o time abandonar o 4-3-3 para o 4-2-3-1, com ele, Mata e Malouda fazendo a ligação entre os volantes e o atacante Didier Drogba. Além da maior mobilidade, o time passou a atacar não só pelas laterais mas também pelo meio. O esquema tático funcionava bem, e o Chelsea voltava a dominar o jogo.

Aos 9 da segunda etapa, Malouda invadiu a área pela esquerda e bateu cruzado. Aproveitando deslize do lateral José Enrique, Sturridge apareceu sozinho e, de carrinho, completou para o gol. O empate azul pôs fogo no jogo e assustou os Reds. O Chelsea voltava a ter os comandos da partida, pressionando o Liverpool no seu campo de defesa, com posse de bola e, agora, movimentação no esquema novo.

Mesmo assim, a bola não entrava. Retrancado, o Liverpool se remodelou no 4-1-4-1, com Lucas à beira da zaga, Henderson formando dupla de volantes com Adam e Suárez isolado na frente. Com o Chelsea intenso no jogo, os contra-ataques eram raridade. O plano de Dalglish começava a dar sinais de falhas. E os Blues atacavam, pressionavam, mas o gol não saía. Foi quando Villas-Boas colocou Fernando Torres e Raúl Meirelles, nos lugares de Drogba e Ramires, respectivamente.

 

As alterações não mexeram na estrutura tática da equipe, mas tiraram o poder de marcação que Ramires conferia ao meio-campo. Com Meirelles e Lampard, André tinha uma dupla de volantes muito dinâmica, mas também ofensiva. O Chelsea se lançavam à frente à procura do gol da virada. E deixava espaços atrás. Sem a cobertura dos volantes, que, agora, jogavam mais do que marcavam, os laterais poderia ficar sobrecarregados. Exatamente o que aconteceu.

Aos  41, o Charlie Adam viu Johnson se projetando pela direita e acertou um baita lançamento. O camisa 2 dos Reds dominou bonito, arrancou em direção à área sem a marcação de Malouda, fugiu da marcação de Ashley Cole, antes de bater sem chances para Cech.  O Liverpool que só marcava, agora saía para o jogo. E pela direita, com seu lateral-direito sem marcação. A cobertura que teria que sair de um dos volantes, não aconteceu. Pois tanto Meirelles como Lampard estavam preocupados em jogar. Mais uma jogada de velocidade na transição defesa-ataque. E a estratégia de Dalglish deu certo.

O Chelsea tinha no seu banco de reserva um estrategista profissional. Um jovem técnico que sabe como poucos ganhar um jogo do banco de reservas. Mas o Liverpool tem muito mais do que isso no seu banco. Tem a lenda Kenny Dalglish, maior jogador da história e a caminho de ser o melhor técnico da história do clube. O homem que nunca perdeu para o Chelsea. Em 12 jogos, 9 vitórias e só 2 empates. 

 

 

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