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12/11/2011 / Boleiragem Tática

Fluminense 1 x 2 América-MG – Os equívocos de Abel, as falhas individuais e a tranquilidade do ex-lanterna

Abel Braga não teve Deco, nem Carlinhos para encarar um lanterna embalado por uma vitória sobre o líder do campeonato. Com Fred de volta, optou por não mexer muito na estrutura da equipe: manteve Lanzini na criação de jogadas e deu a primeira chance a Jefferson, que, na teoria, é o reserva imediato de Carlinhos.  4-2-2-2  que era para ser uma escalação simples e cautelosa, sem muita invenção, acabou se transformando numa das grandes razões para uma derrota surpreendente. A calma que faltava ao Fluminense e sobrava ao América-MG praticamente decidiu o jogo.

A exemplo do que fizera contra o Corinthians, na rodada passada, Givanildo Oliveira deu tranquilidade de sobra para seus comandados. A consequência foi um time organizado na defesa e no ataque. No 3-4-1-2 habitual da equipe – que, por sinal, é a única que joga com regularidade com três zagueiros na Série A -, o Coelho adiantou a marcação e jogou quase que o primeiro tempo inteiro no campo de ataque. Com posse de bola, dominou o Fluminense e só  parou em ótima atuação de Diego Cavalieri. Entre defesas incríveis, o goleiro tricolor pegou um pênalti polêmico batido por Fábio Júnior.

O início do jogo: Flu no 4-2-2-2, América no 3-4-1-2.

Mas o arqueiro do Fluminense não teve segurança suficiente para sair nos pés de Kempes, que entrou sozinho pela direita, aos 38. O gol do América Mineiro representa bem as falhas do setor defensivo tricolor na primeira etapa, sobretudo pelo lado esquerdo. O lateral estreante Jefferson errava de tudo e cansava de tomar bolas nas costas. Para piorar, Edinho e Valência batiam cabeça e não o cobriam. O primeiro não sabia se era terceiro-zagueiro pela direita ou primeiro volante. A marcação indefinia a todo momento.

Se não bastassem os problemas na defesa, o meio de campo tricolor também não funcionava. Sem Deco, a criatividade inexiste. Ainda mais quando o garoto Lanzini não aparece para o jogo, o que acontece frequentemente desde o Fla-Flu decidido por Darío Bottinelli. O outro meia, Marquinho, corria muito e pensava pouco, afobado demais. Na frente, Sóbis se mexia pouco com a bola, principalmente pelo esgotamento físico causado pelas ordens de Abel para voltar e ajudar na marcação. Fred sequer recebia bolas.

Problemas demais para um time que mirava a liderança do campeonato. Melhor para o tranquilo América, que tinha paciência para trabalhar a bola no campo de ataque e cautela na defesa. O ponto negativo foi Fábio Júnior, que perdeu pênalti, gol na cara e errou passes e dribles em uma escala impressionante. Em um Engenhão lotado e contra o lanterna da competição, esperava-se mais do Fluminense.

No intervalo, Abel Braga resolveu parte das vaias da torcida, que pedia mudanças na equipe. Mas criou outras. Não adiantava mexer mal. Depois de acertar na troca de Valência por Diguinho, que melhorou a saída de bola e o combate na frente da defesa, funcionando até mesmo como um armador, inventou Araújo no lugar de Lanzini. E manteve Jefferson tomando sufoco na lateral.

A ideia era abrir uma atacante por cada lado(Araújo na esquerda, Sóbis na direita) e forçar Diguinho a organizar o jogo por dentro com Marquinho. Deu errado. Até pelo fato dos atacantes não entenderem a proposta de Abel e insistirem em jogar pelo meio, afunilando o jogo. Sem jogadas pelas laterais e com o time embolado no meio, sobravam oportunidades para o América contra-atacar.

A torcida voltou a vaiar. Desta vez, as reclamações vinham acompanhadas com os pedidos pela entrada do atacante Rafael Moura. Abel atendeu-os aos 20. E, enfim, resolveu tirar Jefferson. Puxou Marquinho para a lateral e viu seu meio-campo desaparecer. Sobrou, então, para Sóbis e Araújo as funções de criadores da equipe. Inútil. O pesadelo ganhou proporções ainda maiores: em jogada trabalhada novamente pelo lado direito, o ótimo ala Marcos Rocha achou Alessandro dentro da área, que concluiu com oportunismo, ampliando a vantagem.

O fim da partida: Flu já nervoso e desorganizado, América esperando o apito final.

O último suspiro de um time que se mostrou apático na maior parte do jogo, enterrado por mexidas ruins de seu técnico, surgiu logo em seguida. Na base do abafa, Marquinho enfim entendeu a ideia de Abel nas jogadas pelas pontas, visando o cruzamento , e cruzou para Rafael Moura concluir. Depois de uma tentativa fracassada, na segunda o He-Man diminuiu a vantagem. As esperanças de uma virada estavam vivas.

Mas só o perfil guerreiro não basta para um time vencer jogos no Campeonato Brasileiro. É preciso ter um mínimo senso de organização e equilíbrio em todos os setores do campo. Coisa que o Fluminense esteve longe de ter, justamente ao contrário do América Mineiro, cada vez mais esperançoso na luta contra o rebaixamento.

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