Skip to content
18/08/2011 / Boleiragem Tática

Mundial Sub-20: Brasil 2 x 0 México – As substituições de ouro de Ney Franco

Depois de passar por um adversário que primava pelo ataque, com um futebol solto e ofensivo, a Seleção se deparou com um México muito bem montado e organizado no 3-4-3. Um México que marcava forte, sem dar espaços para Oscar e Philippe Coutinho. Um México que, sem a bola, tinha dois volantes protegendo a trinca de zaga.  E, com ela, saindo muito rápido com os alas se juntando à trinca de atacantes.

Por isso, o Brasil teve tanta dificuldade para bater um dos melhores times da Copa do Mundo sub-20. Com dois gols de oportunismo do ótimo garoto Henrique, o 2 a 0 acabou sendo um ótimo resultado para preparar o time para a grande final, no sábado, contra Portugal, que bateu a França pelo mesmo placar.

Um time que se formou e se achou durante a competição. Mas que ainda é muito dependente das mexidas de Ney Franco em jogos mais complicados, truncados. Como o desta quarta. Que só foi resolvido no final da segunda etapa, após Ney Franco fazer três alterações no time – todas elas fundamentais para a vitória.

Depois de colocar Negueba no lugar de Willian, inoperante na maior parte do jogo, até mesmo pela ótima marcação dos zagueiros mexicanos, Ney não viu o time crescer de produção. E mexeu de novo. Dessa vez, uma dupla substituição: Allan e Dudu nos lugares de Gabriel Silva e Coutinho. Allan foi fazer a lateral, empurrando Danilo para a cabeça de área; Dudu se juntou a Oscar e Negueba, formando uma linha de 3 armadores; e Casemiro virou quarto-zagueiro, deslocando Juan para a lateral-esquerda.

O time ganhou fôlego para atacar pelos dois lados, com dois laterais mais descansados. Ganhou, também, poder de marcação, tanto pelo alto, como pleo chão, com Casemiro na zaga. Danilo na cabeça de área melhorou a qualidade da saída de bola e deu mais opção de criação ofensiva para o time, um dos grandes dilemas de Ney durante toda a partida. E o Brasil cresceu num 4-2-3-1 de transição ofensiva muito rápida pelas pontas, com os ágeis Dudu e Negueba.

Justamente o que não tinha em todo o primeiro tempo e boa parte do segundo, quando os laterais, bem travados pelos alas mexicanos, mal subiam ao ataque, deixando de oferecer ótima opção de suporte para a armação de jogadas. Com Oscar bem acompanhado e tendo que voltar para levar o time à frente, Coutinho se viu solitário na armação das jogadas. E não pôde render o esperado.

Primeiro tempo: Brasil no 4-2-2-2; México no 3-4-3

Outro grande problema da equipe na primeira metade do jogo foi Casemiro. O volante são-paulino, peça-chave do 4-2-2-2 elaborado por Ney Franco, não conseguiu ser a válvula de escape do time frente à boa marcação do compacto time mexicano. Pra piorar, com Fernando tendo que lidar com um dos três atacantes, ficou sozinho na marcação aos volantes, que carregavam a bola com liberdade, já que nem sempre Oscar conseguia voltar com tanta rapidez.

No intervalo, Ney Franco tentou consertar esse problema. Para isso, aprofundou o posicionamento de Casemiro, que passou a desempenhar o famoso papel do “falso terceiro zagueiro”. Não deu certo. Os mexicanos continuaram atacando com rapidez e em bloco, dificultando a marcação brasileira. Se não fosse Gabriel em dois lances, o resultado teria sido outro já no início da segunda etapa.

Até que Ney Franco resolveu mexer. Primeiro com Negueba. A idéia inicial era abrir o rubro-negro pelo lado direito, tentando desmontar a trinca de zaga mexicana, acabando, assim, com a sobra. Mas a bola não chegava. E o Brasil vivia o seu pior momento no jogo, com Fernando perdido entre o meio e a defesa, e Oscar e Coutinho tendo que voltar para tentar recuperar a posse de bola.

Somente quando Dudu e Allan entraram que o time se acertou. E cresceu muito de produção. A velocidade que Danilo deu à saída de bola, aliada à velocidade que Dudu e Negueba conferiram à transição meio-ataque, tornou-se uma arma irresistível para o time brasileiro. E o gol não demorou a sair. Justamente pela direita. Com Negueba cruzando e o melhor centroavante do Mundial escorando de cabeça: 1 a o Brasil, Henrique.

O Brasil que terminou o jogo: 4-2-3-1, com várias alterações táticas: Danilo na cabeça de área, Casemiro na zaga, Juan na lateral-esquerda e Dudu e Negueba se movimentando pelas pontas.

Com o gol, a equipe teve mais tranqüilidade para pensar o jogo, acertar a marcação e ainda mais espaços para contra-atacar. Como na jogada que saiu dos pés de Danilo, agora como volante. Passe preciso, no pé do veloz Dudu, que, pela direita, deu um toque na bola, suficiente para chegar até o pé direito de Henrique. Ele não perdoou de novo. Brasil na final. Méritos de Henrique. Méritos de Dudu. Méritos de um time que ganha na bola. Méritos de um baita treinador, que sabe como mudar um jogo sem queimar seus garotos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: