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05/07/2011 / Boleiragem Tática

Uruguai 1 x 1 Peru – A importância do ‘volante-misto’ de Tabárez e a surpreendente organização peruana

Pela terceira vez nesta Copa América, o favorito tropeçou na zebra. Sensação da Copa da África e esperança de bom futebol na Argentina, a seleção uruguaia não fez boa partida. Em grande parte devido a inoperância de Nicolas Lodeiro, surpresa da escalação de Óscar Tabárez, e grande razão da falta de criatividade da equipe no duelo. Por outro lado, surpreendente foi a organização do time de Markarián, técnico uruguaio da seleção peruana, que demonstrou ser um time com um senso de organização acima da média para as seleções de seu patamar internacional.

Ao contrário dos empates anteriores da competição, porém, o jogo que abriu a rodada desta segunda-feira, pelo grupo C, foi de boa qualidade. Ainda que com algumas oscilações no ritmo da partida, as duas equipes buscaram o gol, criando boas jogadas sem abrir mão do equilíbrio tático.

Primeiro tempo: O Uruguai no 4-3-3, com seus atacantes trocando constantemente de posição, mas com o meio de campo inperante; Peru fechado no 4-1-4-1, explorando os contra-golpes.

Para quem esperava um Uruguai insinuante, um choque logo no início. Lento, com o meio de campo pouco participativo nas ações ofensivas, o 4-3-3 de Tabárez não funcionava. E o time apelava para a ligação direta, os lançamentos longos, buscando o tridente ofensivo formado por Suárez, Forlán e Cavani, que se movimentavam e trocavam com freqüência de posição entre si.

Mesmo assim, a Celeste se postava no campo de ataque. Graças à cautela excessiva do time peruano nos primeiros minutos do jogo. No 4-1-4-1 prometido por Markarián, a segunda linha de 4 não adiantava o posicionamento, “sufocando” o time na defesa. Guerrero, isolado, tentava brigar sozinho pela bola contra os zagueiros celestes.

Até que a consistência defensiva e o contra-ataque, grandes virtudes peruanas, entraram ação. Após recuperar a bola na defesa em meio à pressão uruguaia, Cruzado fez belo lançamento em direção a Guerrero, que se aproveitou da falha da linha de impedimento da zaga uruguaia para invadir a área, driblar Muslera e abrir o placar. Jogada típica de um time organizado, com plano de jogo bem definido e executado.

O Uruguai, agora, mais do que nunca, precisava da criação por dentro. Precisava de um meio-campo minimamente criativo e participativo. Com Forlán muito bem marcado, Cavani e Suárez buscando os flancos e sendo acompanhados pelos laterais rivais, a Celeste Olímpica sentia falta de Lodeiro, o terceiro homem de meio uruguaio. E, enquanto o jovem meia não entrava no jogo, sem subir ao ataque e dar opção para os laterais e Forlán, os principais criadores do time até então, apelava-se para os lançamentos longos. Inúteis como Lodeiro.

Com a marcação dos cinco homens de meio peruanos bem encaixada no ataque celeste, o jogo ficava ainda mais difícil para os então favoritos. Até que, enfim, o tão fundamental ‘volante-misto’ de Tabárez – apelido que se dá na América do Sul para a função desempenhada por Lodeiro – apareceu para o jogo. Entre as linhas que separam a defesa do meio peruano, Lodeiro recebeu passe de Cáceres e, com um toque inteligente, deixou Suárez na cara do gol. O artilheiro não perdoou e empatou o jogo no último lance da primeira etapa.

Mais do que essencial para o último passe quando Forlán está marcado, Lodeiro servia para desencaixar a marcação peruana, obrigando um dos volantes a sair de seu marcador para acompanhá-lo. Ademais, sem ele ativo, percebia-se uma lacuna entre os volantes e os atacantes. Um buraco que precisava de preenchimento. E Tabárez sabia disso. Por isso o manteve em campo mesmo após primeiro tempo bastante apagado.

O gol serviu de motivação para os uruguaios, que logo no primeiro lance da segunda etapa assustaram Fernández. Era a primeira de algumas boas jogadas celestes nos primeiros minutos da segunda metade de jogo. Esbanjando velocidade na transição, com passes rápidos e muita movimentação, o time parecia ter encontrado o caminho certo para desmantelar a zaga peruana. Com Lodeiro mais ligado, o segundo gol parecia questão de tempo.

No entanto, o ritmo animador uruguaio não durou mais de 10 minutos. E não demorou para as oscilações voltarem. A partida voltou a adquirir um ritmo muito lento, sonolento. O equilíbrio voltou a predominar sobre qualquer outro panorama.

Segundo tempo: Uruguai mantém o 4-3-3, e troca peças no ataque e no meio; Peru também mantém o 4-1-4-1, invertendo os wingers e recuando Cruzado para a entrada de Vargas.

As mexidas de Markarían deram mais volume de jogo para a seleção peruana, sem alterar o esquema. Com Lobatón cumprindo a função de Guevara e Cruzado mais recuado, os flancos passaram a ser mais explorados por Advíncula e Vargas. Nada, todavia, que fosse capaz de mudar o plano de jogo da equipe: consistência defensiva e saídas rápidas através de contra-golpes.

Pela ponta-esquerda, Vargas, mesmo visivelmente fora de forma após voltar de lesão, bailava diante das limitações defensivas de Maxi Pereira. Em duas oportunidades, deixou Guerrero em boas condições de marcar, mas o destaque peruano desperdiçou, assustando os uruguaios, que seguiam a mercê de um jogo mais dinâmico, mais rápido.

Foram as duas últimas chances de gol da partida. Antes de ver o empate confirmado, Tabárez partiu para suas últimas tentativas: sacou Lodeiro e colocou Cristian Rodríguez e, no lugar de Cavani, colocou o jovem atacante do Palermo, Hernández. De nada adiantou. Rodríguez seguiu à linha o mau desempenho de Lodeiro, não acrescentando nada ao time, bem como Hernández, que sequer teve espaço e tempo para tentar criar algo. No fim, um empate justo que serviu para alertar os uruguaios sobre alguns problemas da equipe.

Depois de brilhar na Copa do Mundo de 2010 com um 4-3-1-2 bastante dinâmico, Tabárez precisará encontrar alternativas para fazer funcionar esse novo esquema. Talvez a insistência em Lodeiro possa ser benéfica nos próximos jogos. Ou, então, uma boa alternativa seria a entrada de Álvaro Pereira, mantendo  o desenho tático da equipe, na tentativa de ocupar a lacuna entre os volantes e os atacantes.

Pelo lado peruano, uma surpreendente melhora na seleção nacional, que não tem Farfán e Pizarro, ídolos nacionais, mas provou possuir organização e consistência aliadas, algo muito pouco visto em toda sua história. ‘Zebra’ do grupo, não merece ser descartada e, quem sabe, não surpreende mais uma vez?

A Copa América ainda não encanta, mas já tem as suas peculiaridades e virtudes.

 

 

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