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05/07/2011 / Boleiragem Tática

Chile 2 x 1 México – O preço pago pela juventude diante do melhor futebol da Copa América 2011

Desejo das grandes seleções latinas, a Copa América exige um time maduro o suficiente para ultrapassar barreiras técnicas, físicas e psicológicas ao longo da competição. Azar de quem não leva a sério o torneio de seleções mais antigo da história do futebol. Com uma seleção sub-22, salvo exceções de 5 jogadores, o México acabou pagando o preço de um time jovem, imaturo, e não foi páreo para o melhor futebol da competição até aqui.

Não que o Chile tenha tido uma atuação de gala. Contudo, diante do atual panorama de empates e jogos sonolentos, repletos de decepções por parte das seleções favoritas ao título, em especial o primeiro tempo da seleção chilena animou boa parte dos torcedores e dos críticos. Valorizando a posse de bola, armando triangulações ofensivas bastante interessantes – como as chamas “Pequenas Sociedades”, muito comuns no Barcelona de Guardiola- e lançando mão de sua recente vocação ofensiva, o time de Carlos Borghi foi, ao menos, atraente aos olhos do público. Nem que por alguns minutos.

O curioso é que, mesmo tendo jogado a gigantesca parte dos 90 minutos com a bola nos pés, girando o jogo, buscando as triangulações rápidas e as invasões à área rival, o Chile foi salvo justamente pela bola aérea, marca de times pragmáticos, de futebol pouco envolvente. Bola aérea que chegou a ser vilã do time ainda na primeira etapa, quando, após bobeira da zaga, Araujo cabeceou por cima de Claudio Bravo, abrindo o placar para o jovem time mexicano.

Primeiro tempo: Chile com postura bem ofensiva, no 3-4-1-2, com Sánchez e Fernández se mexendo muito em campo, abrindo espaços para quem vinha de trás; México retrancado no 5-3-2 prometido e cumprido por Tena.

Àquela altura, o México não merecia o gol. Afinal, jogava retraído no seu covarde 5-3-2, alternativa que Luis Fernando Tena arranjou para equilibrar a sua garotada em campo diante de um time tão ofensivo como o chileno, armado no 3-4-1-2, esquema preferido do seu treinador. E sequer atacava. Tentava surpreender em contra-golpes rápidos, quase sempre puxados por Giovanni dos Santos, o melhor do time em todo o primeiro tempo.

Com a vantagem no placar, a garotada mexicana se tranqüilizou no jogo. Chegou, inclusive, a ensaiar uma postura mais ofensiva, com Enríquez e Aquino saindo pelos lados, em companhia dos laterais Chavez e Aguilar. Mas durou pouco a tranqüilidade da molecada. Justamente no pior momento da equipe chilena no jogo, o gol de empate surgiu. Em escanteio cobrado por Sánchez, a bola passou por toda a área, tocou em Contreras, antes de sobrar limpa para Paredes, que havia entrado no lugar do pouco incisivo Beausejour, empatar.

Segundo tempo: Chile passa a atuar num ainda mais ofensivo 3-5-2, desdobrado em 3-3-2-2; México tentou sair pro jogo num estranho 5-2-2-1.

E lá se foi a calma mexicana para sair jogando. A tensão que começava a fazer parte do jogo chileno trocou novamente de lado. Acusando o golpe, o inexperiente time tricolor passou a ser pressionado no próprio campo de defesa.

Vendo o gol da vitória amadurecer, os rojos voltavam a dominar o jogo com a posse de bola. Com Vidal improvisado na ala-esquerda, Sánchez mais recuado e Paredes centralizado, ao lado de Suazo, o time tinha ainda mais volume de jogo. Na prática, um 3-3-2-2 bastante ofensivo, bem parecido com o utilizado por Bielsa no Mundial do ano passado, na África do Sul. E, de fato, o gol triunfal parecia questão de tempo.

E era. Só não era esperado novamente de um escanteio. De novo de uma bola aérea. Dessa vez, a conclusão final para as redes foi de Vidal, que cresceu muito na ala-esquerda, com mais liberdade ofensiva. De novo um gol “feio”. Mas decisivo. Gol que coroou a vitória do time que esteve mais perto do agrado geral, do jogo bonito, do futebol envolvente. Gol que garante os chilenos como líderes do grupo  C, confirmando o favoritismo do país na chave.

Até que o México não se entregou. Já com a desvantagem no placar, o time se soltou mais, parecendo menos tenso. E, com as entradas de Peralta e Pacheco, passou a jogar mais pra frente, organizado, daí em diante, num 5-2-2-1 um tanto quanto inusitado e esquisito, mas que assustou o Chile nos minutos finais. Não passou disso.

Jogando pra frente, o Chile confirma a sua nova identidade no futebol mundial: um time cada vez mais ofensivo. E forte. Uma seleção que pode chegar longe na Copa América 2011.

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