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03/07/2011 / Boleiragem Tática

As péssimas estreias de Brasil e Argentina: o coletivo que não consegue ofuscar o individual

Na sua estreia, Argentina não teve meio de campo, mas teve Messi inspirado e com vontade de ganhar. E, mesmo assim, sofreu para não sair perdendo em casa para a surpreendente Bolívia de Rojas e Moreno. O Brasil não teve Ganso e Neymar inspirados, em boa tarde, e acabou sucumbindo a um decepcionante empate diante da pouco corajosa Venezuela. Com times em formação, que seguem vivendo à sombra de seus valores individuais e à procura de um conjunto consistente, as duas grandes seleções favoritas à conquista da Copa América estrearam muito mal, abrindo caminho para o outro favorito, o Uruguai.

O treinador argentino Sergio Batista precisa e depende muito de Messi. Assim como Mano de Neymar e Paulo Henrique Ganso. No entanto, é fundamental que ambos encontrem alternativas para suprir uma eventual má atuação dos jovens destaques selecionáveis. E, obviamente, fazer com que o time jogue não só em função das estrelas, mas também junto com elas. Esses são os grandes objetivos dos treinadores no momento. Missões que ainda estão no início. E seguem com avanços pouco significativos.

Para fazer Messi render bem como rende no Barcelona, Batista alterou a forma de jogar da seleção argentina. No 4-3-3 igual ao de Guardiola, Batista deixou Messi à vontade como “falso-nove”, função que desempenha com esplendor na Espanha. Só se esqueceu, porém, de que Banega e Cambiasso, os volantes-meias argentinos, estão alguns níveis abaixo de Xavi e Iniesta, que criam e pensam boa parte das jogadas catalães. Ademais, nem Zanetti nem Rojo, os laterais argentinos, conseguem ter tanta sustância ofensiva como tem Daniel Alves no Barça.

Assim, a Argentina nem de longe lembrou o Barcelona. Messi até ajudou na criação, lutou pela bola, deu boas arrancadas, achou companheiros livres dentro da área, mas, definitivamente, sentiu muita falta de um jogo coletivo que o completasse. Exatamente da forma que acontece no Barcelona. Para piorar, Tévez e Lavezzi fizeram péssimo jogo, não conseguindo aproveitar os espaços abertos pelo craque e se movimentando pouco. O resultado foi um time pouco dinâmico, sem criatividade no meio-campo e, com uma defesa frágil e insegura, constantemente sufocado pela modesta Bolívia.

Na estreia brasileira, Mano confirmou o esperado e já dito pelo próprio, escalando o Brasil no mesmo 4-2-3-1 da sua estreia no comando da Seleção, contra os Estados Unidos, em agosto de 2010. Na linha de três, Neymar pela esquerda, Ganso por dentro e Robinho pela direita. A grande diferença foi que, nem Neymar nem Ganso – principalmente este último – conseguiram ter boa atuação, como há 11 meses atrás. Com o primeiro estático na ponta-esquerda, não abrindo o corredor para André Santos e tentando pouco o drible, um de seus pontos mais fortes, e o segundo tímido, errando passes fáceis e se escondendo do jogo, o Brasil foi pouco criativo e incisivo no ataque.

A boa atuação de Pato não foi suficiente para tirar o zero do placar. O atacante do Milan por pouco não conseguiu, com um belo chute na trave após jogada de Robinho, que sumiu após a primeira metade de jogo. Daniel Alves tentava dar força ao time pelo lado direito, apoiando com constância e inteligência, mas o Brasil ainda sentia falta de seus jovens e grandes astros. Reflexo de um time ainda muito dependente de valores individuais. Uma equipe que ainda carece de conjunto, como a próprio Argentina.

Com poucas soluções à vista, Batista e Mano seguem à mercê de seus destaques. A difícil missão de encaixá-los num conjunto e fazê-los render em prol do time é uma urgência nas duas seleções. Talvez assim a dependência fique menor. E o coletivo, enfim, predomine.

 

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