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28/06/2011 / Boleiragem Tática

Um alento à torcida ‘millonária’: análise tática do time campeão da Libertadores em 1996

Em meio ao drama pelo rebaixamento inédito vivido pelos torcedores do River Plate, o Blog resgata a história ‘millonária’ e analisa um dos maiores times argentinos de todos os tempos.

Campeão da Libertadores em 1996, o River de Ortega, Francescoli e Crespo tem algumas semelhanças com o atual. A começar pela data fatídica de 26 de junho. Tanto há 15 anos como em 2011, foi nessa data que o River viveu o seu céu e o seu inferno. Do Mundial à Nacional B. Tudo no mesmo dia. Mas não é só a data que é igual. A fidelidade da torcida também. Tanto na final da Libertadores como no segundo jogo da Promoción, contra o Belgrano, a torcida lotou o Monumental de Nuñez e não parou de cantar.

Entre os nomes gritados por ‘La Hinchada Millonária’, o de Matias Almeyda é um que faz bastante barulho. Aos 35 anos, o volante, hoje, é mais contestado que idolatrado. Era o 8 daquele timaço de 96. Foi um dos expulsos no drama de 2011. Acabou anunciado nesta segunda-feira como novo técnico do time. Definitivamente, o grande responsável por reescrever a História do clube. Sem apagar, é claro, os capítulos de glórias, sendo um dos maiores protagonizados pelo próprio, naquele 26 de junho de 1996.

Almeyda era o volante-central do 4-3-1-2 armado pelo então emergente Ramón Díaz. Revelação da época, o jovem cabeça de área era elogiado por todos. Afinal, tinha virtudes para tal. Além da pegada na marcação e da precisão no desarme, a facilidade com que saía jogando, com passes certeiros e lançamentos inteligentes, impressionava a todos. Além da saída de bola, da transição defesa-ataque em jogos mais truncados, era, também, o responsável pela cobertura dos laterais e dos volantes-meias. Durante toda a campanha, Astrada e Sorín foram quem mais estiveram perto da vaga de titular, mas, na final, coube a Cedrés e Escudero desempenharem tal papel.

O time que passou por cima dos papéis picados e do América de Cali, em 26 de junho de 1996, em pleno Monumental de Nuñez.

Se não bastasse um baita volante, o River ainda podia contar com uma zaga que mesclava experiência e juventude das melhores. Do experiente Guilhermo Rivarola, homônimo do paraguaio que fez história no futebol brasileiro com a camisa tricolor, até o jovem Ayala, se tinha tudo de que um bom zagueiro precisa. E mais. Havia dois homens dispostos a lutar por tudo por uma Libertadores. Dois monstros no combate ao veloz Zambrano e ao técnico e interminável De Ávila.

Nas laterais, Hernán Díaz e Altamirano não eram uma dupla imensa como foi a formada por Cafu e Roberto Carols. Porém, se tratava de dois laterais muito eficiente, sérios e disciplinados, que alternavam subidas ao ataque e fechavam a marcação no meio quando o time se via sem a bola. No gol, ninguém menos que Burgos. Um goleiraço, capaz, inclusive, de colocar Bonano no banco de reservas. Incontestável na campanha do título.

Se se a bola o River era uma equipe digna de elogios e conquistas, com ela tudo ficavam ainda mais fácil. Com Cedrés e Escudero se desdobrando entre o ataque e a defesa, ajudando muito tanto no combate aos meias rivais como na criação de jogadas, sobrava para os homens de frente o brilho e o destaque midiático e crítico. E disso, Ortega, Francescoli e Crespo entendiam como ninguém.

Pela esquerda, o princípe uruguaio infernizava a defesa e cruzava bolas perfeitas para Crespo aproveitar. Pelo meio e pela direita, era Ortega quem dava as cartas. Ou melhor, as bolas para o artilheiro. O jovem meia, vestindo a 20, flutuava no campo, ora por um lado, ora por outro, ora pelo meio. Sempre com a mesma habilidade, agilidade e objetividade, suas três maiores qualidades. Quando se juntava ao já veterano, mas não menos craque, Francescoli, pela esquerda, deitava e rolava por todo o continente.

Francescoli, por sinal, era o responsável pela variação tática da equipe millonária. Quando recuava para armar jogadas, trocando a esquerda pelo meio e vice-versa, configurava no desenho tático da equipe um 4-3-2-1. Quando se comportava como segundo atacante – como era na teoria em 96, fazia voltar ao 4-3-1-2 inicial, formando, novamente, dupla com Crespo, o homem-gol.

Craque pelo chão ou pelo alto, Hernán Jorge Crespo era tido como a grande esperança de gols do River Plate. Mesmo jovem, não gostava muito de sair da área, de fazer tabelas ou protagonizar lances de camisa 10. Era 11, como Romário, literalmente. Outro gênio da grande área. Gostava, mesmo, era de receber cruzamentos, se antecipar à zaga e estufar as redes. De cabeça. De esquerda. De coxa. De canela. Do jeito que desse, contanto que a bola morresse no fundo das redes.

Daí se entende a insistência do time nas jogadas de linha de fundo. Pela direita, com Escudero, Hernán Díaz e, por vezes, Ortega; pela esquerda, com Cedrés, Altamirano e Francescoli – às vezes contando com a companhia do então garoto, Ariel Ortega. Sempre buscando a linha de fundo, o cruzamento na medida para Crespo. Ou para quem viesse de trás. O maior exemplo é o primeiro gol da grande final de 96, quando Ortega recebe na ponta-direita, leva à linha de fundo e cruza rasteiro para Crespo abrir o placar.

O time que marcava sob pressão e jogava atacando, sufocando os rivais em casa, tinha nas jogadas de linha de fundo uma arma quase infalível. Uma das grandes virtudes de um time inesquecível, que servirá, para sempre, como alento ao torcedor millonário que se lembrar do dia 26 de junho, o dia em que o inferno ofuscou o céu.

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