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16/06/2011 / Boleiragem Tática

Peñarol 0 x 0 Santos – A busca pelo contra-ataque, o acerto primordial de Muricy e a vantagem para o jogo de volta

Tanto o Peñarol como o Santos não costumam jogar à maneira Barcelona de ser. Seja a partida no Uruguai ou em qualquer outro país, o time carbonero se comporta da mesma forma: marcação por zona, saídas rápidas pelos lados, abuso dos contra-golpes e das bolas aéreas. É mais do que raro ver o time de Diego Aguirre trocando passes, valorizando a posse de bola, tentando criar boas tramas, cadenciando o jogo, como faz o melhor time do mundo da atualidade. Assim como é muito difícil ver um time de Muricy jogando dessa forma. O Santos versão 2011, que chegou à final da Libertadores após passar por alguns apuros na primeira fase, segue a tese.

Sem Paulo Henrique Ganso, o regente de um meio-campo de muito combate, muita força, mas pouca criação, a tendência era ver um time verdadeiramente ao melhor estilo Muricy Ramalho. Um time de força, que marca forte, chega atacando com os volantes e tem em Neymar o seu grande diferencial.

Quando a Joia não vai bem, seja por boa marcação rival ou por displicência própria do jovem, o time costuma se complicar. Nesta quarta-feira, no Centenário completamente colorido de amarelo-e-preto, não foi só Neymar que não foi bem na maior parte do jogo. Errando passes bobos, Elano não ditou o ritmo do meio de campo, como também não foi páreo para as subidas de Aguiar, o melhor dos volantes uruguaios.

Com Elano e Neymar mal, fica ainda mais difícil jogar fora de casa. Pra piorar, o meio de campo santista não funcionava na saída de bola, que inexistia nos primeiros 30 minutos. Menos mal que Adriano, o “1” do 4-1-3-2 montado por Muricy para o primeiro confronto da final, anulava Martinuccio. E seguiu anulando-o por quase todo o tempo, salvo raras escapadas do ótimo meia-atacante argentino na segunda etapa, sempre buscando o jogo pela esquerda. Adriano foi o grande(e talvez único) acerto de Muricy nesta quarta.

Não que Muricy tenha errado em escalar o Santos com 4 volantes no meio de campo. Não errou, de fato. Mas foi covarde diante de um adversário que não gosta de atacar, de jogar com a bola nos pés, mas sim de ser atacado, de poder armar contra-golpes e cruzar bolas pelo alto. Se tivesse ousado um pouco mais, talvez com Alan Patrick começando a partida no lugar de um dos volantes, poderia ter resolvido a parada ainda na primeira etapa.

Primeira etapa em que se viu um Santos morno demais, com Danilo e Elano cochilando no setor de criação, e Arouca tendo que se virar para marcar e levar o time à frente. Apesar de sofrer com as investidas do bom Corujo, Alex Sandro era a principal arma ofensiva do Peixe na primeira metade de jogo. Pela esquerda, o time cresci, e o principal: assustava.

Mas era também pela esquerda que era assustado pelo bom time uruguaio. Corujo e González sabiam da imensa fragilidade defensiva do camisa 3 santista. E souberam explorá-la. Por pouco, o Penãrol não abriu o placar. Quase sempre em jogadas oriundas de contra-ataques, graças a erros de passes do meio de campo brasileiro, muito apagado e omisso nos primeiros minutos.

Amarelado, Neymar sentia a pressão da torcida adversária e do juiz. E quase nada jogava. Nem de longe lembrava o moleque abusado, que os lentos zagueiros carboneros deviam temer.

No intervalo, nenhuma mudança. O mesmo panorama. Impressionante como ambos os times são parecidos quanto ao plano de jogo. Ambos querem jogar nos contra-ataques, ambos não querem a bola para criar. E ambos têm zagas inseguras. Foram muitos os sustos que os quatro defensores santistas deram aos torcedores que assistiam à partida. Assim como os uruguaios em todo o estádio.

Até que Aguirre tentou, enfim, mandar seu time à frente, pela primeira vez na Libertadores-2011. Tirou o morto Míer para a entrada do experiente e ágil Estoyanoff. O veloz meia-atacante foi fazer a função de meia aberto pela direita, “empurrando” Corujo para o meio-campo. Na meia, Corujo formou dupla de volantes com o viril Freitas, sempre saindo pela direita, para auxiliar Estoyanoff no sufoco a Alex Sandro. Coube a Aguiar, então, ocupar a meia-esquerda, revezando-se no apoio com Darío Rodríguez.

Agora, sim, com a bola o Peñarol crescia tanto quanto puxando contra-ataques. Entre um erro de posicionamento aqui e uma falha técnica acolá, os santistas rezavam e se desesperavam. O jogo tendia a um resultado favorável para os donos da casa. Mas o time resistiu à pressão. O ótimo bandeirinha paraguaio acertou ao anular o gol de Alonso, o centroavante reserva dos carboneros, que, já no desespero, tentou resolver a parada no “abafa”. Fim de jogo e nada de comemorações. Faltam ainda 90 minutos.

Mas vale lembrar que a vantagem santista é muito boa, ainda que o Peñarol tenha se notabilizado por um time que gosta de jogar fora de casa. O Pacaembu espera ansiosamente pelos capítulos finais da Libertadores.

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