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09/06/2011 / Boleiragem Tática

Coritiba 3 x 2 Vasco da Gama – O título da superação

Oito anos sem títulos de expressão é muita coisa para um gigante do futebol brasileiro. Reestruturado após uma passagem pela Série B, da qual, inclusive, saiu campeão, o Vasco precisava superar os momentos turbulentos da última década, para, enfim, voltar a ser o time que era há anos atrás. Um time gigante. Um papa-títulos nacional. E, para isso, não foi fácil. Regular, mas não brilhante, o time comandado pelo competente Ricardo Gomes buscou na união da equipe as forças para chegar até a final da Copa do Brasil. E conseguiu. Na base da superação, bateu o Coritiba numa final eletrizante de 180 minutos. No jogo de ida, 1 a 0 em São Januário. No de volta, nesta noite, 3 a 2 para os paranaenses. Título mais do que merecido pelo que demonstrou dentro de campo.

Se não jogou um futebol de outro mundo, o Vasco, ao menos, soube ser grande. Foi valente ao buscar, fora de casa, em pleno Couto Pereira lotado de coxas-brancas, dois gols heróicos, com participação decisiva do melhor jogador do jogo e do campeonato, o atacante Eder Luis. Vestindo a 7, o mineiro do grupo foi um monstro. Arranjou espaço onde não havia. E lutou até o fim. Lutou muito. Foi gigante.

Fato é que, a pressão no final do jogo, à base do “abafa”, tentou apequenar um time construído no meio do Campeonato Carioca por Ricardo Gomes. Nem assim. Mesmo retraído, mesmo sufocado, o Vasco soube ser imenso, fazendo jus a sua gloriosa História. Entre chutões e contra-ataques, conteve a empolgação do time da casa nos minutos finais, conquistando um título histórico, que marca uma nova era no clube. Uma era de ressurreição. Na qual o Vasco volta a figurar entre os gigantes na briga por títulos de porte. Na briga por Brasileiros. Na briga por Libertadores, que não disputa desde 2001.

Mas não foi fácil. Pelo contrário. Afinal, existe algum título fácil? Ainda mais fora de casa. Ainda mais contra o Coritiba. Ainda mais no Couto Pereira. O Vasco foi guerreiro, passou por cima de barreiras inimagináveis e se superou. Provou ao Brasil que nenhum gigante se apequena.

Como começou: Coxa no 4-3-2-1, espelhado no esquema vascaíno.

O caminho aberto em São Januário, há uma semana, pela vitória de 1 a 0 no jogo de ida, tendia a um jogo mais truncado por parte dos cariocas, que jogariam, teoricamente, por um empate. Nada disso. Passado o susto inicial, com o tradicional “pressing” do time da casa em jogos decisivos, com adiantamento da linhas de marcação, pressão na saída de bola e rápida recomposição, o Vasco se achou saindo em velocidade pela direita. Era por lá que Eder Luis e Allan deitavam e rolavam pra cima do limitado Lucas Mendes. E foi por lá que saiu o primeiro gol, após bela enfiada de bola de Diego Souza.

Com a vantagem no placar, o Vasco se impôs. E viu o Coritiba, acuado com três volantes no seu meio de campo(4-3-2-1)se assustar, sentir e acusar o golpe. Os papéis se inverteram quando Marcelo Oliveira corrigiu seu equívoco na escalação coxa-branca, aos 27 da primeira etapa, tirando o nulo Marcos Paulo, para a entrada do atacante Leonardo. Por mais que Leonardo não tenha mudado muita coisa com a bola nos pés, taticamente foi fundamental para levar o time à frente, reorganizando-o num 4-2-2-2.

Após tomar as rédeas da partida, não demorou para os donos da casa virarem o jogo. As falhas da zaga vascaína – primeiro com a dupla de zaga Dedé e A.Martins batendo cabeça após erro de posicionamento do lateral Ramón; depois com o próprio lateral se confundindo na marcação com o último zagueiro – foram essenciais. E, por pouco, não puseram tudo a perder.

Sorte que, no segundo tempo, sem conseguir sair de forma eficiente para o jogo, um chutão de Fernando Prass acabou parando nos pés de Eder Luis, um inferno para a zaga coritibana. O camisa 7 levou para o pé direito e, mesmo fora da grande área, soltou a bomba. A bola ameaçou desviar em Willian, enganou o desatento Edson Bastos e morreu no fundo das redes. O Vasco estava, novamente, com uma mão na taça.

Porém, nada para o Coritiba em casa. Marcelo Oliveira mexeu bem, e Eltinho e Marcos Aurélio deram ainda mais volume de jogo ao Coxa, que já dominava as ações do jogo. À exceção de Rômulo, que anulou Davi, Eduardo Costa e Felipe não conseguiam dar conta de Marcos Aurélio e Rafinha. Para piorar, Diego Souza não tinha mais pernas para vir buscar o jogo, e o Vasco perdia todo o meio de campo.

O golaço de Willian, em sobra de escanteio mal afastado pela zaga cruz-maltina, tinha tudo para pôr fogo no jogo. E pôs. No mesmo 4-1-3-2 que o trouxe de volta à elite, o Coxa se lançou para o tudo ou nada. Ricardo Gomes percebeu a necessidade de mudanças e as fez: Jumar no lugar do cansado Felipe e Bernardo para dar a velocidade que Diego Souza já não conseguia mais imprimir, sem alteração no esquema tático, que permanecia o mesmo 4-3-2-1 do primeiro tempo e dos últimos jogos.

Os minutos finais remeteram a um treino qualquer de ataque contra a defesa. Ramón, que havia tomado um baile do ótimo Jonas durante quase todo o jogo, enfim, já nos acréscimos, conseguiu o parar. Antes tarde do que nunca. Com Dedé e Anderson Martins imensos nos desarmes, não tinha para ninguém. O destino já tinha sido escrito. Na base da garra, da raça, da vontade, da superação, o Vasco volta a levantar uma taça após 8 anos de amargura.

Como terminou: pressão paranaense, com o time da casa no 4-1-3-2 e o Vasco se defendendo no 4-3-2-1.

 

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