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27/05/2011 / Campo de 11

Park pode ser o ‘mapa da mina’ para o Manchester em Wembley

Por mais que se estude e se entenda a filosofia de jogo do Barcelona de Guardiola, é muito difícil desenrolar uma estratégia capaz de detê-los e vencê-los. Alex Ferguson já quebrou a cabeça há duas temporadas e, há dois dias da grande final europeia, volta a perder mais cabelos. Estuda um método de atropelar o Barça. E vê em um coadjuvante uma possível chave para o sucesso coletivo da equipe.

Ele nunca foi midiático. Raramente ganha os holofotes. Muito útil taticamente, Park é uma carta na manga de Alex Ferguson. Versátil, cansou de ser improvisado em diversas posições, sempre rendendo com a mesma eficiência e regularidade. No sábado, na decisão mais importante da temporada para o Manchester United, o coreano pode ser o principal caminho para os ingleses baterem o Barcelona e conquistarem a Uefa Champions League, em Wembley.

A observação, ou melhor, a hipótese é baseada no ponto de vista tático. Como se trata de futebol, nem sempre uma hipótese se concretiza. Mas sigamos em frente. Vale lembrar que o Barcelona atuará no seu habitual 4-3-3, com Messi na função de ‘falso nove’, e o Manchester no 4-4-1-1, com Rooney de ponta de lança. Mas, então, por que empurrar para Park Ji Sung tamanha responsabilidade?

O lado por onde joga Park ajuda na compreensão dessa questão. Afinal, é por onde ataca Daniel Alves, praticamente um ponta-direita quando o Barcelona tem a posse de bola, sempre à espera dos lançamentos precisos de Xavi e Iniesta. É aí que mora o “x” da questão. Park pode decidir o jogo às costas de Daniel Alves, e ajudando um dos volantes a anular Xavi, o meia-direita do triângulo de base alta no meio de campo catalão.

Na ilustração, tudo fica mais claro. O combate direto a Xavi caberia, provavelmente, a Carrick, já que Fletcher deve bater com Iniesta e os zagueiros devem tomar conta de Messi, contando, é claro, com a boa vontade e o auxílio dos volantes, que terão que se desdobrar sem a bola. Os laterais ficam com os ponteiros espanhóis. E os wingers marcam os laterais rivais. Ou seja, Park, na teoria, será o responsável por acompanhar Daniel Alves. E possuir um corredor para atacar.

A marcação de Park e o corredor às costas de Daniel Alves

O mapa da mina é esse corredor. Park terá total liberdade e espaço para se juntar a Rooney e Chicharito. Mas, para isso, precisará roubar a bola de Daniel Alves. Ou de Xavi. É do pé de Xavi que saem os lançamentos para Dani. Unindo-se a Carrick, Park pode “sufocar” Xavi e, assim, roubar a bola. Desta forma, o lateral brasileiro não teria tempo para voltar à defesa e alcançar Park. Um belo contra-golpe. A grande chance do Manchester dominar o Barça. Como Daniel Alves sobe em todo ataque, haverá o tal corredor.

Obviamente, há a questão da cobertura. Busquets é o responsável por tal função. Justamente a de acabar com esse corredor. Mas Busquets precisa se preocupar, também, com Rooney. E Rooney impõe respeito. Muito respeito. O que implica que o primeiro volante espanhol dificilmente terá condições de cobrir Daniel Alves e acabar com o corredor, o paraíso de Park.

O grande dilema para a tática do “corredor de Park” funcionar é a roubada de bola. Daniel Alves é muito veloz e ágil, dificilmente perde a bola. E Xavi é um armador exímio. Raramente deixa a redonda escapar de seus controles. Será uma tarefa árdua para o coreano roubar essa bola e, enfim, aproveitar o “mapa da mina”. Mas, caso consiga, Park terá um caminho e tanto rumo ao estrelado. Alex Ferguson sonha com isso. Também com isso.

Apesar de tudo, ainda que dê certo e se concretize a hipótese proposta acima, vale ressaltar que o Manchester jogará contra o Barcelona. Não só de Xavi, mas de Iniesta, Messi, Villa, Pedro. E se tratando desse time, desses jogadores, a vitória beira o impossível. Mas não o alcança, para a esperança dos ingleses.

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One Comment

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  1. Rafael Andrade / maio 27 2011 11:51

    Excelente observação e analise Lucas. Vale a lembrança que Ferguson pediu algumas ‘dicas’ a José Mourinho de como parar o Barça, e naquele rally de clássicos, em algumas oportunidades, Di Maria ou Marcelo exploravam essa avenida chamada Daniel Alves, tanto que foi por ali que nasceram os três gols merengues nos quatro jogos – o penalti sofrido por Marcelo no primeiro, o gol do título da Copa do Rey com o cruzamento do Di Maria e o gol do Marcelo no Camp Nou. Então é bom que o Guardiola esteja atento a esse risco que ele corre. Abraços!

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