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20/05/2011 / Boleiragem Tática

Brasil 2014, sonhar não custa nada: a seleção ideal para o país do futebol

Seleção brasileira sempre foi um assunto polêmico. A convicção de cada treinador quase nunca se combina com os desejos dos torcedores. Nesta quinta-feira, Mano Menezes fez a sua convocação mais importante: a lista de 28 jogadores servirá para dois amistosos, contra Holanda e Romênia, e, após um corte, para a Copa América, que tem início em julho, na Argentina. Novamente, o assunto foi polêmico. Minutos após a divulgação dos 28 nomes, diversas críticas, alguns elogios e muitas sugestões. Embalado neste clima, o blog propõe um sonho comum a todo torcedor brasileiro: ver a seleção nacional, em 2014, na Copa do Brasil, jogando um futebol alegre, solto, insinuante e, acima de tudo, campeão.

Baseado nas convocações recentes do atual treinador nacional, que tem grandes chances de ser o técnico a comandar a seleção anfitriã na Copa de daqui a três anos, o blog montou o chamado “onze ideal” para boa parte da torcida. Um time que dispensa comentários, mas que, na prática, pode não render o esperado. No entanto, como se trata de um exercício de imaginação, não custa nada sonhar com um meio-campo repleto de craques, organizados num 4-1-4-1 sem muitas preocupações defensivas e propenso a espetáculos inesquecíveis. Um time ideal para representar o futebol alegre do país.

O Brasil dos Sonhos: um 4-1-4-1 muito ofensivo, que tem tudo para dar show na Copa dos Sonhos.

Juntar Neymar, Paulo Henrique Ganso, Kaká e Lucas nunca será uma tarefa fácil. Todos jogadores de características bastante ofensivas, nenhum com virtudes defensivas. Com a bola, um quarteto fantástico. Sem ela, um perigoso meio-campo de pouco combate e muita displicência na marcação. O jeito, então, seria jogar como a Espanha-2010 e o Barcelona dos últimos anos: um futebol de muita posse de bola, cheio de inversões e um brilhantismo impressionante apoiado no entrosamento de anos jogando juntos.

Entrosamento é uma virtude pouco comum no futebol de hoje, no qual jogadores rodam o mundo em poucos anos, peregrinando entre clubes e jogando pelo dinheiro. Porém, é essencial para se montar um time cuja a posse de bola é a principal característica. Afinal, se ficar com a bola no campo de ataque, rodando o jogo, trabalhando as jogadas, em busca da perfeição, o Brasil proposto neste sonho seria praticamente imbatível.

Obviamente, os erros aconteceram. Somos todos seres humanos. Ganso pode errar um passe na final da Copa. Neymar pode errar um drible. Kaká pode perder a bola numa arrancada. Lucas pode errar um lançamento. O imprevisível rege o futebol. E faz dele um esporte emocionante e impressionante. Para tentar suprir os erros, solucionando-os da melhor forma, nada melhor do que um bom primeiro volante.

Lucas é a personificação perfeita do volante ideal para o brasileiro. Com ótimo passe, e virtudes incomuns aos cabeças de área, o camisa 8 do Liverpool raramente apela para as faltas. Seu senso de posicionamento impecável faz dele um cão de guarda excelente para proteger a zaga brasileira. Peça certeira para o esquema dos sonhos. Lucas seria o responsável por desfazer os erros e recuperar a posse de bola.

Apesar de toda a vitalidade e a eficácia de Lucas, um só homem não seria suficiente para a marcação no meio de campo. Assim, seria de extrema importância que, além dos ponteiros(no caso, Lucas e Neymar) correrem atrás dos laterais rivais, um dos dois meias-centrais ajudasse no combate aos articuladores rivais. A função digna de um “box-to-box” inglês, bastante comum na Inglaterra e em boa parte da Europa no esquema proposto. Entre os onze escolhidos na imagem acima, Ganso é o cara mais apropriado para realizar tal papel. Com 23 anos, teria mais experiência e mais senso de marcação. Bastaria se mirar no exemplo do galês Ryan Giggs, canhoto como ele, técnico como ele, ofensivo como ele, craque como ele. O versátil e interminável meia do United vem dando verdadeiras aulas de como ser um “box-to-box” inteligente e útil à equipe.

Mesmo assim, se Ganso não se adaptar à função, há um plano B para continuar dando asas à imaginação deste que vos escreve. Ramires tem tudo para estar na lista final de Mano. Com ótimo passe, arrancadas fulminantes, um preparo físico invejável e desarmes precisos, despontou no Cruzeiro como um volante moderno. Foi o melhor da posição no continente em 2009, e hoje desfila seu ótimo futebol pelos gramados da Inglaterra, com a camisa do Chelsea. Ramires pode, muito bem, ser o “box-to-box” em questão, assim como Hernanes, da Lazio, ainda que o primeiro tenha mais a confiança do treinador brasileiro.

Com a entrada de Ramires no time, ou até mesmo a de Hernanes, um dos meias-centrais perderia seu espaço. Provavelmente Kaká. Mesmo sendo um sonho, a hipótese de Kaká estar entre os onze titulares da Seleção na próxima Copa é mínima, até porque o camisa 8 merengue vem sofrendo com lesões graves e não consegue emplacar uma série de boas atuações capaz de convencer Mano Menezes. Até 2014, ele pode reverter o panorama e, na sua melhor forma física, é titular absoluto de qualquer time do mundo.  É com isso que todo brasileiro sonha.

Unanimidade no planeta, o Barcelona funciona, principalmente, devido à posse de bola avassaladora que detém nas partidas. Xavi e Iniesta, dois exímios passadores, sabem como poucos fazer a bola girar, trabalhando a posse de bola, encurtando distâncias, e criando as chamadas “pequenas sociedades”, condição básica para o time de Pep Guardiola funcionar com perfeição. No ‘Brasil dos sonhos’, Kaká e Ganso seriam os pensadores do jogo brasileiro, os responsáveis por não deixarem a bola cair nos pés dos adversários, sempre, é claro, contando com ajuda dos absurdamente promissores Lucas e Neymar, que, em tese, seriam mais definidores de jogadas do que criadores.

Há quem diga que o grande diferencial do Barcelona seja Messi. O “jogador de playstation” pode, evidentemente, resolver jogos de forma incrível, como nenhum outro planeta. Mas se não fosse o conjunto catalão, dificilmente Messi teria atingido um patamar tão alto em tão pouco tempo.  Iniesta, Xavi, Pedro, Villa e Cia completam o futebol do argentin0. E vice-versa. É o caso de Neymar no Brasil. Neymar é o “Messi” dos brasileiros, atualmente. Guardadas as devidas proporções – poucas, diga-se de passagem -, e as funções táticas, bastante diferentes, tendo em vista que Messi é um “falso nove”, uma espécie de centroavante, enquanto Neymar é um jogador de lado de campo. Neymar é o improviso de uma seleção ainda muito  tática. O artista de um time que, por enquanto, não dá espetáculos. E o cara que pode vir a ser o melhor do mundo na melhor seleção do mundo. Entrosamento e trabalho são fundamentais. E o futuro que determinará.

Neymar é protagonista deste sonho que ainda não se aplica à prática. Impossível imaginar um seleção ideal que não dependa de seu brilho individual e de sua genialidade precoce. No entanto, é dever dizer que Neymar precisa de coadjuvantes quase tão protagonistas quanto a jóia da Vila Belmiro. E, para isso, não há nomes mais indicados do que Lucas, Kaká e Ganso.

Mas para esta seleção imaginária funcionar devidamente bem, há de existir muito equilíbrio entre os setores. A marcação não pode ser ignorada. Daniel Alves e André Santos, por exemplo, apesar de serem praticamente alas em seus clubes, deverão se aplicar mais na defesa. As subidas alternadas são obrigatórias. Assim como a recomposição rápida, perfeita. Num time com quatro meias-atacantes, os defensores não podem, jamais, errar atrás. Qualquer erro é fatal na defesa.

Defesa. Ponto crucial de qualquer time. Sem uma zaga segura, imponente, que esbanje autoridade, nada seria possível num time de futebol. Mano deveria agradecer muito por contar com uma dupla de zaga extremamente promissora para 2014. Ainda tendo alguns pontos a evoluir, principalmente David Luiz, os dois zagueiros que mais foram titulares na” Era Mano Menezes” têm tudo para serem considerados, daqui a três anos, como os melhores do mundo.

Para o sonho, enfim, ser posto no papel falta o camisa 9. Alexandro Pato. Por quê? Porque não há camisa 9 mais indicado para o estilo de jogo defendido por Mano do que o atual 7 do Milan. Pato se encaixa bem em qualquer esquema, tem todas as características de um bom centroavante, joga em time grande, terá uma idade boa para 2014 e complementa de forma cirúrgica o estilo de Neymar, Ganso, Kaká e Lucas. Rápido, insinuante, bom finalizador, é a peça que falta para um time perfeito.

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6 Comentários

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  1. Marcelo / jun 3 2011 14:35

    Lucas, você não acha que o André Santos, apesar de uma vitoriosa história com Mano Menezes no Corinthians, acaba sendo o ponto fraco desse time dos sonhos? Talvez o Marcelo do Real,em uma formação mais defensiva, não seria uma melhor opção?

    • Boleiragem Tática / jun 3 2011 22:57

      De fato, Marcelo. Mas eu me baseei nos critérios do Mano e nas suas convicções. E uma delas, por exemplo, é que o Marcelo não serve para lateral-esquerda da Seleção dele. Mas também gostaria de vê-lo atuando no lugar do André.

  2. wesley arruda / set 8 2011 22:13

    rapaz! gostei muito dessa escalação só acho que precisava tirar o a. santos e botar o marcelo. e também seria muito bom ver o leandro damião no lugar do pato, ainda mais nesse ultimo jogo contra gana

  3. wesley arruda / set 8 2011 22:24

    Acho que essa seleção aqui seria a mais interessante

  4. Wellington / jul 9 2012 2:09

    velho não quero criticar, e nem julgar, de maneira nenhuma, mas que te pedir se não falta ronaldinho nessa sua escalação, derepente no lugar do ganso, e o ganso no lugar do lucas
    ou do neymar tbm, acho que para uma ofenciva forte com ronaldinho,kaká,neymar e pato, acho que esse ataque seria o ideal, mas cada um tem um pensamento, lembrando que tbm tem o diego ribas que joga muito, e tbm o oscar que ultimamente está melhor que o ganso!

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