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08/05/2011 / Campo de 11

Manchester United 2 x 1 Chelsea – O time das decisões

Time campeão precisa saber se comportar como time campeão em decisões. A atuação decisiva não precisa ser de gala, mas tem de reunir algumas virtudes dignas de equipes vencedoras, tais como concentração, seriedade, organização, valentia e confiança. Até mesmo para não jogar pelo ralo todo um trabalho em um só jogo, por maior que seja o caráter de final presente em tal partida.

Como raras equipes no mundo, o Manchester United dá aula nesse quesito. Sabe, de forma perfeita, como se portar em decisões, sejam elas em torneios de mata-mata ou de pontos corridos. Boa parte dessa excelência se deve a seu treinador, Sir Alex Ferguson, um monstro da história do futebol mundial. Para alguns, sem exagero, o melhor técnico de todos os tempos. O homem que abrilhantou, ainda mais, a história do maior clube da Inglaterra. O homem dos 11 títulos ingleses, que podem se transformar em 12, caso conquiste um mísero ponto nos próximos dois jogos da Premier League 2010-11, sendo um deles em casa, contra o modesto Blackpool, na última rodada.

O primeiro tempo

Ferguson preparou seu time para uma das grandes decisões do ano. Com três pontos de vantagem, não poderia dar mole para o vice-líder do campeonato, justamente o Chelsea, adversário deste domingo. Sabia da importância de uma vitória, que praticamente conferia o caneco inglês, pela décima nona vez na história, um recorde nacional, confirmando a hegemonia sobre o decadende Liverpool.

E viu seu time entrar em campo como esperava. Como Manchester United. Desde 1986 é assim. O time que não tira o pé nas decisões. Um time de muita força, sobretudo em finais de campeonato. Não tinha Chelsea capaz de pará-lo. O atropelamento começou logo aos 37 segundos de jogo, com Chicharito Hernández, a sua mais nova aquisição. A sua grande aposta, que vem dando muito certo. Sem dúvidas, um dos destaques do time nesta temporada.

Ao contrário do United, o Chelsea, comandado pelo criticado Carlo Ancelotti, parecia não estar disputando uma autêntica decisão. Mole, desatento, displicente, não viu a cor da bola nos primeiros 45 minutos. E, quando despertou, já era tarde. O bonde de Manchester já havia passado com tudo por cima.

O gol com menos de um minuto de jogo deu ainda mais tranquilidade ao ótimo time de Alex Ferguson. No 4-4-1-1 das últimas aparições, dominava com facilidade todos os setores do campo: na defesa, Vidic dava show, com antecipações perfeitas e uma segurança impressionante, dignas do melhor zagueiro da atualidade na Europa; no meio, Carrick, Giggs e Park jogando por todo o time; e na frente, Rooney, com liberdade incomum, deitava e rolava, auxiliando o já perigoso Chicharito Hernández.

No costumeiro 4-3-3 de Ancelotti, o Chelsea penava pela falta de preparo de um time que chegou à antepenúltima rodada sem muita confiança no título. A falha conjunta de Ivanovic e David Luiz no gol de Hernández abalou muito a defesa azul, principalmente ambos, que, abalados psciologicamente, erravam de tudo. No meio, com Lampard omisso, pouca criação, e, pra piorar, Obi Mikel não achava Rooney, que deitava e rolava às suas costas. Sobrava para o ataque resolver. Malouda, Drogba e Kalou, porém, estiveram longe dos seus melhores dias.

Em escanteio oriundo da esquerda, Giggs tocou em Park, que devolveu nos pés do galês.  Ainda que simbólica, a trama dos dois pela esquerda resumia bem o que foi a primeira metade de jogo no Old Trafford. Sem muitas preocupações defensivas, o sul-coreano foi um monstro pela esquerda. Além de ganhar todas as disputas sobre Ivanovic, interagia muito bem com Ryan Giggs, o box-to-box que pode jogar em todas as posições do meio de campo, tamanha é a sua genialidade. Ao receber o passe, marcado pelo frágil Kalou, Giggs levou com facilidade a bola para o pé esquerdo, antes de cruzar na cabeça de Vidic: 2 a 0 Manchester.

A superioridade vermelha ficou ainda maior. Afinal, além de atropelar o Chelsea no ataque, o United ganhava todas com sua defesa segura e quase intransponível, munidas por mais uma ótima atuação de Carrick, sem dúvidas, o melhor volante do campeonato. Se não bastasse, o mítico Van der Sar ainda pegava tudo.

Somente um segundo tempo perfeito para salvar o time londrino. Ancelotti tentou chegar à perfeição com alterações pouco transformistas. Ramires no lugar de Obi Mikel e Alex no de David Luiz. Os brasileiros até entraram bem no jogo, mas não eram suficientes para vencer o Manchester, que, impulsionado pelo incansável Valência, mesclava compactação na defesa com velocidade nas transições ofensivas.

Mesmo sem dominar o time da casa, os Blues conseguiram um gol. Em bola parada, em rara falha da defesa vermelha, Ivanovic raspou e Lampard, bem melhor na segunda metade de jogo, completou. Tudo para pôr fogo no jogo. Tudo se, do outro lado, não estivesse o Manchester United de Alex Ferguson, em um jogo que decidiria o campeonato. Desta forma, é praticamente impossível vencê-los.

Contra o Manchester, não há como se pôr fogo no jogo. Por mais precária e preocupante que seja a situação, a organização e a tranquilidade continuam reinando no “Teatro dos Sonhos”. E foi assim que o jogo continuou. Jogando como campeão de fato, o United não se abateu com o gol e, por pouco, não fez o terceiro, em duas chances claras desperdiçadas por Rooney e uma por Hernández.

Um time que não mede esforços por taças. Um time que atropela nas finais. É o time das decisões. Comandado por um eterno campeão. Mais uma vez, a Inglaterra se rende ao Manchester United, que ainda pode fazer a Europa ajoelhar-se a seus pés. O Barcelona que o aguarde.

Segundo tempo

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