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30/04/2011 / Boleiragem Tática

Juventude, regularidade e futebol vistoso: o título merecido do Borussia Dortmund

Do time que venceu o  Nürnberg, neste sábado, por 2 a 0, e sagrou-se campeão alemão pela sétima vez na sua História, com duas rodadas de antecedência, somente o brasileiro Antônio Da Silva não havia sido titular com freqüência no time de Jürgen Klopp nesta temporada. Ele entrou no lugar de um dos grandes destaques da equipe, o turco Sahin, titular absoluto do time durante todo o ano, mas que não pôde jogar a grande “final”.

Com exceção dele e do japonês Kagawa, lesionado já há alguns meses, que está sendo substituído por Lewandowski desde a Copa da Ásia, todos os outros 9 jogadores que entraram em campo neste fim de semana foram titulares na maior parte da gloriosa campanha de 2010-11.

Isso mostra a constância de um time quase perfeito.  A regularidade que todos buscam. Um time que encantou a Alemanha pelo futebol desenvolto, ofensivo que joga. Um time cuja média de idade rejuvenescida faz brilhar os olhos de seus torcedores. Um time basicamente formado em casa, nas categorias de base do próprio Borussia Dortmund. Um time que, definitivamente, mereceu mais do que todos os outros a salva de prata deste ano.

Antes de mais nada, é dever lembrar da desconfiança por parte da imprensa e, até mesmo, da torcida, um show à parte nos jogos em casa. No início do trabalho, ninguém acreditava em uma boa campanha, que dirá em título. O time não tinha nem um nome impactante, de peso. Nenhum destaque absoluto. E não vinha de uma temporada muito boa. Mas era a média de idade(cerca de 22 anos) o grande alvo das críticas.

A habilidade de Jürgen Klopp em controlar um time jovem entrou em cena. E o treinador foi brilhante. Soube encaixar as peças certas no momento certo. E saber suprir os destaques de forma eficaz. Sem muitas contratações, sem muito dinheiro envolvido, montou um time baseado na base da temporada anterior e nos jovens valores de Dortmund. Não havia alternativa melhor.

Taticamente, o Borussia de Klopp se organizou em toda a Bundesliga no 4-2-3-1, com variações para o 4-4-1-1 frequentes. E movimentos táticos bem desenvolvidos, bem treinados e bem executados. Como, por exemplo, as subidas do segundo volante Sahin, como um falso box-to-box. Parece estranho na teoria, mas na prática funcionou muito bem.

Sahin não subia como um autêntico box-to-box inglês. Não com a mesma freqüência. Fazia isso de forma irregular e, por vezes, ataca pelos lados, trocando de posição com os wingers. Fazia do seu jeito, sem obedecer a um movimento uniforme. Pois não marcava, também, como o tal. As suas chegadas ao ataque eram dignas de um armador dos anos 70. Com a bola nos pés, procurando o companheiro mais livre, criando jogadas, fazendo lançamentos, parecendo, de fato, um verdadeiro meia.

Para isso, contava com a ajuda do ótimo Bender, cabeça de área de apenas 21 anos, o responsável pela cobertura do turco. E também pelo primeiro passe, sempre feito com precisão e seriedade. Sem dúvidas, a Alemanha está assistindo o surgimento de um excelente volante. Bem ao estilo alemão de ser. Sven Bender merece atenção especial.

Assim como o jovem Hummels, dupla de zaga do já experiente Subotic. Zagueiro alto, rápido, preciso e com um ótimo senso de posicionamento. Fez uma temporada brilhante.

Schmelzer e Piszczek, laterais bem equilibrados, foram coadjuvantes. Mas não desimportantes. Ajudaram muito os wingers a marcarem os laterais e wingers ou meias rivais. E o mais importante: foram constantes, regulares, como quase todo o time.

Ofensivamente, o Borussia foi fantástico. Talvez mais ainda do que no ponto de vista defensivo. O saldo de 45 gols positivos deixou a Alemanha boquiaberta. E fez cair a ficha nos torcedores borussianos: agora tinham a certeza de que presenciaram o surgimento de um time histórico. Sobretudo pela maneira como foram campeões. Jogando pra frente, com fluência, desenvoltura, valorizando a posse de bola, as trocas de posições, buscando sempre um gol a mais.

Todo esse jogo bonito, que encantou o país inteiro, se deve, em grande parte, ao trabalho do trio de meias. Antes da lesão de Kagawa, formado pelo japonês, e por Kuba e Götze, outra grande revelação desta  temporada. Depois da contusão do apoiador, o trio passou a ser com posto também por outro garoto, Grosskreutz, meia agudo, de bom drible e ótima visão de jogo. Não demorou para passar a ser outro destaque do time de Klopp.

Na frente, o artilheiro argentino naturalizado paraguaio Lucas Barrios. O homem-gol. E que homem-gol. Atacante rápido, de finalização invejável. E dono de uma presença na área incomparável atualmente na Alemanha. Talvez só o mítico Raúl faça frente. Até com uma costela quebrada ele foi importante para o time. Talvez o craque do campeonato.

Com uma comissão de frente dessas, até o limitado Lewandowski brilha. Como brilhou ao substituir o próprio Barrios em algumas rodadas, jogando improvisado de centroavante. Ou aberto pelo lado direito. E pelo esquerdo. Ou pelo meio, como neste sábado, por onde marcou um golaço, com direito a chapéu no goleiro e tudo. A versatilidade foi a sua grande arma.

O futebol alemão, enfim, volta à Uefa Champions League com um time leve, solto, ofensivo e, acima de tudo, jovem. Chega a lembrar o Arsenal, guardadas algumas proporções, que, ainda assim, não são tão grandes.

Os elogios também devem chegar com intensidade ao treinador Jürgen Klopp, o grande responsável pela montagem do time. O grande campeão nessa história toda. O homem que mostrou à Alemanha e ao mundo que idade e ofensivismo combinam de forma perfeita. E que competência e seriedade não devem ser compradas, e sim cultivadas.

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