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29/04/2011 / Boleiragem Tática

O principal problema do 4-4-2 de Paulo Roberto Falcão

Logo na sua apresentação no Beira-Rio, Paulo Roberto Falcão deixou claro que iria montar o time se baseando no 4-4-2, com dois volantes e dois meias abertos, os quais, na Inglaterra, ganharam a alcunha de wingers. Além das promessas de futebol ofensivo e vistoso, abrindo mão do pragmatismo comum a muitos técnicos brasileiros, o Rei de Roma garantiu que conseguiria fazer a sua engrenagem tática funcionar sem um “box-to-box”, figura imprenscindível para o esquema em questão na Inglaterra, onde, inclusive, fora criado e onde conseguiu maior sucesso.

No entanto, essa opção do treinador colorado traz alguns problemas para a equipe. O principal deles é que prejudica muito a criação de jogadas no setor ofensivo. Porque, assim, os dois volantes pouco sobem ao ataque, quase nunca carregando a bola, aparecendo como alternativa para um passe ou uma tabela, travando o setor.

Até porque os volantes preferidos de Falcão não têm características de um autêntico “box-to-box”. Guiñazu, por exemplo, raramente arrisca chutes de longe, dribles em sequência, tabelas com os meias ou laterais e afins. Bolatti até tem mais talento. Tem um bom passe, dribla relativamente bem, mas dificilmente se adaptaria à função com maestria. Não lembra, nem um pouco, um dos grandes exemplos a serem seguidos na função, o inglês Steven Gerrard, que por vezes é meia no Liverpool e volante na seleção inglesa.

No empate contra o Peñarol, nesta quinta-feira, pelo jogo de ida das oitavas de finais da Libertadores, o grande defeito do Internacional foi não ter um “box-to-box” para ajudar os wingers e atacantes na criação das jogadas. Em diversas situações da partida, Guiñazu e Bolatti “se livravam” rapidamente da bola, com passes curtos e rápidos, jogando a responsabilidade para os wingers D’Alessandro e Andrezinho.

O grande problema disso é que obriga um dos dois winger a centralizar seu posicionamento quando o outro recebe a bola, já que não há um volante para subir ao ataque e chamar o jogo para uma tabela ou uma jogada mais elaborada. E, com a centralização de um dos wingers, por mais que o lateral do lado “vazio” suba ao ataque, o mesmo lado fica desguarnecido, tanto ofensiva como defensivamente, causando o chamado “desequilíbrio tático” na equipe.

Rafael Sóbis poderia solucionar esse dilema, recuando para uma tabela com o winger, mas, junto com ele, virão seu(s) marcador(es), o que complica ainda mais a situação, facilitando, inclusive, o desarme rival. Portanto, ainda assim, a figura de um volante que apareça como elemento surpresa é essencial para a criação de jogadas no Internacional.

Para resolver o problema sem mudar o esquema, Falcão terá que abrir mão de seus pré-conceitos e de sua teimosia. O argumento de não possuir alguém capaz de desempenhar tal papel não é válido, uma vez que as improvisações e tentativas são muito bem-vindas. Andrezinho e Bolatti podem ser os primeiros a terem uma chance na função. O que não pode é continuar do jeito que está.

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