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26/04/2011 / Boleiragem Tática

Schalke 04 0 x 2 Manchester United – A tragédia anunciada que nem Neuer conseguiu evitar

Como começou: Schalke 04 num confuso e estranho 4-1-3-2 e Manchester dominante no 4-4-1-1.

No dia internacional dos goleiros, Neuer trabalhou bastante. E provou que, mesmo com uma atuação brilhante, nem sempre pode salvar uma equipe desorganizada. Contra o cada vez mais forte Manchester United, nem suas defesas brilhantes foram capazes de impedir a derrota dos “azuis reais”, totalmente perdidos taticamente e marcando muito mal durante boa parte do jogo dominado pelos ingleses, que puseram os dois pés na final da Champions, em Wembley, em maio.

A bagunça no setor ofensivo azul tornava difícil designar um esquema tático para o time alemão. Os meio-campistas trocavam de posição invariavelmente e de forma totalmente dessincronizada e desorganizada, abrindo um verdadeiro espaço entre a defesa e o setor de criação, propiciando uma posse de bola avantajada para o United, o dono do meio de campo e do jogo.

Como Papadoupolos aprofundava o posicionamento com as subidas dos laterais e, até mesmo, sem elas, configurou-se um estranho 4-1-3-2 na equipe alemã, com Farfán aberto pelo lado direito e Jurado saindo pelo esquerdo, como um meia-esquerdo, e não como winger. Daí a confusão. Para ser um 4-1-3-2 de fato, deveria haver um meia para articular o jogo por dentro e dois abertos pelos lados. O Schalke não tinha nada disso. Tinha, na verdade, uma verdadeira bagunça no setor de criação.

Bom para o United, que organizado e disciplinado no 4-4-1-1, com Rooney de ponta de lança e Hernández à frente, tomou conta do jogo e tratou de pressionar mesmo jogando fora de casa. Era pelos lados que os ingleses mais assustavam, já que Fábio e Evra, com liberdade e sem marcação dos meias alemães, faziam boas tramas com Park e Valência e, por vezes, até mesmo com o multifuncional e monstro Ryan Giggs, hoje como ‘box-to-box’.

Posse de bola, adiantamento das linhas de marcação, infiltrações pelos lados e por dentro. O United era absoluto. E o Schalke continuava perdido, com uma lacuna entre a defesa e o meio, absurdamente prejudicial ao time. Espaço que só aumentava com os aprofundamentos, por vezes desnecessários, de Papadoupolos. O gol visitante parecia questão de minutos logo no início do primeiro tempo. Uma tragédia anunciada para os “azuis reais”.

Tragédia que nem o melhor goleiro da atualidade na Alemanha e, sem dúvidas, uma das maiores revelações da posição nos últimos anos em toda a Europa, pôde evitar. O técnico Ralf Rangnick até tentou solucionar o imenso problema que havia criado. Pôs um volante no lugar de um meia, para equilibrar o time. Quase funcionou.

A entrada do volante Kluge no lugar de Baumjohann melhorou o time alemão, que voltava a atuar no 4-4-2 que surpreendeu a Inter de Leonardo, nas quartas de finais. Agora, sim, o Schalke tinha uma organização digna de um semifinalista de Champions League. E começava a igualar as ações do jogo quando o golpe fatal aconteceu. Fatal mesmo. O Manchester pode não jogar como o Arsenal, não ter os trunfos do Chelsea, mas é fatal como nenhum outro inglês é.

Aos 21, Rooney, que costuma finalizar as jogadas, preparou uma como um verdadeiro camisa 10. Uma visão de jogo digna de alguém como Giggs. O próprio galês recebeu dentro da área e, com um toque à La Rooney, venceu o paredão alemão. A inversão de papeis foi perfeita. Não poderia ser diferente o resultado de uma jogada protagonizada por craques.

O gol derrubou todo o time azul. A valentia dos limitados Metzelder e Matip já não tinha mais sentido. O pior é que tudo podia piorar. Sarpei sabia disso. E falhou feio dois minutos depois. Foi a vez de Hernàndez servir Rooney, livre de marcação: 2 a 0. A partir daí, só restou ao Manchester jogar como Ferguson mais gosta: no 4-5-1, encurtando espaços, marcando muito, compacto, e com muita, mas muita, força no meio de campo. A vitória por pouco não se transformou em goleada.

O que mais impressiona é a capacidade do time comandado por Alex Ferguson em controlar um jogo do início ao fim. Sem brilhantismo. Sem futebol bonito. Mas com muita força. O Manchester, hoje, é um time forte. Como era o São Paulo de Muricy, para usar um exemplo mais recente.

Com a vantagem de dois gols no placar e a chance de decidir a vaga na final em casa fazem do United um gigantesco favorito. O Schalke precisa de um verdadeiro milagre para eliminar um dos grandes candidatos ao título da Champions, virtual campeão inglês.

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