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16/04/2011 / Boleiragem Tática

Real Madrid 1 x 1 Barcelona – O primeiro round

Como começou: Real no 4-5-1; Barça no 4-3-3

Depois de muito mistério, José Mourinho mandou a campo um Real Madrid bastante defensivo, com Pepe no meio-campo e Özil, Kaká e Adebayor no banco de reservas. A promessa de um time ofensivo e agressivo logo no primeiro confronto da série de clássicos que tem tudo para parar a Espanha e o Mundo nos próximo 18 dias foi em vão. Viu-se, na verdade, um time combatente, raçudo, disposto a jogar a vida para conseguir parar a sensação do momento, que veste azul e grená, e joga um futebol quase perfeito. E não um time vistoso. E sim um time guerreiro.

No entanto, foi com 10 homens em campo, após a tola expulsão de Albiol, em pênalti bem marcado sobre David Villa e convertido por Messi, que o Real Madrid recebeu os maiores elogios da temporada. Afinal, mesmo com a desvantagem numérica, o time não se abateu diante do melhor time do momento, e partiu pra cima. Com muita coragem. Acabou premiado com um empate que, no fundo, acabou sendo justo.

Mas coragem e garra não são suficientes para vencer o Barcelona. Talvez sim para pará-lo. Como o Real conseguiu em todo o primeiro tempo. Em boa parte devido ao sacrifício dos atacantes e meias em voltarem para recompor a defesa, sob ordens  de Mourinho. Uma verdadeira retranca se montava no campo de defesa merengue quando o time estava sem a bola, dificultando muito o “tiki-taka” catalão.

Por vezes, era possível ver todos os jogadores do Madrid atrás da linha do meio de campo. O combate começava com Benzema. E o objetivo era recuperar a bola o mais rápido possível. Sem medir esforços. E muito menos força. Com a redonda, a ordem era contra-atacar. Novamente com a maior rapidez possível. O segredo era sair pelos lados, com os velozes wingers e os ágeis laterais merengues.

Quando trabalhava mais a posse de bola e produzia tramas mais pensantes, o Real se comportava no 4-1-4-1, com Pepe à frente da zaga e uma linha de meias formada por dois volantes e dois wingers. Na frente, Benzema. Todavia, era na marcação que o Real dava show, parando o melhor time da atualidade, com ótimas exibições dos volantes Xabi Alonso, Khedira e Pepe, perfeitos na primeira etapa.

Mas era realmente na velocidade e na verticalização que o time comandado pelo ‘The Special One’ assustava o gol de Valdés. Muitas vezes pela direita, com Cristiano Ronaldo – como no primeiro turno, Mou inverteu o português com Di María -, Sérgio Ramos e Khedira, que além de anular Iniesta sem a bola, atacava às costas do espanhol quando a tinha. Uma partidaço do volante alemão.

Enquanto isso, o Barça tentava impor o seu estilo. Dominando e retendo a posse de bola, buscava a sua principal jogada: os lançamentos de Xavi, Messi, Iniesta e Cia para as entradas em diagonais dos atacantes e dos laterais. É a principal arma do 4-3-3 de Guardiola. Ainda que jogasse de novo em linha, a zaga do time da casa não errava o posicionamento, pouco sofrendo com o trunfo quase fatal dos catalães.

Para piorar a situação dos blaugranas, Messi não fazia um bom primeiro tempo. Muito bem vigiado por Pepe, recuava demais e tinha pouco espaço para criar. Fora alguns lances geniais, que por pouco não resultaram em gol. Era na genialidade e na individualidade do melhor jogador do mundo que o Barcelona mais incomodava o Real.

No entanto, na segunda etapa, o panorama mudou de forma drástica. Logo aos 6, Villa recebeu lançamento em profundidade e, quando ia chutar, recebeu uma gravata totalmente irresponsável de Albiol. Pênalti e expulsão do madrilenho. Messi não bateu como Messi, mas fez 1 a 0. O jogo que era muito equilibrado mudou de rumo. E o Barça passou a controlá-lo da forma que mais gosta: tocando a bola, girando o jogo e criando chances sobretudo nas incursões em diagonais dos seus jogadores de lado de campo.

Houve diversas chances para o time visitante ampliar o marcador e praticamente decidir o jogo e o campeonato. Casillas salvou todas. E Mourinho resolveu mexer. Aos poucos, foi reorganizando a equipe, e o principal: encorajando-a. Primeiro, pôs Özil no lugar de Benzema. Depois, colocou Arbeloa e Adebayor em campo, nos lugares de Xabi Alonso e Di María. E remodelou sua equipe no 4-1-3-1, voltando a atacar o Barcelona.

Apesar de ceder contra-golpes perigosíssimos e sofrer quando jogava sem a bola, o Real Madrid foi para cima. Com Marcelo voando e Özil jogando muita bola. Foi do alemão o passe para o brasileiro cair dentro da área. Pênalti marcado pelo árbitro espanhol. Pênalti muito bem batido por Cristiano Ronaldo. Pênalti que mudou novamente o jogo.

A torcida merengue ficou eufórica. E o jogo ficou ainda mais tenso. Uma chute de Khedira, aos 44 da segunda etapa, na linha da grande área, defendido por Valdés, poderia ter mudado o futuro dos três confrontos que ainda restam. No entanto, apesar do empate e da grande distância para o rival na liga espanhola, o Real Madrid ganhou uma confiança que não tinha. Descobriu que pode, sim, parar e vencer o Barcelona.

Pior para os culés, que ainda perderam seu zagueiro e capitão Carles Puyol, com contusão muscular, e viram o rival merengue crescer muito de produção. O equilíbrio do qual muitos duvidavam enfim apareceu na overdose de clássicos que se segue. Na próxima quarta-feira, teremos o segundo round do duelo, pela final da Copa do Rei. Que vença o melhor.  Que todos joguem o melhor. O futebol agradece.

Como terminou: Barça ainda no 4-3-3; Real, sem Albiol, no 4-1-3-1

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3 Comentários

Deixe um comentário
  1. Arthur Barcelos / abr 16 2011 22:45

    Excelente análise Lucas. E que jogaço taticamente falando hein!? Mourinho calou a boca dos críticos e conseguiu “dominar” o Barça na defesa. Faltou um pouco mais de ofensividade no início do jogo por parte do Real, mas no segundo tempo com um a menos foi pra cima corajosamente, mereceu o empate (se não a vitória!).

    Abração parceiro!

    • Arthur Barcelos / abr 16 2011 22:47

      Só um pequeno detalhe parceiro, o Xavi aí está invertido com o Iniesta, no segundo desenho.

      • Boleiragem Tática / abr 17 2011 5:04

        É de propósito, amigo. No segundo tempo, eles trocaram de lado propositalmente. Pegue algum vt que verás isso claramente na maior parte da segunda metade de jogo. Abração

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