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21/03/2011 / Campo de 11

Vasco 2 x 0 Botafogo – As boas novas da Colina e o desgaste de Joel

Como começou

Há um mês atrás, o Vasco enfrentava uma desagradável crise e lamentava a péssima campanha na Taça Guanabara, enquanto o Botafogo se preparava para disputar uma vaga para a final do primeiro turno do Carioca. Passados exatos 28 dias, o panorama praticamente se inverteu. Com as chegadas de Bernardo, Diego Souza e do técnico Ricardo Gomes, o time cruzmaltino parece ter se acertado e, com a vitória sobre o rival Alvinegro, assumiu a liderança do Grupo A. A derrota por dois gols de diferença causou um furacão na torcida rival, que chegou a vaiar o time e ofender bastante a postura de Joel Santana, cuja imagem está cada vez mais desgastada em General Severiano.

Se o elenco vascaíno pôde ser remodelado, recebendo novas peças, o alvinegro esvaziou-se. Renato Cajá, um dos raros meias de orige aptos a entrar em campo, negociou sua transferência para o futebol chinês. Com isso, o único armador do grupo no auge da forma passa a ser Éverton. E é no camisa 11 que Joel baseia todo o seu jogo ofensivo e boa parte de suas esperanças. Na partida de hoje, o apoiador revelado pelo Paraná Clube cansou na segunda etapa e pediu pra sair. O resultado foi uma série de vaias, seguidas de xingamentos ao treinador, que optou por improvisar o atacante Alex na função.

As críticas ao trabalho do “Rei do Rio” não se devem somente  no quesito substituição. A forma como a equipe se comporta causa indignação à torcida, que quer, cada vez mais, ver o time mais ofensivo, mais leve. Depois de escalar três volantes e três zagueiros contra o humilde River-PI, e acabar derrotado, a paciência dos adeptos atingiu o fundo do poço. Mesmo assim, Joel manteve quase toda a estrutura tática, com Rodrigo Mancha fazendo a função de um “falso terceiro zagueiro” – típico volante que aprofunda o posicionamento.

E o resultado foi desastroso. Com Somália em má fase e Arévalo longe do auge de sua fora física e técnica, o Bota perdeu toda a saída de bola, e passou a apelar para os chutões, na expectativa que o porte físico de Loco Abreu pudesse resolver. Mas nem o ídolo uruguaio estava numa noite boa. Seu companheiro de ataque, Herrera, estava mais preocupado em reclamar com a arbitragem do que jogar futebol. E pra piorar ainda mais a situação, os laterais fizeram um péssimo primeiro tempo, afunilando o jogo, e acabaram substituídos no segundo. O jeito era torcer pra que Éverton resolvesse. Bem marcado por Rômulo, o primeiro volante vascaíno, ele pouco produziu e cansou antes dos 30 da segunda etapa.

Bastava ao Vasco um mínimo senso de organização para a vitória ser construída com alguma facilidade. E o Vasco tinha mais que isso. Montado por Gomes no 4-3-2-1, a equipe da Colina marcava bem e dificilmente errava uma saída de bola. Numa de suas melhores atuações desde que voltou ao Brasil, Felipe foi preciso nos passes e soube armar bem o sistema ofensivo vascaíno pelo lado esquerdo. Pela direita, Eduardo Costa desarmava com facilidade Márcio Azevedo e subia bem ao ataque, distribuindo bem o jogo e, por vezes, confundindo os volantes-meias alvinegros.

Se não bastasse uma boa atuação dos motores da tríade de volante cruzmaltina, os dois meio-campistas mais adiantados se entenderam muito bem, apesar de estarem jogando juntos pela primeira vez. Se movimentando bem e trocando constantemente de lado com Bernardo, o estreante Diego Souza não fez uma partida sensacional, mas foi bem no primeiro jogo ostentando a 10 que já foi de Roberto Dinamite. Bastante participativo, tramou boas jogadas também com Éder Luís e o versátil Allan, discreto mas eficiente na lateral-direita. Por pouco não marcou no primeiro tempo.

No segundo tempo, não demorou para balançar as redes com um belo gol, em falha de João Filipe, ao driblar Jefferson, mais uma vez muito bem no comando do gol alvinegro. Mas o golaço da noite ainda estava por vir. Em escanteio cobrado da direita, Dedé raspou de cabeça e Éder Luís, de voleio, assinou uma obra-prima. Com a vantagem no placar, o Vasco dominou ainda mais a partida. O Botafogo, que tinha voltado melhor para a segunda metade do duelo, com as linhas de marcação mais adiantadas e mais pressão na saída de bola adversária, acusou o golpe.

Com as alterações de Joel Santana – trocou Lucas por Caio e Márcio Azevedo por Marcelo Mattos – e a saída de Éverton, o time se perdeu de vez. Com um buraco entre a defesa e o ataque, era na base da superação que a equipe tentava ameaçar o gol de Fernando Prass. Do outro lado da batalha, o Vasco tocava a bola e ouvia as reclamações e os protestos irônicos da torcida alvinegra, que pedia a expulsão de Joel e gritava “olé” ao olhar o rival tocar a bola. No fim, vitória merecida aos vascaínos, derrota justa para os alvinegros, que continuam sem jamais terem vencido o Cruzmaltino no Engenhão.

Prestes a enfrentar um Fluminense ainda confuso dos objetivos no ano, o Vasco já causa alegrias e orgulho ao seu torcedor. As boas novas da Colina são os reforços recém-chegados e a melhora da equipe dentro de campo. O pesadelo do primeiro turno parece, enfim, ter chegado ao fim.

Em General Severiano, a situação é totalmente contrária. Em crise, o Botafogo se vê refém de um padrão de jogo extremamente defensivo, pragmático em alguns sentidos, e, acima de tudo, fruto de uma filosofia de trabalho muito desgastada entre a torcida e parte dos dirigentes. Não que a culpa seja toda de Joel Santana. A diretoria tem a sua parcela. Porém, em alguns momentos, mudanças podem ser muito bem-vindas no mundo do futebol. Talvez esteja na hora do “papai” dar liberdade a seus “filhotes”. Pelo menos é isso que os resultados provam.

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2 Comentários

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  1. Arthur Barcelos / mar 21 2011 4:04

    Valeu pela visita parceiro! Não cheguei a ver esse jogo, mas pelo que li na net, muitos elogios ao Vasco no 4-3-2-1. Eu gosto muito das formações com 3 volantes, principalmente a 4-3-1-2, mas essa é uma boa variação. Me surpreendi por ver o Eder Luis no centro, ele chegou a fazer um papel de “falso” 9?

    Abraço!

    • Boleiragem Tática / mar 21 2011 4:31

      Fala Arthur,

      Obrigado também. Quanto ao Éder, não o vi nessa função, não. Apesar dele se movimentar e sair muito da área, principalmente abrindo seu posicionamento pelos lados. Com isso, por vezes, o Diego Souza passou a ser o “centroavante”. Mas foram momentos à parte da partida em si.
      Abração e volte sempre!

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