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09/03/2011 / Campo de 11

Contra um Arsenal covarde, o Barcelona reinventa o 2-3-5

O 2-3-5 da pressão catalã e a retranca de Arsène Wenger, com o aval do autor do campinho, o mestre André Rocha, do Olho Tático.

Fantástico como de costume – salvo caríssimas exceções -, o Barcelona jogou como Barcelona, e massacrou um Arsenal retrancado e covarde com um futebol soberano, intenso e três gol resultantes de ótimas jogadas. No fim, o 3 a 1 com outro show de Xavi, Iniesta, Messi e Cia. foi pouco para tantas chances de gol criadas.

Apesar de organizado no 4-3-3 habitual montado por Pep Guardiola, a equipe catalã variou nitidamente para um esquema bastante antigo, ultrapassado para o futebol moderno, porém eficiente quando se trata de um time sensacional, com jogadores geniais e um extraterrestre vestindo a camisa 10. Não há como não fazer uso da metáfora para descrever Lionel Messi. Absolutamente mágico.

OS Gunners, por sua vez, decepcionaram. Pareciam estar mirados na Internazionale da temporada passada, que, comandada por José Mourinho, abusou da retranca para travar o Barcelona à base de faltas, disciplina tática e muita marcação, contrastando com um bom futebol, vistoso e agradável aos olhos dos espectadores. E viram o Rolo Compressor deste século atropelar. Dessa vez, com uma nova variação de esquema tático.

O esquema em questão é o 2-3-5, criado pelo Blackburn Rovers, em 1884. Mais conhecido como “A Pirâmide”, o desenho tático do time inglês mesclava ofensividade com movimentação. E também contava com uma certa dose de equilíbrio entre ataque e defesa.

Essencial para a época, o meio de campo era, ao mesmo tempo, o cérebro, a criação, e a marcação, o combate. Com três meias alinhados. O meia-central era o grande armador da equipe, responsável por fazer lançamentos e praticamente levar a bola da defesa ao ataque. No entanto, também deveria marcar o atacante-central do rival, desdobrando-se em campo. Uma espécie atrasada de “box-to-box”.

Nesta quarta-feira, o Barcelona abusou de se posicionar em campo no 2-3-5, sobretudo nos grandes momentos de pressão ao Arsenal, que marcava no seu campo de defesa configurado no 4-5-1, com Fábregas se esforçando para se aproximar do quase solitário Van Persie.

Depois da expulsão – justa, na opinião deste que vos escreve, e, acima de tudo, coerente – do holandês Van Persie, o Arsenal se fechou mais ainda e abdicou das ações ofensivas. Foi aí que o Barcelona praticamente adotou até o fim da partida o 2-3-5, quase idêntico ao original, todavia com uma diferença: Messi.

Genial como sempre, o argentino novamente desempenhou a função de “falso nove”. Daí a oposição de idéias entre as duas épocas. Em 1884, a referência do ataque não necessariamente jogava com a 9 ou a 10, mas era um centroavante nato. Referência mesmo. Que pouco se movimenta, pouco volta para marcar. Um verdadeiro camisa 9 dos tempos modernos.

Fora isso, o que se viu no Camp Nou durante boa parte dos 90 minutos foi um Barcelona extremamente ofensivo, insinuante, e no 2-3-5. Semelhança forte para o original, a equipe de Guardiola também marcou por zona e atacou com 6 a 8 jogadores, defendendo-se com muito menos.

Se não fosse a cautela excessiva e a diferença numérica em campo por parte dos Gunners, o esquema se tornaria quase inviável. Ademais, as inúmera virtudes blaugranas, tais como a posse de bola, “as pequenas sociedades” e a excelente movimentação de seus homens de frente, também foram imprescindíveis para a adoção dessa variação tática.

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5 Comentários

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  1. abarcelos77 / mar 9 2011 4:29

    Vou colocar o mesmo comentário que coloquei no blog do Cecconi.

    Muito bom o post Lucas, parabéns!

    Pra mim o Wenger falhou, e muito! O Diaby não é esse homem pra ficar mais atrás, eu usaria o Denilson. Aí colocaria o Diaby na segunda linha do meio, não jogaria com o Fabregas de jeito nenhum e, muito menos com o Van Persie, que não estava 100%, usaria o Nasri aberto na direita, e Arshavin aberto na esquerda, Wilshere no meio ao lado do Diaby, Bendtner no centro do ataque. Ou seja, seria um time que conseguiria parar Xavi e Iniesta (os que fazem o Barça funcionar) e Denilson na sobre pra ajudar no combate ao Messi. E uma saída rápida, coisa que o Arsenal não tinha, tanto é que não finalizou uma vez sequer.

    Abraço!

  2. Boleiragem Tática / mar 9 2011 4:42

    É uma das alternativas. Quanto à postura dos Gunners, faltou coragem, ofensividade. Quanto ao Diaby, não acho que ele tenha ido mal. Ademais, Denílson nao esta numa fase boa. O brasileiro foi mal contra o Sunderland, e talvez por isso Wenger tenha optado pelo francês. E, pra terminar, concordo com você: Arshavin não pode ser reserva desse time. Mas Fábregas tbm nao.

    Abracos

  3. abarcelos77 / mar 9 2011 4:50

    Sei… mas falo do Fabregas, com 20 min deu pra perceber que ele não queria nada no jogo. Van Persie não poderia ter jogado sem estar 100%. O Bendtner pode não ser um grande finalizador, mas tem velocidade. Coisa que a defesa do Barça não tinha nesse jogo. No demais parabéns a ousadia de Pep Guardiola.

    Abraço!

  4. Douglas / maio 13 2011 19:03

    Fabregas e um gênio,eu se inspiro nele para jogar

  5. felisberto / maio 18 2011 21:15

    sou do real madrid mas tenho que esse barcelona e esse messi que nao sei de que mundo veio foi um justo vencedor…
    bom comentario do jogo

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