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06/02/2011 / Campo de 11

Chelsea 0 x 1 Liverpool – A retranca de Dalglish

O panorama de quase todo o jogo: Liverpool bem fechado na defesa, no 3-4-2-1, enquanto o Chelsea penava com a falta de articulação no meio, apesar da ofensividade da equipe no 4-3-1-2.

As estratégias eram totalmente distintas, e bem claras. Enquanto os donos da casa, empolgados pela estréia da maior contratação da história do clube, preparavam-se para o ataque com um 4-3-1-2 ofensivo, os visitantes se retraíam, num 3-4-2-1 bastante defensivo, porém muito bem executado.

No fim, a retranca ofuscou a ofensividade. Com plano de jogo, marcação por zona eficaz e uma estratégia muito bem definida por , o Liverpool foi pragmático, não chegou a dominar o jogo, mas anulou o sistema ofensivo azul com correção.

Apesar de truncado, o jogo apresentou duelos táticos interessantes. Além dos alas vermelhos, que empurravam Bosingwa e Ashley Cole à defesa, Gerrard e Lampard travaram um duelo interessante no meio de campo. Os dois camisas 8 tinham liberdade nas costas do marcador. Com a bola, ambos chegavam bem ao ataque, encostavam nos atacantes com facilidade. Sem ela, recuavam para ajudar no combate aos meias rivais.

Taticamente, o Chelsea não foi bem. Ancelotti escalou mal. Com a ânsia de pôr Fernando Torres em campo, optou por sacar Malouda da equipe, improvisando Anelka como articulador. Totalmente desambientado na nova função, e sem características para jogar em tal posição, o francês foi muito mal. E travou o Chelsea, que ficou sem armação no meio, dependendo muito das subidas de Lampard.

Quando o camisa 8 dos Blues subia ao ataque, o esquema tático da equipe mudava. Com os volantes ainda postados na proteção à zaga, Lampard se juntava a Anelka na armação de jogadas, configurando um 4-2-2-2 bem nítido. Enquanto isso, o Liverpool continuava a se defender, com Meireles se matando para fechar o meio, e Gerrard quase como um terceiro volante, sobretudo sem a bola.

A retranca vermelha começou com defeitos na saída de bola. Lucas quase deu de mãos beijadas o primeiro gol de Torres com a camisa dos Blues. Depois foi a vez de Agger errar a saída de bola e quase complicar o goleiro Reina. Mas a aplicação tática dos defensores supria as falhas na saída de bola. O trio de zaga se posicionavam com maestria sem a bola, e, com ela, abriam o posicionamento, ‘espetando’ os alas, que, por conseguinte, empurravam e travavam os laterais do time da casa.

Boa parte do sucesso do sistema defensivo do Liverpool se deve, também, à atuação esplendorosa de Jamie Carragher, um monstro nos desarmes. O experiente zagueiro dos Reds não errou antecipações, não demonstrou lentidão e foi mais que preciso nos desarmes. Atuação impecável.

Se o empate sem gols parecia um grande resultado para os visitantes, uma vitória seria algo fantástico. E ela veio. Na base da garra, da superação. Com Gerrard atacando pela direita, nas costas de Lampard, e cruzando para área. A indecisão entre Cech e Ivanovic, que já haviam discutido asperamente na primeira etapa, facilitou muito para Raul Meireles, que, livre de marcação, bateu de esquerda para o gol praticamente vazio.

A retranca intensificou-se com a vantagem no placar. E o jogo se transformou num treino de ataque contra defesa. Com direito a contra-ataques para os “defensores”. Num deles, o leão em campo, Dirk Kuyt, deixou Fábio Aurélio em boas condições de marcar, mas o brasileiro, que entrou bem no jogo, desperdiçou a chance. Nem mesmo com Malouda, Anelka, Droga, Lampard e Kalou juntos em campo, O Chelsea conseguiu assustar de verdade a fortaleza vermelha.

Na estréia do apagado Fernando Torres, quem brilhou foi Kenny Dalglish, com sua estratégia defensiva, seu pragmatismo e os tão criticados três zagueiros, que, ao menos na tarde deste domingo, foram essenciais para uma vitória guerreira da equipe da Terra dos Beatles.

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