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13/09/2010 / Campo de 11

Por que Felipão não consegue montar o seu time ideal

O Palmeiras ideal pode ser este, com um trio de meias que mescla experiência, juventude e velocidade. Pra torná-lo mais ofensivo, dois laterais que atacam muito mais que marcam. Cobertura fundamental por parte de Edinho.

Rei dos empates ao lado do Vasco, com quem não saiu do zero no último domingo, o Palmeiras de Felipão enfrenta uma fase impressionantemente oscilante. Não consegue ter sequência. Mesmo sendo um técnico absurdamente diferenciado de grande parte dos quais trabalham no continente, Luiz Felipe Scolari não conseguiu, ainda, montar seu time ideal e arrancar na tabela. Justamente o que se espera dele desde a sua chegada ao Palestra Itália.

Alguns torcedores criticam a diretoria pela qualidade dos reforços e do grupo oferecido ao comandante, com exeção, é claro, das voltas de Kleber e Valdívia, ídolos locais. Todavia, esse argumento não é devidamente real. Afinal, Rivaldo fez um belo início de campeonato pelo Avaí;Tinga é uma das maiores revelações da Ponte Preta nos últimos anos; Fabrício provou ser um ótimo zagueiro na Libertadores deste ano. E por aí vai. O problema do Palmeiras é o entrosamento, que não vem de jeito nenhum.

Felipão não consegue montar seu time, sua base. Mexe muito na escalação jogo por jogo e adia, por diversas vezes, a consolidação de uma formação ideal. Com o elenco polivalente que tem, já era para ter alcançado tal objetivo. Obviamente que as contusões e suspensões atrapalharam, porém o grande demérito do treinador foi pensar muito em mudanças e transformações táticas. O passado recente é a prova real disso.

Logo que chegou, sem conhecer gigantesca parte dos jogadores, ele tentou impor um futebol à européia. De cara, abriu dos meias pelos lados, acabou com as liberdades dos laterais e implantou um 4-3-3, que não demorou muito para se transformar num 4-2-3-1. A princípio, tinha para si que Pierre era o cabeça-de-área, M.Assunção o segundo volante, Márcio Araújo o meia pela direita, Ewerthon pela esquerda e Lincoln pelo centro. Utilizou bastante essa formação nos primeiros jogos, lembrando bastante o 4-2-3-1 ‘torto’ de Dunga na Copa de 2010.

A primeira aposta de Felipão: um 4-2-3-1 bem parecido com o de Dunga na Copa deste ano. Os resultados não vieram e a mudança ficou cada vez mais iminente

Mas os resultados positivos não surgiam e era preciso mexer. Scolari mexeu. Deu chance para Edinho, que se firmou na cabeça de área. A grande mudança foi na prancheta. O 4-2-3-1 deu lugar a um tradicional 4-2-2-2, testado por ele nas épocas de Chelsea e seleção portuguesa. Foi, aliás, o time que mais deu certo no Verdão. Tinga como meia pela direita tocava bem a bola, apesar de tentar pouco as jogadas individuais. Lincoln pensava o jogo como articulador do lado do volante ex-Ponte Preta, e Luan se revezava com Ewerthon como segundo atacante, sempre ao lado de Kleber – exceção feita aos desfalques do Gladiador.

A segunda tentativa de Felipão: o 4-2-2-2 tradicional. Foi a alternativa que gerou melhores resultados, mas, com a chegada de Valdívia, Scolari se precipitou e mudou de novo a formação.

Até que Valdívia chegou. E Felipão se precipitou. Achava primordial pensar um lugar no time titular para o ‘Mago’. Testou Valdívia como meia-central, como armador ao lado de Lincoln e até como segundo atacante. O chileno, com um edema na coxa, não conseguiu manter o ritmo e o preparo físico dos tempos áureos com a camisa alviverde, não rendendo, portanto, o esperado. E os testes de Luiz Felipe, mais uma vez, iam em vão. Enquanto isso, o campeonato corre. Sem parar. E o Palmeiras vai ficando para trás.

Vale lembrar, no entanto, que Felipão também teve acertos. Como Marcos Assunção, o volante perfeito que o técnico palmeirense achou. Mas esses foram em menor número em relação aos números. Tudo bem que os erros devem ser divididos em diversas causas, incluindo falta de sorte, má fase de atletas, adversários e etc. Contudo, mexer muito no time foi crucial para determinar a queda vertiginosa do Verdão na tabela.

Felipão precisa, antes de mais nada, montar seu time titular. Seu esquema. Sua base. Aí, sim, poderá pensar em arrancar. Contra o Vasco, voltou ao 4-2-3-1, com Luan aberto pela esquerda e Ewerthon pela direita. Márcio Araújo, que já foi testado em inúmeras posições, era o meia-central, mas não criava e prendia o time atrás. Faltava Valdívia. O chileno entrou, porém as condições físicas precárias não o deixam ser o mago que era em 2008. Edinho, ao menos, se firmou como primeiro volante. E Marcos Assunção como segundo. Kleber é o centroavante. E os meias? É aí que mora o problema. No 4-2-3-1 de Felipão, a grande indefinição se encontra no meio-campo, pela diversidade.

Tinga pode funcionar como meia-direita, talvez mais recuado. Ou Márcio Araújo. Na esquerda, Rivaldo, Luan e Ewerthon são as melhores opções. Por dentro, Lincoln deve ser o cara. Ou Valdívia, se este se recuperar fisicamente. Fica nítido que Felipão está repleto de opções. Mais ainda que esse é o seu grande problema, pois ele quer testar todas e acaba não criando uma base consistente e fiel a seu estilo. Não são precisos reforços. É preciso confiaça e paciência, para que o time titular ideal seja logo encontrado.

Na visão deste blogueiro, apesar da fibra e experiência de Márcio Araújo, Tinga se encaixaria melhor no 4-2-3-1, pela direita. Valdívia dificilmente vai conseguir ficar 100%, portanto Lincoln é o cara na meia-central. Na frente, Luan é muito menos decisivo e incisivo que seu concorrente. E, para tornar o time mais ofensivo, sobretudo nos jogos fora de casa, uma boa alternativa seria a escalação de Vítor e Rivaldo – este improvisado – nas laterais, com Edinho os cobrindo. Quem sabe não aparece, assim, o time ideal para Felipão? O futuro irá responder.

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One Comment

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  1. André Luís Marçal Júnior / set 14 2010 13:53

    Salve blogueiro! Parabéns por mais um post! Concordo em genê número e grau. A única variação que eu faria depedendo da forma física dos jogadores e os adversários. É o revezamento nas laterais. Concordo com os titulares descritos Vitor e Rivaldo, só que dependendo do adversário eu colocaria o Fabrício se fosse fora de casa ou se o time atacasse mais por aquele lado. E pela direita dependendo da forma física e dos treinamentos revesaria o Vitor com M.Araújo que como você mesmo falou, seria uma opção no meio no lugar do Tinga também. Concordo também que no momento deixaria o Lincoln como titular podendo no futuro trocar pelo Mago e no ataque sem dúvida Ewerton é bem mais produtivo que Luan, que apesar de ser xará de um cantor que está fazendo sucesso atualmento, não é o “meteoro da paixão” da torcida do palmeiras.
    Agora uma pergunta, não sei saber me responder, por onde andam Armero e Lenny???

    []s

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