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10/09/2010 / Campo de 11

Santos 0 x 1 Botafogo – Quando Joel Santana resolve

Impressionantemente movimentativo, o 4-2-2-2 de Júnior confundia a trinca de volantes carioca e engolia o Botafogo no primeiro tempo

Extremamente defensivo e com poucas projeções ofensivas, o Botafogo era presa fácil ao Santos de Dorival na primeira etapa. Jefferson fazia milagre para evitar um primeiro gol santista. Tudo indicava para uma vitória fácil do Peixe. Menos Joel. Com ele, não há jogo perdido. Bastou o “natalino” mexer três vezes para mudar completamente o rumo da partida e o Bota conquistar três pontos decisivos na briga pelo título.

Apesar de intenso durante todo o primeiro tempo, promovendo boas trocas de posições e passes, o Peixe pareceu cansado e lento na segunda etapa e, mesmo diante das modificações de Dorival, não reagiu. Parecia estar abatido. Sentia falta de Ganso. Pois Marquinhos, um dos articuladores do 4-2-2-2 montado por Júnior, não conseguia fazer a bola parar no campo de ataque, não podendo ditar o ritmo e criar boas jogadas.

O talento era a melhor saída. Mas a marcação fortíssima individual implementada por Joel ao sistema ofensivo do Santos era absurdamente vantajosa ao time carioca. Marcelo Mattos era o “carrapato” de Neymar; Leandro Guerreiro colava em Zezinho e Fahel em Marquinhos. Todavia, é impossível marcar desse jeito um time em que posições fixas não são respeitadas. Por isso a marcação se embolou tanto no primeiro tempo e, por pouco, o Peixe não abriu o placar.

Aos poucos, porém, o Bota ia se soltando, com Marcelo Cordeiro cheio de liberdade pela esquerda e Renato Cajá monitorando o meio de campo. Faltava, no entanto, Maicosuel entrar na partida. Herrera, isolado na frente, brigava sem êxito pela bola.

Na segunda etapa, Joel tirou Fahel, desfez o 4-3-1-2 que havia armado por cautela, e, por puro instinto de vitória, pôs seu talismã Caio. Seria dele, minutos depois, o cruzamento para Edno ajeitar e Loco Abreu marcar o gol da vitória. Dorival também mexera: saia Keirrison e Marquinhos, apagados no jogo, para as entradas de Zé Eduardo e Mádson. Porém, as alterações santistas não funcionavam. O time só caía de produção…

Joel Santana tem muita estrela. Ao passo que o time ia dominando o segundo tempo, ganhando mais ofensividade e volúpia atacando e sufocando o mandante da partida, o técnico ia preparando suas artimanhas. Primeiro, chamou Edno para o lugar de Herrera. O time, então, passou a atuar num 4-2-4, com Maicosuel revezando com o camisa 11 a função de centroavante.

No entanto, o melhor ainda estava por vir. Minutos depois de pôr em jogo mais um atacante, Joel fez as pazes com Loco e tirou Maicosuel, esgotado fisicamente. A estrela de Joel só não brilhou mais do que a Solitária quando Abreu dominou dentro da área, tirou do goleiro Rafael e estufou as redes, marcando um golaço. O gol que valia três pontos e uma terceira colocação importantessíma. O gol que se traduzia num pedido de desculpas por parte do atacante ao seu mestre. O gol que põe o Botafogo como candidato ao título.

As mexidas decisivas de Joel, que transformaram o Bota num 4-2-3-1 bastante ofensivo, acabaram com o time de Dorival, preso no 4-2-4 desorganizado.

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2 Comentários

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  1. André Luís Marçal Júnior / set 10 2010 15:20

    Excelente análise tática. Como um bom botafoguense assisti a partida, que foi muito disputada. As duas equipes msotraram muita correria, e poder ofensivo. Porém segundo tempo devido ao cansaço erraram muitos apsses e perderam muitas bolas. Sua anílise tática foi perfeita. Só faço uma ressalva, Botafogo quando atacava M.Cordeiro virava mais um atacante e alesandro virava zagueiro marcando individualmente o neymar. Ficava num 3-2-4-1, com Edno e Cordeiro fazendo revezando como ponta ou indo na área. O gol foi todo o dedo do papai Joel. Não só pq os 3 jogadores que entraram participaram, mas pq Joel insistiu, gritou, quase foi expulso de tanto passar da área técnica para mandar o caio cair pela direita. Parabéns pelo trabalho!

    • Boleiragem Tática / set 10 2010 16:28

      Andre, Muito obrigado pelos elogios. Quanto à sua ressalva, o Alessandro soube marcar bem o Neymar, mas por muitas vezes, até mesmo no segundo tempo, era auxiliado por Marcelo Mattos, ficando mais na sobra, e tendo, inclusive, liberdade para subir ao ataque. Marcelo Cordeiro realmente atacou muito, criou diversas chances de gol pela ponta-esquerda, até mesmo pelas gigantescas limitações defensivas de Pará. Abraços On Sex 10/09/10 12:20 , “comment-reply@wordpress.com”

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