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30/08/2010 / Campo de 11

Fluminense 2 x 2 São Paulo – Os erros do líder que está longe de ser imbatível

Fluminense num 4-3-2-1 inovador de Muricy, com a dupla de armadores mais perto do gol adversário. São Paulo um 4-3-3 que variava para 4-3-1-2, com Marcelinho ora como ponta, ora como articulador

Bastou uma sequência de vitórias com um futebol vistoso e a consolidação da liderança por algumas rodadas para que grande parte da torcida e dos especialistas tachassem o time como imbatível. No entanto, o Fluminense está longe de merecer essa alcunha. Ainda que possua um time bem definido e técnico, um elenco diversificado e qualificado, além de um técnico super-campeão, os erros crônicos do time, desmontados já há algumas rodadas e evidenciados neste domingo, comprovam isso.

E quando os defeitos são explorados com extrema eficiência por um time bastante capaz de vencer fora de casa e disposto a jogar de igual para igual com o líder do Brasileirão, a situação se torna insustentável.

Sem Gum, Diguinho e Emerson, Muricy resolveu inovar na escalação, colocando Belleti e Fernando Bob na trinca de volantes juntamente com Diogo e adiantando Deco e Conca, para que esses ficassem mais perto do isolado e complicado Washington. Para encaixar a marcação, Sérgio Baresi mandou seu time a campo num 4-3-3 que, sem bola, significava um 4-3-1-2, com Fernandinho pela ponta esquerda e Marcelinho ora como meia por dentro, ora como ponta-direita.

O primeiro equívoco da noite tricolor carioca veio logo na escalação de Ramalho. Não que a culpa pela pífia atuação de Belleti, que, apesar de vestir a 10, não marcou, não se movimentou, muito menos criou como um jogador de nível europeu, seja exclusivamente de Muricy, mas fato é que, ao escala-lo, o treinador tricolor tirou o ritmo de sua equipe, deixando-a mais presa e, até mesmo, menos dinâmica. Rodriguinho seria uma opção melhor para o lugar do Sheik, pois não mudaria em nada a forma da equipe atuar. O pior foi que Belleti ainda sobrecarregou os volantes Diogo e Fernando Bob, que, além de marcarem os meias abertos pelos lados, tinham que fechar o meio.

Contudo, quando se tem Conca e Deco juntos na equipe, superar um erro como esse se torna uma tarefa bem menos árdua. Foi dos pés da dupla que surgiu o primeiro gol tricolor. No entanto, o segundo erro da noite do Tricolor foi capaz de reverter a vantagem tricolor, ainda que indiretamente. Um erro, por incrível que pareça, que já havia ocorrido há exatos sete dias, contra o Vasco, também no Maracanã, em outro empate por 2 a 2. Justamente o fato da equipe recuar excessivamente após o gol, chamando o adversário para seu campo de defesa, abdicando do ataque. E o São Paulo ganhou volume de jogo, com os volantes avançando livres de marcação para o ataque, Jean flutuando nas costas de Deco e Fernandinho ganhando o duelo com Diogo na base da velocidade.

E o resultado não poderia ser diferente. Assim como o Vasco, o São Paulo se aproveitou disso e virou o jogo, com Rogério Ceni(de falta) e Fernandão. Curiosamente a virada representou dois erros individuais clamorosos do goleiro Fernando Henrique, que voltou a se mostrar inseguro em momentos que a torcida confia nele. É mais um ponto negativo do líder do Brasileirão, outro que deixa nítido que o Tricolor das Laranjeiras não é invencível.

Para a segunda etapa, Muricy tentou consertar seu erro, colocando Rodriguinho no lugar do inoperante Belleti. Quase conseguiu por completo. Com um 4-2-2-2 mais rápido e dinâmico, o Flu chegou a empatar o jogo numa jogada bem a seu estilo, a bola aérea, com o gigante Leandro Euzébio. E parecia que a virada viria. Diante de um São Paulo recuado e sem centroavante após a saída de Fernandão, machucado, o jogo se tornara ataque contra defesa. Parecia mesmo.

Até que ela se tornou quase real quando Richarlyson pôs os dois braços na bola. Pênalti. Eis, então, que para surpresa e desespero da torcida, um terceiro grande erro tricolor na noite surgiria segundos depois. Mais um individual. Dessa vez de Washington que, após pedir a bola das mãos de Conca, bateu no meio do gol, facilitando a defesa de Ceni e relembrando os tricolores do episódio trágico da final da Libertadores de 2008, quando Cevallos defendeu seu pênalti derradeiro. O último erro da noite foi o mais agonizante para a torcida.

A conjuntura de erros exibida por Muricy e seu time neste domingo comprova a tese de que, atualmente, no Brasil, não existe time imbatível. Existem, sim, times qualificados e candidatíssimos ao título. O Fluminense é, sem dúvidas, um deles, senão o principal desses. Contudo, se quiser manter a liderança e conquistar o Bi do Brasileirão, precisa se desfazer o mais rápido possível de defeitos como os exibidos neste fim de semana.

Com um 4-2-2-2 mais ágil e dinâmico, o Fluminense quase conseguiu a virada em cima do cauteloso 4-3-3 são-paulino, que ainda teve Jorge Wagner no fim do jogo como meia-esquerda

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4 Comentários

Deixe um comentário
  1. Carlos A. / ago 30 2010 20:28

    Opa,

    Parabéns pelo espaço. Um blog inovador, com abordagens surpreendentes e especializadas. Táticas, sobretudo no futebol, não é um assunto fácil de ser tratado.

    Quanto ao jogo de ontem, também acho que o Muricy deu mole em escalar o Belleti. Mas é fato de que ele nçao confia nop Rodriguinho, assim como em outras peças de seu banco de reservas.

    Teve, ainda, um outro erro do MUricy, que permitiu que o Washington batesse o pênalti, quando era pro Conca o ter feito. R.Ceni conhecia W9 da época do SP, e, mesmo assim, Muricy deixou o atacante bater.

    O Fluminense não é imbatível. Aliás não tem time imbatível nesse campeonato.

    Abraçoss

    • Boleiragem Tática / ago 30 2010 20:31

      Carlos,

      obrigado pelos elogios.

      Creio que, no momento do pênalti, Muricy não tenha muita voz, apesar de Conca ser o segundo batedor depois de Fred. Afinal, trata-se de um momento particular dos jogadores. E o argentino deixou W9 bater, portanto, Muricy não tinha muito a fazer ali.

      Abraços, volte sempre

  2. Vicente Fonseca / ago 31 2010 0:46

    Excelente descoberta o teu blog, Lucas. Parabéns pela análise, muito completa. Eu, que não vi o jogo, sinto como se tivesse o visto agora.

    Sobre o Belletti: lembro que a única vez que o vi como grande jogador foi na meia-cancha, no Atlético-MG. Fez um excelente Brasileirão em 1999. Talvez o Muricy queira reeditar esses tempos. Não sei se ainda terá fôlego para atuar na função, porém.

    Grande abraço, até semana que vem lá no debate do Esquemas Táticos!

  3. André Luís Marçal Júnior / set 1 2010 18:28

    Salve blogueiro!

    Sou frequentador assiduo do blog olho tático do meu “xará” Rocha. E no último post ví uma referência dele e vim espiar. Está de parabéns! Seus artigos são muitos bons. Adoro futebol e tática. Serei um frequentador agora também do seu blog.
    Por falar no blog tenho tb meu humilde blog: http://futpretonobranco.blogspot.com Nem se compara com o seu ou do Olho tático, mas como falei adoro futebol e tática. Quando em sobre tempo deixo um pouco da minhas visão e viagens.
    Quando poder dar uma olhada, visite lá e deixe seu comentário.

    []s

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