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27/04/2017 / Boleiragem Tática

Manchester City 0 x 0 Manchester United – Duelo de propostas diferentes com modelos bem executados

Já era de se esperar que o duelo entre os dois arquirrivais da cidade de Manchester serviria como um embate tático também das propostas de jogo que cada time carrega. Do lado do time da casa, o modelo de jogo de Guardiola se baseia na busca incessante pela posse da bola, propondo o jogo, trabalhando a movimentação e a compactação dos setores no campo de ataque, sempre com intensidade. Sem a bola, o incansável perde-pressiona, para recuperar a bola o mais cedo possível e o mais perto do gol adversário. Do lado dos visitantes, a proposta de jogo reativo, com compactação entre linhas, a cobertura muito bem trabalhada, superioridade numérica no setor da bola e a transição rápida para tentar explorar a velocidade dos extremos.

E o duelo tático se manteve desde o primeiro minuto de bola rolando até o último no Ettihad Stadium.  Com domínio absoluto da posse de bola, o 4-2-3-1 do City tentava buscar as brechas da ótima marcação e compactação do 4-1-4-1 do United sem a bola, com Rashford e Martial buscando as transições de contra-ataque. Com 70% do jogo no campo de ataque, os donos da casa tiveram mais posse e, obviamente, mais volume de jogo. Ainda assim, dificuldade para criar espaços e infiltrar.

Sem a bola, o City exerceu bem o famoso ‘perde-pressiona’. Com jogadores próximos no setor da bola, o United teve dificuldades para encaixar bons contra-ataques. Suas melhores chances aconteceram em jogadas individuais com dribles e arrancadas de Martial e bolas paradas.

City x United 1

Superioridade na saída da bola, dificuldade de jogar nas entrelinhas:

Propondo o jogo desde o início, o City tinha facilidade para sair a bola com rapidez e segurança. Fernandinho abria como opção recuando à direita de Kompany e empurrando Zabaleta para o campo de ataque, em busca de amplitude lateral. Sterling, por sua vez, passava a jogar no espaço entre Blind e Darmian, na tentativa de receber passes entrelinhas que quebrassem as linhas de marcação de Mourinho. Touré recuava também para facilitar a saída de 4 do City, com superioridade numérica e proximidade entre seus jogadores, levando a bola com facilidade ao campo de ataque.

Muito bem marcado por Carrick – um dos melhores em campo na primeira etapa-, De Bruyne teve dificuldades para abrir linhas de passe e, sobretudo, jogar entrelinhas.  Ele tentava trazer Carrick para um dos lados do campo e, assim, abrir um canal de interação entre a primeira linha de construção do City e Agüero. Esse canal chegou a funcionar com Kompany rompendo as linhas com passes diretos ao atacante argentino, destaque do time na partida. Ainda assim, sem eficiência para dar continuidade à jogada.

Quando Carrick percebeu essa movimentação de De Bruyne, passou a largá-lo e deixar a marcação por zona acertar o posicionamento. O meia belga, então, passou a migrar para  a ponta-esquerda, empurrando Sané para a área e prendendo ainda mais Valencia e Baily.

de bruyne esquerda

De Bruyne à esquerda, com Sané por ora centralizado, Agüero buscando eventuais espaços entre Darmian e Blind. Com a bola, Touré com três opções de passe. Sterling, por dentro, em mais uma prova da movimentação constante das peças ofensivas.

Compactação ofensiva e Agüero abrindo novos canais de passe:

O City rodava o jogo, construía por dentro, por fora, sempre com proximidade entre as peças ofensivas, mas ainda assim sem grande poder de infiltração e com poucas finalizações. Agüero, por sua vez, passava a sair mais da área, buscar os ‘half-spaces’ entre laterais e zagueiros, abrindo novos canais de passe mais próximo da área.

aguero linha de passe.png

Aguero se afasta de Blind, criando ótima linha de passe para Sterling explorar. O extremo tinha ainda duas outras opções de passe. Ataque do City compacto e intenso, com movimentação e proximidade entre as peças.

United com superioridade no setor da bola:

O time de Mourinho não pressionou a primeira fase de construção do City. Marcando por zona, preferiu exercer a pressão em seu campo de defesa, por meio de zonas de pressão em determinados setores da bola, sempre com superioridade numérica no combate e coberturas eficientes.

Sup United 1

Superioridade numérica no setor da bola e pressão no futuro receptor.

sup United 2

Três jogadores cercam e pressionam o portador da bola, enquanto Rashford espera, logo atrás, uma possível roubada seguida de passe para transição rápida. Blind se prepara atrás para pressionar De Bruyne e Valencia para diminuir os espaços se a bola vier para o seu lado do campo.

Guardiola marca com a bola e evita transições rápidas no contra-ataque:

Característica dos times treinados pelo fabuloso treinador espanhol, o Man.City também consegue preparar uma eventual transição defensiva enquanto ainda tem a bola no campo de ataque. É o famoso “marcar com a bola”.

Com ótima compactação ofensiva, enquanto Fernandinho decide qual a melhor opção de passe, com De Bruyne e Agüero abertos na esquerda e Touré entrelinhas, Kompany preocupa-se com uma eventual perda da posse, ficando pronto para pressionar Rashford em caso de uma tentativa de contra-ataque rápido. Marca dos trabalhos de Guardiola, esse tipo de estratégia inibe diversas transições rápidas. Por isso o United teve tanta dificuldade em contra-atacar.

FT1 CityvsUnited

 

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24/04/2017 / Boleiragem Tática

Eibar 0 x 1 Athletic Bilbao – Intensidade e bom primeiro tempo ofuscados por expulsão precoce no segundo

O Eibar é a grande surpresa do Campeonato Espanhol desta temporada. Com orçamento modesto e previsões pouco animadoras por parte da imprensa e dos próprios torcedores, sob o comando do técnico José Luis Mendilibar o time vem surpreendendo a todos e fazendo grande campanha na La Liga Santander 2016-17. Apesar da derrota para o rival local Athletic Bilbao, em casa, por 1 a 0, com gol no último minuto de partida, a equipe mandante apresentou mais uma vez alguns de seus trunfos.

Uma expulsão precoce do volante argentino Gonzalo Escalante, ainda no início da segunda etapa, complicou bastante todo o jogo do time. Ainda assim, fazendo uso de sua intensidade marcante sem a bola, os mandantes conseguiram segurar o Bilbao até o último lance do jogo, quando em um rebote de uma falta cobrada na entrada da área, Raul García marcou o gol da vitória.

Primeiro tempo intenso e de muita força pelo lado direito do Eibar

A intensidade dos primeiros minutos do jogo foi de impressionar. Armado no 4-4-2 clássico, com dois homens de área de boa estatura e força física, o Eibar trabalhava a 1ª fase de construção de forma vertical e direta. Se o Bilbao, no seu 4-2-3-1 habitual, marcava com pressão alta, a melhor alternativa para o time mandante foi fazer uso de bolas longas, principalmente com o zaguerio Galvez. Os alvos eram quase sempre a dupla de ataque e o extremo que joga pela direita Pedro León, que além de bom driblador, vai bem nas disputas aéreas.

longpassgalvez

Na imagem acima, Galvez é pressionado por Aduriz, e logo faz a bola longa buscando León. S.Enrich e Dani Garcia já se aproximam para lutar pela segunda bola.

A luta pela segunda bola era constante e importante. Criar situações de 1 x 1 para os extremos era o principal objetivo, mas também aproveitar sobras na entrada da área para que Kike e Sergio Enrich pudessem finalizar.

Quando a construção não era pressionada pela primeira linha do Bilbao, o time procurava sair em velocidade pelo lado direito, com o ofensivo e potente lateral Capa combinando bem com León. Enquanto o segundo procurava dar amplitude ao time e abrir o corredor central, o primeiro aproveitava a sua explosão para realizar investidas conduzindo a bola em velocidade e esperando o posicionamento dos dois atacantes, fosse para uma tabela de pivô, ou para um lançamento em profundidade.

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Capa se livra de Muniaín e aproveita o espaço no corredor central deixado pela movimentação de León. Lateral-direito com excelente força física e velocidade é boa arma do Eibar na transição rápida pelo chão.

Bilbao força bolas longas e busca Williams em profundidade

Recuperando poucas bolas no campo de ataque apesar da marcação sob pressão, o Bilbao também iniciou o jogo construindo de forma vertical e direta, quase sempre com bolas longas. Buscando na primeira bola o experiente Aduriz, que conta com excelente jogo aéreo, a ideia era ter Williams em velocidade atacando espaços em profundidade na segunda bola. Deu pouco certo. Os centrais do Eibar foram bem nos duelos e sobretudo nas coberturas.

Perde-pressiona e superioridade no lado da bola

A intensidade do Eibar com a bola vista nos primeiros minutos de jogo vertical, sobretudo pelo lado direito, é um trunfo que o time vem apresentando também sem a posse da redonda. Contra o Athletic, mais uma vez, a equipe conseguiu ser intensa mesmo sem estar com a bola.

O famoso “perde-pressiona” ao perder a posse no campo de ataque foi bem feito e trouxe algumas recuperações de bola já no campo de ataque, criando boas situações ofensivas. No campo defensivo, pressão orientada no lado da bola, sem parar de buscar a superioridade numérica nos confrontos laterais.

Muniaín buscando zona central e combinações com companheiros por dentro

A melhor alternativa de jogo do Bilbao na fase ofensiva durante o primeiro tempo foi a movimentação do habilidoso meia Muniaín entrelinhas, buscando a zona central do campo às costas dos volantes do Eibar. Mais próximo de Raúl García e de Aduriz, abria o corredor esquerdo para as subidas de Balenziaga. Na direita, Williams buscava incursões em diagonal às costas  do lateral. Eventualmente, fazia uma longa diagonal para explorar o espaço vazio deixado por Muniaín.

Por dentro, o leve camisa 10 do Bilbao teve facilidade para girar e criar boas jogadas. Acelerou a transição de jogo criando boas rotas de passe por dentro e acabou ficando mais perto do gol, com arrancadas por dentro e dribles rápidos. Faltou ser mais incisivo no último terço do campo, principalmente na hora de definir as jogadas próximo à grande área adversária.

Expulsão muda o rumo do jogo

A expulsão do volante Escalante tirou a proposta de jogo do Eibar, que passou a adotar um jogo mais reativo e de muita organização na fase defensiva. A pressão passou a ser exercida em blocos médio e baixo, com muita compactação entre linhas e perseguições  curtas ao portador da bola, trabalhando bem a cobertura. Enquanto isso, o Bilbao buscaba movimentar e trabalhar a circulação da bola em seu campo de ataque. Para isso, a entrada de Bernat no lugar de Itturaspe serviu bem.

Ainda assim, a equipe visitante tinha dificuldades para explorar os raros espaços entrelinhas e criar boas situações de gol. As poucas infiltrações de San Jose e Williams (em diagonal) eram as raras chances reais de gol. Do outro lado, jogo reativo, novamente com bolas longas orientadas pelos lados, com o time agora no 4-2-3 e os dois centroavantes se revezando no papel improvisado de ponta-esquerda que acompanhava o lateral De Marcos.

No fim da partida, depois de achar uma falta na entrada da área na tentativa de uma infiltração por dentro, o Bilbao conseguiu seu gol. Em rebote da falta, Raul García acertou belo chute e decidiu o jogo.

statslongpass

Estatísticas pós-jogo traduzem a estratégia do Eibar: com a bola, jogo vertical e muitas bolas longas planejadas. Sem ela, pressão para recuperar logo a posse, custe o que custar, inclusive cometendo faltas e recebendo cartões. Intensidade a todo custo.

29/03/2017 / Boleiragem Tática

Brasil 3 x 0 Paraguai – Exigência e soluções no primeiro tempo, brilho no segundo

Como era de se esperar, o Paraguai veio ao Brasil para marcar. Desde os primeiros minutos de jogo, ficou claro que a tarefa principal dos comandados de Arce era essa: marcar e, quem sabe, através de um jogo reativo, assustar. Chegaram a roubar bolas na intermediária e causar certo susto no time de Tite, que tinha dificuldades sobretudo na construção da jogada na primeira metade de jogo. Mas não demorou para o time encaixar, a intensidade voltar, os movimentos naturais e planejados aparecerem e o jogo se decidir.

No segundo tempo, facilidade. Show particular de Neymar com seu repertório interminável de dribles e arrancadas em velocidade. Triangulações envolventes com superioridade numérica e circulação de bola. Zagueiro conduzindo para quebrar linhas, volante acertando todas as coberturas. O Brasil, hoje, é um time pronto  e encantador. Mas ainda assim, passa por alguns momentos de exigências, mesmo contra adversários mais fracos.

Dificuldade na construção e perseguições individuais

O Paraguai iniciou a partida num 4-4-1-1 híbrido que, com a bola, muitas vezes virava um 3-3-3-1. Sem a bola, duas linhas de quatro com preocupação em fechar espaços e limitar o poder de atuação dos meias brasileiros. Na primeira linha de defesa, encaixes individuais dos laterais em Neymar e Coutinho, com longas perseguições quando os extremos brasileiros conduziam por dentro. Com isso, espaço aberto pelas pontas para as subidas dos laterais ou as progressões em diagonal dos volantes, sobretudo Paulinho.

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Repare na imagem acima a movimentação de Coutinho, que conduziu a bola saindo da ponta para o meio, abrindo espaço para a progessão de Paulinho. O lateral-esquerdo paraguaio Alonso o acompanhou. O volante Perez também perseguiu Paulinho. Outro detalhe é o passe vertical de Marquinhos, quebrando linhas, demonstrando a dificuldade na transição inicial ou construção brasileira.

O gol como desafogo e a inteligência de Firmino:

Coutinho se movimentava, mas tinha dificuldades de criar espaços e combinar com Paulinho, Fagner e Firmino. Tentava entrar em diagonal, e não conseguia. Tentou receber a bola por dentro, para girar e acelerar a condução, mas foi desarmado. Entrelinhas, sempre com Alonso no seu encalço. O jeito foi partir para o 1 x 1. Recebeu na ponta, se livrou de Alonso, desacelerou, ganhou novamente no mano a mano e tabelou com Paulinho para marcar o gol do desafogo.

Detalhe para a movimentação de Firmino no gol de Coutinho. O atacante brasileiro, que tem dificuldades para atacar o espaço, puxa a marcação do zagueiro, abrindo o espaço exato para onde Coutinho faz a diagonal e recebe o lindo toque de Paulinho para fazer um golaço.

Show no segundo tempo e Thiago Silva quebrando linhas

O segundo tempo foi de brilho, dribles, arrancadas, golaços, infiltrações, triangulações, intensidade. O Paraguai não resistiu e sucumbiu aos pontos fortes da Seleção de Tite e da magia de Neymar. Paulinho, com posicionamento mais agudo hoje, era muitas vezes o primeiro a subir a pressão na zaga paraguaia, pisou na área adversária em praticamente todos os ataques e foi decisivo com duas assistências. Casemiro, monstro das coberturas e do primeiro passe, com mais uma atuação soberba.

Destaco também a atuação de Thiago Silva. Durante 45 minutos, o camisa 14 foi responsável por manter a capacidade que Marquinhos teve em alguns momentos do primeiro tempo de ser mais agressivo com a bola e ajudar na construção ofensiva quebrando linhas. Marquinhos fez isso com passes verticais. Thiago foi além. Conforme costuma pedir Tite, conduziu a bola em velocidade para ultrapassar e quebrar as linhas de marcação paraguaias. Sempre muito bem coberto por Casemiro, que compunha a primeira linha quando o zagueiro subia.

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Thiago ultrapassando a linha de meio de campo com condução de bola vertical em velocidade, quebrando as linhas de marcação paraguaias e sendo mais agressivo com a bola. Diante de equipes bem fechadas, é ótima alternativa.

 

24/03/2017 / Boleiragem Tática

Uruguaio 1 x 4 Brasil – Poder de reação, modelo de jogo e estratégia

 

Na entrevista coletiva após a goleada desta quinta-feira, em Montevidéu, Tite fez questão de exaltar o desempenho e a consciência coletiva da importância do mesmo para a equipe. Mais do que os gols e o placar elástico, o treinador da Seleção e seus comandados ficaram extasiados por terem conseguido, novamente, ter grande desempenho, desta vez fora de casa e depois de sair perdendo no placar.

A felicidade geral se explica: o bom desempenho é fruto da consolidação do modelo de jogo do time, somado ainda às estratégias específicas adotadas em cada partida e o poder de concentração do time. Mesmo depois de tomar um gol em uma falha individual, o time manteve o padrão, o modelo e a estratégia. Sem se abater, soube se impôr e neutralizar os principais trunfos do rival.

Pressing uruguaio e dificuldade de transição

Os primeiros minutos foram complicados para a Seleção. Apesar de esperar um time vertical e com muita força nas bolas longas, o Uruguai atacou muito pelo chão, com intensidade no início de jogo. Sem a bola, o time subia as linhas e pressionava a saída de bola brasileira. Com os laterais errando passes curtos e a pressão alta do adversário funcionando, o Brasil teve dificuldades na primeira fase de transição.

Até levar o gol, o time brasileiro só tinha conseguido uma transição boa: em arrancada de Neymar. Depois que Cavani abriu o placar, o time se achou. Soube retomar a confiança e ter concentração para impor o seu jogo. Aos poucos, as triangulações e o jogo apoiado foram aparecendo. Em noite inspirada, Neymar usava as conduções e dribles em velocidade da esquerda para o centro, em diagonal, para quebrar linhas e criar novas alternativas de passe. Foi, durante boa parte do primeiro tempo, a principal alternativa de jogo do time.

Perde-pressiona

As marcas da Seleção começaram a aparecer aos poucos. Depois de mostrar que não havia sentido o gol e um poder de reação excpecional, o Brasil se impôs. Com jogo apoiado, as transições aconteciam com circulação de bola e boas triangulações. Sem a bola, o perde-pressiona já funcionava bem. Numa dessas, Sánchez foi pressionado ao recuperar a posse e errou o passe. Caiu logo nos pés de Neymar, que partiu da esquerda para o meio e achou Paulinho livre para acertar um chutaço: 1 a 1.

Posse de bola, imposição e movimentação: controle absoluto

Depois do gol de empate, o Brasil assumiu as rédeas da partida. Seguindo à risca o modelo de jogo, circulava bem a bola no campo de ataque, criando triângulos de opções de passe pelos lados e alternando o ritmo de velocidade das jogadas. Na esquerda, ora Marcelo construía por dentro, deixando Neymar aberto para tentar o enfrentamento no mano a mano, ora aberto, com Neymar flutuando por dentro. Do outro lado, Coutinho flutuava mais e aproveitava os espaços entre as linhas da defesa uruguaia. De ambos os lados, opções de tabela , triangulações, jogo apoiado e alternância de ritmo, marcas do time.

Legenda: Os triângulos em ambos os lados, sempre com um apoio extra, para a necessidade de circular a bola até o outro lado e tentar outra jogada.

Com posse de bola e jogo apoiado, o Brasil construiu mais, e ainda assim, infiltrou pouco. Teve Firmino jogando entrelinhas, buscando às costas dos laterais, combinando bem com os meias. Mas pouca infiltração e até profundidade. No último terço do campo, o Uruguai mantinha seu sistema de marcação com encaixes individuais, sofrendo com os dribles dos extremos brasileiros, que várias vezes ficaram no mano a mano com seus marcadores.

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Os encaixes individuais da marcação uruguaia. Destaque para Coutinho buscando os pequenos espaços entre o lateral e o volante, e Neymar flutuando entrelinhas, com Firmino saindo da área para a ponta-esquerda.

Firmino de pivô, a estrela de Paulinho e a tentativa de mudança de Tabárez

Não demorou para a virada acontecer. Depois de circular a bola da direita para a esquerda, Coutinho fez boa jogada e usou Firmino como pivô. O atacante do Liverpool segurou bem, fez boa finta, girou e finalizou com precisão de esquerda. No rebote, Paulinho, o volante que infiltra e pisa na área adversária que todos clubes queriam ter, virou o jogo.

Como o jogo direto com Rolán por dentro não funcionava, Tabárez mexeu. Abriu o seu segundo atacante pela direita, centralizou Sánchez e tentou transicionar o jogo de forma mais vertical, roubando mais bolas na intermediária defensiva. Não deu muito certo. O Brasil valorizava bem a posse de bola e se movimentava com inteligência.

Bolas longas pros dois lados

Tabárez fez mais duas alterações: Stuani e Abel Hernández em campo. A média de altura do time uruguaio subiu, assim como o número de bolas longas. Quase sempre em diagonal, de uma lateral para a ponta oposta, o time tentava acelerar o jogo e brigar pela segunda bola já mais perto do gol adversário. O Brasil se defendeu bem e, com Fernandinh0 em campo, conseguiu povoar mais o meio de campo e o setor onde caiam a maioria das segundas bolas.

A reação de Tite foi usar a mesma arma. Pedindo uma saída mais rápida desse início de pressão uruguaia e uma ocupação maior do campo de ataque, orientava os defensores a saírem por bola longa para Firmino. Por mais que o atacante da Seleção não seja dos mais altos ou mais fortes, conseguia brigar e atrapalhar os zagueiros uruguaios na disputa. Assim, o time ainda tinha a chance de pegar uma segunda bola no ataque e sair da pressão subindo as linhas com rapidez. Numa dessas ligações diretas, Neymar saiu cara a cara com Martin Silva e fez um golaço de cobertura: 3 a 1.

Jogo decidido, ainda teve espaço para mais um gol do volante Paulinho, aproveitando ótimo cruzamento da direita de Daniel Alves para fechar a goleada e a bela atuação da Seleção.

16/03/2017 / Boleiragem Tática

Análise de jogo: Universidad Católica 1 x 0 Flamengo – Taça Libertadores

Muito além da velha máxima no futebol “quem não faz, leva”, o duelo entre a Universidad Católica e o Flamengo expôs a importância do poder de definição em competição tão acirrada como a Libertadores e a necessidade de ter concentração e planejamento em bolas paradas, que decidem jogos e campeonatos há décadas.

Apesar de ter proposto o jogo durante todo o primeiro tempo e boa parte do segundo, dominando as ações durante a maior parte do jogo com sobriedade e personalidade, o Flamengo vacilou em detalhes que custaram caro. Além de erros individuais nas saídas de bola e problemas com o jogo aéreo adversário, o time perdeu o jogo numa bola parada de falta lateral, que contou com bloqueio digno de basquete para o atacante Santiago Silva cabecear sozinho e decidir o jogo, que esteve nas mãos do time rubro-negro por muito tempo.

A opção por Marcio Araújo

Zé Ricardo montou o time para encarar a Católica de acordo com a necessidade de enfrentar o adversário específico. Para isso, mudou o esquema inicial para o 4-1-4-1, com Marcio Araujo entre as linhas, Arão saindo pela direita, Diego e Rômulo mais centralizados e Éverton à esquerda. Além de facilitar a saída de bola e ganhar poder de roubada de bola no meio, a opção pelo camisa 8 se explicava principalmente quando o time não tinha a bola.

Isso porque a Católica baseia seu jogo na capacidade de armação do volante Kalinski e, sobretudo, na intensidade e movimentação do trio de meias, em especial Diego Buonannotte. O argentino baixinho se desloca com muita rapidez, buscando os flancos e a famosa entrelinha, trocando de posição, abrindo espaços e girando o jogo na última fase de construção. Com Marcio Araujo o perseguindo pelo campo, o Flamengo conseguiu neutralizar boa parte da efetividade do principal jogador do time chileno.

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No frame acima, linha de 4 e Marcio Araujo  no encaixe individual a Buonanotte, que já busca desmarcar-se pela entrelinha. À esquerda, Noir alarga o campo, dando amplitude ao time.

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Acima, mais uma das vezes em que Buonanotte buscou a movimentação para se desmarcar e receber a bola com mais tempo e espaço. Dessa vez, na ponta-direita, e novamente com Marcio Araujo o perseguindo, saindo de sua posição original para fazer a pressão na ponta. Perceba Fuentes se projetando por dentro – acompanhado por Trauco.

Fla com pressão alta, Católica na bola longa

Na tentativa de se impôr e ter o controle do jogo para conseguir imprimir o seu modelo de jogo, o Flamengo variou a marcação em blocos médio e alto. Por vezes pressionou a bola já no último terço de campo, obrigando a Católica a sair com bolas longas. Normalmente, os chilenos fazem isso nos primeiros minutos de jogo, quando são pressionados. A bola sai por um dos laterais e, com uma bola longa em diagonal, ele busca o extremo oposto ou até o centroavante Santiago Silva.

A movimentação dos meias da Católica

Um dos pontos fortes do time chileno, a movimentação de seus meias trouxe problemas ao Flamengo, tanto no primeiro como no segundo tempo. Incansável, Buonanotte buscava brechas de espaço a todo o tempo. Quando percebi dificuldades na transição, recuava para buscar o primeiro passe e acelerar o jogo. Quase sempre com Marcio Araujo a sua cola. O volante rubro-negro conseguiu 3 desarmes.

maxbuo2Repare na imagem acima: como de costume, Kalinski iniciou a transição e direcionou a construção para o lado do campo. Buonanotte saiu do meio para a ponta direita, arrastando com ele Marcio Araujo e abrindo um espaço no meio, às costas de Rômulo, rapidamente preenchido por Noir, que saiu da ponta-esquerda para ajudar na construção por dentro. Fuentes vai receber a bola e ter, pelo menos três opções de passe.

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Na imagem acima, já no segundo tempo, Católica ataca pela ponta-direita. Como de costume, jogada começando com Kalinski, que chega a ser pressionado por Diego, mas acerta o passe para Espinoza, o lateral-direito que subia ao ataque. O extremo abre o corredor para que a jogada prossiga no ponto futuro. No meio, Buonanotte busca às costas de Marcio Araujo, para, em seguida, se movimentar rumo à direita e servir como opção de tabela um-dois.

Fla propôs o jogo, mas definiu pouco

Mesmo com a posse de bola, ocupação do campo ofensivo com boa parte dos jogadores e volume de jogo através de variações nas transições, troca de passes e movimentação intensa, o Flamengo definiu pouco. Chegou a ter oportunidades de finalização, mas sentiu falta de um maior poder de invasão da área adversária e, sobretudo, definição de jogada mais perto do gol.

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Na imagem acima, com os meias saindo da ponta para ajudar na armação por dentro e Diego bem marcado, Marcio Araujo tem dificuldades de iniciar a transição ofensiva. Pará é a opção mais próxima à frente, mas já pode ser pressionado por seu marcador no encaixe invidivual. Entra em cena a leitura de jogo de Rômulo, que recua para servir de opção e tentar mudar o lado da construção. Laterais alargam o campo e tem o corredor para explorar. Ainda assim, Fla teve dificuldades de acelerar o jogo pelo lado e criar chances reais de gol.

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No frame acima, mais um momento de dificuldade do Fla criar um perigo de gol. Católica se fecha na marcação mista com encaixes individuais, negando espaços para os jogadores do Flamengo. Guerrero sai da área para abrir espaços, mas não houve infiltração com efetividade. Arão e Éverton na linha da grande área, dando profundidade à organização ofensiva. Rômulo acaba por voltar ao jogo para os zagueiros e recomeçar a construção. O espaço vazio em amarelo era para ser preenchido por Trauco, que poderia ter dado mais amplitude para o time servido como ótima opção de passe.

Dificuldades na transição? Passes verticais para quebrar linhas e buscar brechas

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Com algumas dificuldades na criação e transição para atacar o adversário, o Flamengo passou a  chegar com mais perigo através da construção de trás, arma que o time costuma utilizar pela agressividade que o zagueiro Rafael Vaz tem quando tem a bola. Com Diego buscando a entrelinha e Éverton alargando o campo, através de um passe vertical e rápido, Vaz achou Diego, tirou a bola da pressão, acelerou o jogo e criou uma oportunidade pela esquerda. Observe Trauco por dentro, quase como um segundo atacante e, do outro lado, Arão infiltrando em busca de profundidade.

2º tempo decidido na bola parada e expulsão

O Flamengo voltou para o segundo tempo mais ofensivo e efetivo. Buscando mais o gol, acelerando mais a transição. Sempre usando Guerrero para segurar com a parede ou escorar de primeira e facilitar a subida do time. Com a entrada de Berrío e Gabriel, o time ficou mais leve e se soltou ainda mais com tabelas e velocidade pelos flancos. Parecia o momento perfeito para buscar o gol e controlar de vez o jogo. Aaté que veio uma flta boba cometida por Diego.

A cobrança lateral ensaiada contou com a técnica de bloqueio, muito utilizada no basquete, para que Santiago Silva ficasse livre para cabecear e abrir o placar. Logo em seguida, Berrío foi expulso e o Fla se perdeu. Zé Ricardo até tentou ensaiar um abafa com Damião e Guerrero juntos, mas não tinha como.

14/03/2017 / Boleiragem Tática

Com inversões frequentes, Mirassol vai bem pelos flancos

Uma das sensações do interior neste início de temporada no futebol brasileiro, o Mirassol tem como ponto forte as jogadas pelos flancos. Organizado no 4-2-3-1, o time é muito ofensivo e trabalha bastante com transições em velocidade, à base de passes rápidos, quase sempre buscando as pontas. Para isso, laterais com muito ímpeto ofensivo e que sobem juntos, alargando o campo no segundo e terceiro terço.

Juntamente com os extremos, os laterais buscam jogadas em velocidade para achar o fundo e buscar a invasão da área pelos cantos. Quando há dificuldade em um lado, a alternativa é mecânica: a inversão de lado da jogada com viradas de jogo precisas. O lateral oposto é quase sempre o alvo. Nas outras vezes, quando eventualmente está se posicionando por dentro, o meia-extremo busca o posicionamento aberto para receber a virada de jogo. Para facilitar esse processo, o time joga com meias com os pés trocados: Rodolfo, canhoto, na direita, e Welinton Junior, destro, na esquerda.

Por dentro, o experiente Xuxa tem a função de flutuar entre as linhas rivais e buscar espaços para passes verticais e infiltrações. O meia, no entanto, tem pouca mobilidade e velocidade, dificultando  as jogadas que furam a defesa por dentro, apesar da boa capacidade de finalizações de média e longa distância. Por isso, o próprio Xuxa acaba buscando as pontas também, criando os triângulos com os laterais e extremos.

O time costuma jogar com um atacante de referência que não é centroavante de ofício. Normalmente é Zé Roberto, ex-Bahia, que faz esse papel. Meia atacante de origem, ele dá mais mobilidade e cria espaços às costas dos laterais e zagueiros rivais, atuando praticamente como falso-nove. Zé Raphael, do Coritiba, é outro que pode fazer a função e vem sendo usado com frequência. Recuando, eles criam espaço para Xuxa infiltrar e os extremos buscarem mais as incursões em diagonal para invadir a área. Ainda assim, as melhores jogadas do time acontecem pelos flancos.

Sem a bola, o time usa a marcação zonal, com encaixes pontuais dependendo da transição do adversário. Um defeito é a falta de intensidade dos extremos na marcação. Contra times que usam laterais mais incisivos, o Mirassol costuma ter problemas. Os dois volantes, por não serem tão altos, sofrem um pouco também na disputa da primeira bola de lançamentos longos ou tiros de meta do adversário. E a zaga, sem Edson Silva, perde muito em segurança e acaba ficando mais exposta.

 

10/03/2017 / Boleiragem Tática

Abel transforma Fluminense com detalhes e confiança

O Fluminense é um time muito mais competitivo em 2017, e boa parte disso se deve ao trabalho de Abel Braga. Apesar da manutenção de boa parte do time, o treinador conseguiu dar outro espírito aos jogadores, além de, é claro, as mudanças na forma do time jogar. Organizado no 4-1-4-1 que varia para 4-3-3 conforme a posição de campo e a posse da bola, a equipe apresenta alternativas interessantes.

A começar pela transição ofensiva. A primeira fase de construção da jogada conta com a famosa “saída com três” trabalhada na verdade com 4 jogadores, utilizando a boa leitura de jogo dos volantes Orejuela e Douglas, conforme pode-se perceber na imagem abaixo.

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O time procura circular a bola com passes curtos e acelerar o jogo no momento certo, seja com projeções de Douglas ou passes verticais de Sornoza.

As diagonais longas de Sornoza

O equatoriano que joga com a camisa 20, aliás, é responsável por outra boa arma de transição rápida do time: ou lançamentos em diagonal com profundidade. Na ponta-direita, o time vem contando com a velocidade de Wellington, que costuma chegar antes da cobertura nas bolas em velocidade, seja pelo chão ou pelo alto. Na esquerda, Richarlison é pura explosão e força física com arrancadas impressionantes. Essa mistura não poderia ser mais propícia a lançamentos em velocidade vindo de trás. E eles vêm pelo alto, dos pés de Sornoza.

Movimentação e confiança de Dourado

Duramente criticado pela torcida no ano passado, Henrique Dourado é um dos destaques do time em 2017. Abel parece ter resgatado sua motivação e, acima de tudo, sua confiança. Alguns gols e boas atuações também têm papel determinante nesse processo.

 

 

 

 

vimentação e confiança de Dourado

08/03/2017 / Boleiragem Tática

Atlético-PR mostra virtudes e trunfos, mas segue sem controlar o jogo

O excelente primeiro tempo do Atlético-PR nesta quarta-feira, diante da Universidad Católica, pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores, na Arena da Baixada, deixou claro os pontos fortes da equipe de Autuori. No entanto, os 45 minutos seguintes escancaram os principais defeitos do time: não saber controlar um jogo ganho e dar chance ao azar mesmo diante de seus domínios.

Mas vamos aos pontos positivos primeiro…

Lucho como ponto de equilíbrio

Partindo do 4-2-3-1, Autuori organizou um time muito técnico do meio pra frente. Na volância, dois homens com bons passes e excelente leitura de jogo para fazer a saída de bola. Na linha de três armadores, dois jogadores mais agudos e Carlos Alberto, mais cerebral, buscando passes mais verticais. Diante da Católica, o veterano sofreu com faltas e não foi bem, dificultando a verticalização do jogo. Na frente, Pablo é quase um falso-nove, um centroavante com muita mobilidade, que gosta de cair sobretudo às costas do lateral-direito rival.

No entanto é com Lucho Gonzalez que o time cresce e se equilibra. Atuando praticamente como um box to box, o argentino oferece diversas opções para a saída de bola e busca às costas do marcador, facilitando o desafogo e levando o time à frente com passes curtos. Jogando entre os meias e os volantes rivais, é o responsável por simplificar a transição rubro-negra e aproximar a defesa dos meias de ligação.

Nas imagens abaixo, Lucho se posiciona entre as linhas do sistema rival, facilitando a transição e criando novas linhas de passe vertical para simplificar a transição.

 

Laterais agudos e amplitude com a bola

Tanto Nikão como Gedoz, sobretudo no primeiro tempo, se movimentavam para da extrema ponta para o meio quando a bola saía pelo seu respectivo lado. Com isso, se aproximavam de Carlos Alberto para armar o jogo e circular a bola por dentro, além de abrir os corredores para os laterais atleticanos, notoriamente ofensivos.

Dos dois lados, o time ganhava boa amplitude de campo com Jonathan e Sidiclei espetados. Quando bem acionados, eram ótima arma para construção de jogadas rápidas pelas pontas. Uma baita inversão de jogo de Thiago Heleno achou Jonathan livre na direita e assim nasceu o primeiro gol do jogo.

Movimentação intensa do quarteto ofensivo

No penúltimo e no último terço de campo, Autuori quer ver um time intenso e móvel. Por isso, é comum ver Carlos Alberto trocando de posição com Gedoz, ultrapassando Nikão, interagindo com Pablo. O camisa 8, aliás, é pura
movimentação. Sente-se falta, inclusive, de um pouco mais de comportamento de homem de área, para segurar mais os zagueiros e auxiliar na compactação ofensiva segurando a bola no terço final.

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Na imagem, Carlos Alberto tem diversas opções de passes curtos para fazer a circulação da bola e fazer o time entrar no terço final de campo com boas alternativas.

No segundo tempo, com as entradas de Douglas Coutinho e Rossetto, o time ficou mais leve e Pablo foi para a ponta-esquerda. Ainda assim, faltou aquele passe mais vertical, que quebra linhas e acha o atacante dentro da área.

Faltou, ainda mais, assumir o favoritimo de dono da casa e controlar o jogo, trabalhando a posse, propondo o jogo sem se sentir acuado e incomodado dentro de seu estádio.

Sem a bola, afobação e problemas no jogo aéreo

Apesar de ter ido bem nos primeiros 45 minutos de jogo, a defesa atleticana deixou a desejar no segundo tempo. Ao contrário da boa organização que vinha sendo exemplo desde a partida de volta contra o Capiatá, voltou a demonstrar afobação e desorganização em situações específicas, como por exemplo o jogo aéreo defensivo, exatamente como havia sido na partida de ida da fase anterior, na mesma Arena da Baixada.

Autuori tentou reforçar o setor tirando o corinta Otávio para colocar mais um zagueiro e ganhar estatura na primeira linha. A alteração só atraiu mais o time chileno, que acabou empatando o jogo em 2 – 2 e escancarando os problemas do Furacão.

 

13/02/2017 / Boleiragem Tática

As melhores facetas do novo São Paulo de Ceni

O São Paulo de Rogério Ceni já mostra ao mundo o que pode alcançar. Com modelo de jogo bem definido, equilíbrio entre os setores e uma busca incessante por intensidade, as notícias para a torcida são-paulina são bem animadoras. Montado no 4-3-2-1, o time valoriza a posse de bola sem perder a verticalização desde os primeiros passes, lá atrás, com Maicon e Rodrigo Caio.

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A saída de bola, aliás, vem se caracterizando como um dos trunfos dessa equipe. Sidão é um goleiro que se notabilizou por usar e abusar do jogo com os pés – treinado e incentivado por Fernando Diniz, nos tempos de Audax. A bola dificilmente sai pelo alto. Normalmente, os zagueiros abrem o posicionamento, “empurram” os laterais e João Schmidt, o volante de ótimo passe e dono de uma das melhores tomadas de decisões do time, aprofunda sem posicionamento entre os dois defensores, criando uma linha de três para facilitar a saída.

Mais à frente, alinhados, Thiago Mendes e Cícero entendem a importância da movimentação para a bola circular. Com dinâmica, buscam linhas de passe e contam, ainda, com a proximidade dos meias e laterais. Opções de passes curtos e verticais não faltam para fazer o jogo fluir. E se o adversário sobe a pressão na bola, paciência para rodar a bola ou inverter o lado da jogada. Para isso, fundamental ter volantes com boa técnica e agilidade no jogo de cintura.

A grande peça do time, no entanto, aparece a partir do segundo terço de campo. Cueva é intenso, habilidoso, veloz e inteligente. Tem uma facilidade absurda para se desmarcar e receber o passe vertical dos zagueiros ou volantes. Ele é quem, normalmente, quebra as linhas e acelera a verticalização do jogo. Seja se inserindo pelo meio, abrindo corredor para Junior Tavares e se aproximando de Thiago Mendes e Luiz Araújo, seja pela ponta, buscando o 1 x 1 contra o lateral-direito.

Cueva é a capacidade de improviso do time. O criador de jogadas improváveis, o cara que muda o ritmo da transição e surpreende o adversário. Na goleada sobre a Ponte, aproveitou os deslocamentos de Gilberto e cansou de deixar o atacante na cara do gol, quebrando as linhas de defesa do adversário. Com rapidez, cria e aparece para finalizar. Não à toa é um dos melhores jogadores em atividade no Brasil.

Do outro lado, Ceni aposta em Luiz Araújo. Garoto de grande potencial, sabe buscar a linha de fundo e tem como diferencial o drible em velocidade. Com muita marcação no peruano, é ótima válvula de escape, sobretudo em inversões de jogo e passes em velocidade. Tem feito boa parceria com Bruno.

Com novas e interessantes facetas, o São Paulo de Ceni começa a engrenar seguindo seu modelo de jogo: valorização da posse de bola, circulação da mesma e movimentação sem deixar de ser vertical. A proximidade dos jogadores, sobretudo a partir do segundo terço de campo, facilita os passes curtos em busca da infiltração ou da situação de 1 x 1. É um time a se observar e admirar em um futuro breve.

09/02/2017 / Boleiragem Tática

Análise de jogo: Colo-Colo 1 x 1 Botafogo

Dizem que na Libertadores é preciso saber sofrer. O Botafogo soube. Mesmo levando um gol c0ntra logo aos 2 minutos de jogo, a equipe comandada por Jair Ventura não abriu mão de sua estratégia inicial para ter o timing certo do jogo. Mesmo após levar o gol, não se desorganizou e manteve a compactação característica de seu treinador. Com Montillo e Pimpão à frente, João Paulo à esquerda e Bruno Silva à direita, Aírton e Lindoso eram os dois volantes do 4-4-2 flat alvinegro.

E é verdade que o Colo-Colo dominou os primeiros minutos. No seu habitual 3-4-2-1, com alas bem espetados, a bola rodava com facilidade entre os meias e alas chilenos. Muita amplitude e profundidade, além dos passes curtos valorizando a posse de bola que faz do time uma das forças do futebol local. Bola longa só para inverter o lado da jogada, buscando a situação do 1 x 1 ideal para quem pressiona o adversário com o apoio da torcida.

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Sem a bola, o time de Jair Ventura esbanjava organização. Os meias-extremos fechavam as linhas de passe em diagonal e pressionavam os alas quando esses tinham a bola. No miolo central, Aírton e Lindoso também fechavam os espaços  e não davam muitos espaços.E, assim, o Bota isolava o perigo e, aos poucos, saía para o jogo.

Não demorou para Bruno Silva começar a procurar ultrapassagens pelo lado direito e, enfim, se posicionar como um meia-direito, sempre atento às subidas de Véjar. João Paulo buscava mais verticalização pela esquerda, até para segurar mais Figueroa. E cabia a Montillo recuar como meia-armador para fazer com que o time tivesse alguma construção de jogo. Quando o time chileno subia as linhas, o jeito era usar e abusar das bolas longas, para fugir da pressão. Pimpão, como pivô, é um ótimo atacante de beirada. E o time sofreu um pouco mais…

Na volta do intervalo, o Botafogo voltou bem. Novamente configurando o 4-2-3-1, João Paulo começou a buscar mais a parte central do último terço do campo, abrindo corredor para Victor Luís subir. Esbanjando força física e ótimas decisões de passe, Victor Luís se transformou em um dos melhores em campo.

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A entrada de Guilherme no lugar de Aírton deu mais amplitude ao time pela esquerda. Logo depois, foi a vez de Roger, fazendo com que o time ganhasse profundidade e um pivô para ajudar na transição ofensiva. Ademais, Pimpão voltaria para seu habitat natural, a ponta-direita, mantendo o 4-2-3-1, agora com Bruno Silva mais recuado, como volante.

Foi justamente em uma jogada que começou com Guilherme no lado forte do time no jogo, passou pela finalização de Roger e terminou com o rebote atento de Pimpão que o Botafogo empatou o jogo e se classificou.

Méritos para todo o time, que soube sofrer, se entregar e lutar pelo empate. Méritos para Jair, que organizou o sistema defensivo esperando um time de panorama e, mesmo diante de outro completamente diferente, não teve pressa para atropelar o timing certo das substituições.