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28/06/2016 / Boleiragem Tática

A aula tática de Conte e o interessante modelo de jogo italiano

Quem viu a vitória da Itália sobre a Bélgica, ainda na primeira fase da Euro-2016, já se encantava com o modelo de jogo preparado e executado por Antonio Conte. Um time extremamente compacto, sobretudo na transição defensiva, marcando por zona e exercendo pressão sobre a bola para recuperar a posse. Com ela, amplitude, profundidade e, acima de tudo, opções de passes, jogadas e triangulações. Futebol absolutamente moderno com traços clássicos, como, por exemplo a utilização de uma referência ofensiva.

Contra a Espanha, na vitória por 1 a 0 nas oitavas de finais da competição, o time comandado pelo ex-treinador da Juventus e futuro técnico do Chelsea, provou, mais uma vez, como pode ser encantador ter um modelo de jogo bem definido. Organizada mais uma vez no 3-5-2, a Azzurra começou a partida pressionando na marcação, tirando a saída de bola da Espanha com pressão na bola e um encaixe perfeito, praticamente tirando Sergio Busquets da transição ofensiva espanhola. E sem Busquets, tal qual o Barcelona, fica muito difícil para a Espanha conseguir propor o jogo e simplesmente JOGAR.

E tome-lhe transição direta, lançamento longo…Com superioridade numérica na defesa pelos três zagueiros e a organização defensiva, a segunda bola normalmente era da Itália.

Nas vezes em que conseguia fazer a transição com linhas de passe e triangulações com sucesso, a Espanha não tinha infiltração. Do meio pra frente, o jogo não fluía, as tabelas não funcionavam e os espaços eram cada vez mais escassos. Mérito da ocupação defensiva italiana e do balanceamento das linhas, sempre focando a pressão no lado onde estava a bola, procurando superioridade numérica e quebra das linhas de passes. Silva, por vezes, tentava jogar entre as linhas, como Messi fazia no Barcelona de Guardiola, mas sem sucesso.

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Em ambas as situações, é fácil perceber a superioridade numérica dos italianos e a pressão na bola. Na primeira imagem, Silva se desloca para buscar espaço, mas é rapidamente pressionado. Na segunda, Iniesta vira o jogo para tentar sair da pressão, e ela já volta logo em seguida. Quando a jogada muda o lado, a marcação italiana se desloca rapidamente, impedindo novos espaços para os espanhois triangularem e acelerarem o jogo.

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Com a bola, organização ofensiva na transição italiana. Os volantes e zagueiros com a missão de pensar o jogo e tomar a melhor decisão para o passe ou lançamento. Perceba, agora, a quantidade de opção que De Rossi tem. Laterais afundados no campo de ataque, dando mais amplitude para o time. Parolo sobe para jogar nas costas dos volantes espanhois. E Pellé, como referência, segura um zagueiro e, ao mesmo tempo, dá profundidade para a transição do time inteiro.

A importância da referência ofensiva:

Pellé está longe de ser craque. Mas tem porte de centroavante e inteligência. Sabe, como poucos, fazer a famosa parede, segurar a bola e facilitar a transição do time todo.Quando ele é acionado como pivô, os alas ganham tempo para subir e servir como opção pelas pontas. Éder recebe normalmente espaço para ganhar bolas escoradas e os volantes podem infiltrar com mais facilidade. Na jogada do frame acima, Pellé escora para Éder, que abre o jogo com De Sciglio livre na ponta para cruzar. Quase sai o gol. Na falta que originou o gol de Chiellini, é o mesmo Pellé fazendo o pivô, esperando o time “subir” e sofrendo a falta de Sergio Ramos.

Além disso, em jogos contra times que alternam a pressão na marcação, a figura de uma referência ofensiva que possa ganhar bolas no alto e segurar a transição é fundamental. A Espanha, por exemplo, marcou pressão alta durante várias partes do jogo, obrigando, muitas vezes, os italianos a fazerem bolas longas. Em grande parte delas, Pellé ganhou dos zagueiros. Ele é parte de um modelo de jogo que vem sendo treinado, aperfeiçoado. Isso é parte fundamental de todo o contexto.

Como os espanhois melhoraram no segundo tempo:

Sem espaços para trocar passes efetivos no campo de ataque e com o tempo se esgotando, a paciência foi acabando na hora de ficar girando o jogo o tempo inteiro para os espanhois. Alba tentava ganhar amplitude, forçando subidas e entradas em diagonais nas costas de Bonucci.Mas as melhores jogadas saíram por triangulações com passes rápidos no meio. Iniesta deixou Aduriz em ótimas condições de marcar no fim do jogo. A melhor forma de sair da pressão, é com tabelas rápida e passes de primeira. Para isso, é fácil adivinhar a necessidade de jogadores rápido e extremamente técnicos. Mas nem assim funcionou. Palmas para a Itália, que soube neutralizar uma das equipes que melhor sabe propor o jogo no futebol mundial sendo extremamente aplicada em seu modelo de jogo.

13/01/2016 / Boleiragem Tática

Da Copinha a Guardiola, a importância da tomada de decisão

Por Lucas Imbroinise

Vendo alguns jogos da Copinha é interessante notar como muitos atletas ainda não estão prontos para o futebol profissional de alto rendimento. Desde deficiências técnicas, falta de compreensão tática, entre outros. No entanto, o que mais chama a atenção é a dificuldade dos jovens jogadores brasileiros em tomar decisões. Na Europa, a chamada “tomada de decisão” é uma das teclas mais batidas pelos treinadores, sobretudo com atletas que estão começando sua carreira no futebol profissional – estes, os que apresentam maior dificuldade nesse fator.

Fato é que, por se tratar de um esporte extremamente dinâmico, é preciso destacar que uma boa tomada de decisão pode, sim, ganhar um jogo. Ao mesmo tempo, também é fato que há inúmeras decisões para serem tomadas, o que acarreta numa maior facilidade de acontecerem equívocos. Tomar uma boa decisão nada mais é do que escolher a jogada com maior probabilidade de dar certo. Muitas vezes, inclusive, a decisão é uma escolha acertada do atleta, mas a execução não obtém sucesso. Escolher é bem diferente de executar. Um volante, por exemplo, pode saber o momento certo de virar o jogo, mas pode errar o passe, resultando em um contra-ataque fatal. Ele decidiu bem, mas executou mal.

Na Copinha, tenho observado muita dificuldade por parte dos jogadores em tomar boas decisões. Não sei se tenho assistido poucos jogos, mas até mesmo em atletas de grandes times  tenho percebido essa carência.

Ontem mesmo, estava assistindo um jogo de um time mediano contra um time grande. A segunda equipe jogava com dois meias-extremos, que variavam posicionamento de acordo com o lado da jogada e a subida dos laterais. Em determinado momento, o meia-direita fez a diagonal e recebeu um bom passe do segundo volante. Deu dois tapas na bola e percebeu a defesa adversária em linha, com o centroavante fazendo o famoso ‘facão’. Simultâneamente o lateral passava ao seu lado, livre para receber na linha de fundo. Neste caso, a melhor escolha seria decidir em deixar o atacante na cara do gol. Era um passe de difícil execução, mas a defesa estava em linha, mal posicionada, e as chances dessa jogada obter sucesso eram incrivelmente maiores que enfiar a bola para o lateral.

Ele abriu o jogo no lateral, que levou na linha de fundo, esperou a defesa se recompor…e cruzou na mão do goleiro. Não consegui perceber a reação do treinador, mas é possível que tenha se irritado bastante. Os treinos em campos reduzidos, atividades de intensidade, o famoso “dois-toques”, treinos de contra-ataque tem diversos objetivos principais. Um deles é começar a fomentar na cabeça dos atletas um desenvolvimento maior da capacidade de tomar uma boa decisão. Depois, vem a parte técnica e a execução. Mas poucos conseguem crescer nesse aspecto. E, por isso, chegam ao profissional sem estarem completamente prontos.

Entrosamento e conhecimento dos companheiros

Outros fatores importantes que ilustram bem essa discussão são o entrosamento e as características de cada jogador. Vou usar dois exemplos diferentes. O primeiro também da Copinha. Logo na primeira rodada da fase de grupos da competição, vi um time grande enfrentando uma equipe de menor investimento. Ataque do time grande, o meia-extremo que joga pela esquerda, e tem como um ponto fortíssimo a velocidade, abriu posicionamento e entrou em diagonal em direção a grande área. Mais uma vez, o passe era difícil, pois havia muitos marcadores à frente. Mesmo assim, o meia forçou a bola e lançou-a um pouco mais à frente, pois sabia que seu companheiro iria chegar antes dos marcadores, mesmo com um passe um pouco “longo demais”. Ele não só alcançou a bola, como entrou cara-a-cara com o goleiro e fez o gol.

Depois do jogo, conversando com outro meia do time em questão, questionei-o sobre a jogada. A resposta dele: “A gente treina todo dia com ele (o meia-extremo). Sabe da velocidade e da explosão dele. Quando começa a correr, não tem quem o alcance. Por isso, principalmente nós, os meias e volantes, sabemos que podemos errar, mas sempre errar pra mais. A gente acaba tirando um pouco demais o passe, mas ele sempre chega na frente da marcação. Já virou um costume”, disse. Ou seja, o entrosamento ajuda em tomar boas decisões. Os próprios jogadores sabem que é melhor errar pra mais do que tentar outra jogada, quando o meia-extremo em questão parte em velocidade, pois têm um bom entrosamento e conhecem bem o modelo de jogo da equipe.

Outro exemplo para ilustrar a importância da característica de cada jogador pode ser alguns lances de Özil pelo Arsenal. Diversas vezes, sobretudo em jogos contra times de maior qualificação, o meia alemão se vê na famosa situação do um contra um. Muitas vezes até em contra-ataques de alta velocidade. No entanto, ele sabe que a velocidade e a explosão não são seus pontos mais fortes. E, apesar de ter boa capacidade técnica para executar dribles curtos e rápidos, na maioria das vezes ele sabe que a melhor decisão a se tomar é segurar um pouco a jogada e esperar a subida de mais companheiros ao ataque. Pois as chances são maiores da jogada resultar em um lance de perigo.

Guardiola e as decisões

O próprio Guardiola já falou muito sobre a importância de seus jogadores fazerem boas escolhas. Em um programa recente de televisão, Thierry Henry, ex-comandado de Pep, dissecou resumidamente parte da filosofia de jogo do espanhol: “Ele nos dizia sempre: ‘Eu treino e procuro orientar vocês para fazerem 75% da jogada de forma correta e planejada. Os 25% restantes depende de vocês’”.

Esses 25% eram pura tomada de decisão. É quando Messi recebe a bola na ponta direita e escolhe carrega-la pelo meio e fazer uma jogada individual ou esperar a subida de Dani Alves e deixar o corredor livre, ou quem sabe até tentar inverter o jogo ou chamar um dos volantes para rodar a bola. Não que os 75% anteriores da jogada não dependam de decisões por parte dos atletas. Mas é a parte com movimentos mais coordenados e treinados, como a saída de bola, o posicionamento e a transição ofensiva. A definição da jogada é muito mais subjetiva.

Em outra entrevista, Guardiola disse fazia elogios a Philipp Lahm. Segundo o treinador, poucos jogadores eram, de fato, inteligentes no futebol. Para Pep, Lahm entende o jogo, e o resto não. “Pois ele sabe o momento certo de tomar a decisão certa, independente da posição em que esteja jogando”. Aqui entra em cena o momento, tão importante quanto o fato de escolher bem. Pois é preciso tomar a decisão certa na hora certa, levando em conta o contexto do jogo e da jogada em questão. É claro que pode dar errado, a execução pode ser mal feita e a jogada não prosseguir. Mas, como dito anteriormente, a melhor decisão é aquela com maior probabilidade de dar certo.

Em um esporte com tantas tomadas de decisão, é fundamental ter jogadores acostumados a treinos que estimulem o raciocínio rápido, o pensamento coletivo e, sobretudo, a personalidade na hora de fazer escolhas com e sem a bola nos pés.

30/12/2015 / Boleiragem Tática

Falta intensidade ao jogador brasileiro?

A questão não é nova, já despertou diversas discussões a respeito, mas resolvi trazer o assunto à tona depois de assistir uma semana de avaliações de um clube europeu para jovens brasileiros.

Para começar, é impressionante a dificuldade que os garotos brasileiros têm de compreender questões básicas de aspectos do jogo. Os orientadores europeus, com a ajuda de intérpretes, tentavam passar o que realmente queriam para determinado exercício ou atividade realizada durante as avaliações. E a todo momento, paravam a atividade. Pediam de novo, explicavam de novo. E os erros continuavam a acontecer. Principalmente quando o treino foi em campo reduzido.

Era perceptível a falta de intensidade da maioria dos atletas brasileiros na peneira. Em uma simples atividade de campo reduzido de 1 x 1 com dois goleiros, a dificuldade dos atletas em exercer o que lhes foi pedido causou espanto nos treinadores estrangeiros. A explicação do treino era simples. Receber o passe do orientador, se livrar do oponente com a maior rapidez e simplicidade possível e finalizar para vencer o goleiro. Eles queriam INTENSIDADE.

O que os jogadores brasileiros faziam? Pegavam a bola, pedalavam uma, duas , três vezes(!), brecavam,levavam pra perna esquerda, cortavam pra direita, se atrapalhavam com a bola…E a jogada raramente era concluída. Em dado momento do treino, um orientador alemão fez uma rápida demonstração. Recebeu o passe, deu um tapa pra direita e finalizou. Sem passar o pé em cima da bola, de forma OBJETIVA. Isso é intensidade. Com espaço curto e sem muito tempo para pensar, foi VERTICAL e OBJETIVO.

Ao sair desse treino em específico, fiquei pensando se realmente falta intensidade ao jogador brasileiro, se esse é um problema exclusivamente nosso…Mano Menezes já falou bastante sobre o assunto. Quando era técnico da Seleção, sempre batia nessa tecla. É lógico que não posso generalizar a partir de uma simples experiência que vivenciei, mas devo admitir que isso me ajuda a concordar bastante com ele.

Importância dos treinos em campo reduzido

Para melhorar esse cenário que parece ser realidade, é importante que os clubes saibam utilizar da melhor forma e com a periodicidade correta, os treinos em campo reduzido. Eles são muito importante para o desenvolvimento do jogador e da própria equipe por completa. No entanto, é necessário que se tome alguns cuidados, sobretudo no que diz respeito à preparação física. É fundamental que o planejamento e a execução do treinador estejam totalmente interligados com as do preparador físico, afim de evitar lesões e excesso de cargas horárias.

Quando bem feito, o campo reduzido traz imenso ganhos aos atletas e às equipes. A alta intensidade dessa atividade e de suas variações (7×7, times com apoio, 1×1, coletivos…) têm características muito parecidas a de jogos oficiais. Pesquisas mostram que a frequência cardíaca dos atletas nesses exercícios é a que mais se assemelha à frequência de um jogo oficial. A tomada de decisão também é outro ponto importante, pois a rapidez de raciocínio e o frequente contato com a bola nos reduzidos lembram bastante o que se passa em uma partida de verdade.

 

18/09/2013 / Boleiragem Tática

Com Benítez, Napoli se rende ao 4-2-3-1 e já chama atenção

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Depois de anos refém dos três zagueiros, o Napoli enfim se rendeu ao esquema da moda no futebol mundial. Com Rafa Benítez, a equipe do Sul da Itália vai se acostumando e aprimorando no 4-2-3-1. Em quatro jogos, já é possível notar as diferenças mais significantes. Nesta quarta-feira, 18, dominou e venceu o Borussia Dortmund em casa, por 2 a 1.

Atualmente, o Napoli se mostra um time mais controlador do jogo. Faz de tudo para ganhar a bola no meio-campo e valoriza a posse. Sem os três zagueiros, o time se mostra mais equilibrado e faz menos uso dos chutões e ligações diretas. No novo Napoli, os volantes ajudam mais a pensar o jogo e a fazer a transição ofensiva. Inler, que fez um partidaço hoje – marcou e jogou com qualidade absurda -, e Behrami são os pilares de Benítez. Quando um sobe, o outro fica para cobrir um dos laterais. Nunca os dois sobem juntos.

Os laterais respeitam menos essa regra imposta por Benítez. Maggio e Zuñiga costumavam ter mais liberdade no 3-4-2-1 da temporada passada. Abusavam das subidas ao ataque. Hoje, precisam ser controlar mais. Porém, ainda não demonstram esse equilíbrio com tanta nitidez. Se sem a bola o time precisa dos dois laterais marcando e ajudando na recomposição, com ela são ainda mais necessários. Ambos servem como espécie de válvula de escape para algumas jogadas.

Maggio – Callejón

Pela direita, Maggio e Callejón vêm tramando uma parceria interessante. Enquanto o primeiro gosta de fazer a diagonal para ficar mais perto da área – ou até mesmo entrar dentro dela para esperar um passe ou cruzamento -, o segundo faz de tudo por um corredor livre para jogar. E, assim, o útil se úne ao agradável. Já é normal ver o espanhol tocando em Hamsik, entrando em diagonal e Maggio partindo para o corredor livre receber um passe açucarado do camisa 17.
Quando a bola não passa por Hamsik, normalmente volta até Inler. E a qualidade do passe é mantida. Além da precisão nos passes curtos e médios, o volante vem melhorando muito nos lançamentos para os dois laterais e meias do time. Já é outro ponto forte da equipe de Benítez.

Diversidade dos meias

Do meio pra frente, a equipe trabalha bem a movimentação dos três meias, que têm características diferentes entre si. Hamsik é, de longe, o que tem mais cara de meia. Circula por dentro, cai pela esquerda para chamar Zuñiga pro jogo, abre na direita, infiltra, volta atrás do meio-campo para armar o jogo…É o maestro do time.

Já os outros dois(Isigne e Callejón) são mais parecidos com atacantes. O primeiro é um meia-extremo agudo, driblador, de muita velocidade. O segundo prima mais pela objetividade e gosta de jogar mais perto do gol, por ter boa finalização. Isso ajuda a tornar a equipe ainda mais dinâmica, com um leque de alternativas diferentes de times como o próprio Borussia Dortmund, que tem uma linha de três com jogadores muito parecidos entre si.

Sem a bola

Quando perde a posse de bola, o Napoli segue com uma recomposição veloz, como nos últimos anos. Os meias-extremos retornam para pegar os laterais rivais e os laterais napolitanos fecham a linha de 4 para evitar bolas nas costas. Nada de marcação individual, tudo por setor. Na frente, Hamsik se junta a Higuaín para pressionar a saída de bola e o primeiro passe, configurando um 4-4-2 sem a bola, típico do 4-2-3-1.

31/08/2013 / Boleiragem Tática

Dinâmica e criativa, Juventus começa temporada encantando

Duas das principais vantagens que o sistema com três zagueiros e cinco jogadores no meio de campo é propiciar aos times consistência defensiva e qualidade na transição ofensiva. Com jogadores mais próximos em todos os setores, a tendência é ter mais segurança atrás e posse de bola na frente.

A Juventus joga no 3-5-1-1 e se aproveita bem do esquema. Com bons zagueiros, dois alas eficientes e três baitas meias-volantes e dois homens de frente bastante perigosos, o time de Bruno Conte segue sendo favorito ao título italiano desta temporada. Neste sábado, goleou a Lazio em casa por 4 a 1 com uma atuação de encher os olhos.

Com a bola

A começar pela posse de bola. Não chega a ser um controle à la Barcelona, com muita cadência e proximidade dos jogadores. Mas chama a atenção a forma como o time troca passes e faz lançamentos. Buffon raramente sai jogando com chutões. A bola sai pela zaga e já para nos pés de Pirlo. Na posição que fez história no Milan – recuado, como um primeiro-volante, mas sempre saindo com a bola igual a um armador -, o camisa 21 inicia as tramas da Juve.

Normalmente, Pirlo chama um dos volantes para jogar: Pogba e Vidal se caracterizam pela dinâmica. Ambos marcam e jogam, abrem espaços, tabelam, infiltram e finalizam. Volantes modernos que fazem o jogo alvinegro fluir. Mais interessante ainda é notar que, quando os três estão bem marcados ou pressionados, a bola volta para a zaga. Esta, por sua vez, força a outra alternativa de saída de bola: lançamentos para os alas ou atacantes, estes sempre se movimentando e entrando em velocidade para aproveitar as bolas aéreas nas costas da defesa.

Contra a Lazio, Bonucci foi o responsável para achar uma alternativa à marcação forte sobre Pirlo, Pogba e Vidal. Além de fazer o seu papel na defesa, foi o autor de duas assistências. Uma espetacular, para o segundo gol de Vidal.

Vidal

Vale a pena gastar algumas linhas para falar sobre o chileno. Como joga bola o ex-meio-campista do Bayer Leverkusen. Inteligente, sabe a hora de acelerar e a hora de cadenciar o jogo. Não foge muito do meio-campo. Faz tabelas com Pogba, aparece para dar opção a Litchsteiner e, quando ninguém, espera lá está ele, dentro da área, recebendo uma enfiada de bola e saindo cara a cara com o goleiro. Sua capacidade de infiltração impressiona. E serve como diferencial para a Juventus.

Tévez


O outro diferencial é Carlitos Tévez. Nem o mais fanático torcedor poderia esperar um início tão bom para o argentino. Já entrosado com Vucinic, tem o timing certo das jogadas do time. Chama o jogo, puxa a marcação, abre espaço para os volantes jogarem e decide. Com dribles, assistências e golaços. Rápido e técnico, já arrebentou aberto pelos flancos e como referência ofensiva pelos clubes que passou. Hoje, na Juventus, é uma espécie de ponta de lança.

03/07/2013 / Boleiragem Tática

Defesa sólida, lançamentos longos e movimentação: as virtudes do 3-5-2 do Olimpia

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Tradição, experiência, força da camisa e a vantagem de dois gols conquistada no primeiro jogo das semifinais fazem do Olimpia quase um virtual finalista. Mas é preciso chamar a atenção para as virtudes táticas do time paraguaio para resumir a boa participação da equipe na Taça Libertadores.

Ciente de suas limitações técnicas, o técnico Éver Almeida achou uma forma de aliar força e segurança na defesa com eficiência ofensiva. Tanto é que os paraguaios marcaram 23 gols e sofreram apenas 10 em 11 jogos disputados no torneio.

No 2 a 0 em casa sobre o Santa Fe nesta terça, o Olimpia manteve o seu costumeiro 3-4–1-2 como esquema tático. Com a bola, muita movimentação no meio-campo e muitos lançamentos longos para as referências Salgueiro e Bareiro. Sem a bola, um verdadeiro ferrolho atrás da linha do meio de campo.

Vale chamar a atenção para a movimentação dos alas no sistema defensivo. Quando a jogada é pela ponta, o ala do lado oposto à jogada fecha e forma uma linha de quatro com os três zagueiros. Quando acontece a roubada de bola, ambos partem em disparada para o campo de ataque, esperando sempre a ligação direta dos zagueiros ou volantes.

Giménez, que joga um pouco mais adiantado no meio de campo, gosta de cair pela esquerda. Mas quando Bareiro ou Salgueiro abrem pela ponta-canhota, o camisa 4 centraliza para tentar fazer a enfiada de bola a quem entra em diagonal para dentro da área.

Hoje, com a expulsão do camisa 10, o time passou a jogar no 3-4-2, sobretudo após a entrada do centroavante Ferreyra. Assim, o Olimpia passou a abusar das ligações diretas para seus dois “postes” atacantes. Melhor ainda que os dois sabem sair da área e pegar a segunda bola para preparar jogadas.

Para o jogo de volta, em Bogotá, é bem provável que Éver Almeida mande a campo um time retrancado. Os contra-ataques serão uma arma óbvia. E é esperado que o time volte a forçar muito os lançamentos longos para suas referências ofensivas, como o Atlético de Cuca faz com Jô.

A estratégia é interessante pois tira o perigo da defesa e empurra o time para o ataque. No Olimpia, ela funciona bem porque os atacantes se saem bem pelas disputas no alto e a transição ofensiva ocorre de forma veloz. Em questão de segundos, já tem 4,5 jogadores prontos para serem acionados no campo de ataque.

20/06/2013 / Boleiragem Tática

A importância de Luiz Gustavo e o perigo de só ter jogo pelos lados

Muita gente pede uma dupla de volantes com jogadores mais ofensivos. Felipão nunca gostou. Sempre preferiu ter, ao menos, um volante mais marcador, que protegesse mais à zaga. É por isso que Hernanes, mesmo agradando muito o treinador, perdeu a vaga para Luiz Gustavo. Algo bem coerente, levando-se em conta a filosofia de trabalho de Scolari.

Além de proteger mais a ótima defesa brasileira, Luiz Gustavo é um jogador inteligente taticamente. Marca e se posiciona bem, dificilmente deixa jogarem às suas costas, e tem qualidade no primeiro passe. Nas duas primeiras partidas do Brasil na Copa das Confederações, atuou bem. Só pecou um pouco no excesso de faltas. Nada demais.

No entanto, a grande contribuição do volante para a Seleção é na saída de bola. No atual contexto do futebol mundial, em que a saída de bola passou a ser marcada com muito mais pressão, é fundamental não errar. E como acertar com suas principais válvulas de escape marcadas? Virou rotina ver Paulinho sob pressão sempre para receber o primeiro passe e os laterais bem vigiados.

É aí que Luiz Gustavo entra em cena. Para não fazer Thiago Silva e David Luiz darem chutões, o volante do Bayern aprofunda posicionamento – não vira terceiro zagueiro, é um movimento natural do primeiro volante clássico – para liberar mais os laterais e ganhar numericamente da marcação. Contra o Japão e México, que marcam os dois zagueiros com o centroavante e o meia centralizado, isso funcionou muito bem.

Assim, ficam 3 contra 2 e a saída de bola acontece. Normalmente pelos lados, o que pode ser um problema para a Seleção. Hoje, é muito fácil trabalhar o jogo pela esquerda. Também pela direita.Porque os dois laterais sabem jogar, tanto por fora quanto por dentro, fazendo a diagonal. O problema é quando o adversário rouba a bola. O contra-ataque sempre é perigoso, porque só tem 3 atrás para defender.

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Na primeira imagem, o problema e a movimentação. Na segunda, a solução. Japão e México atuam no mesmo esquema e marcam com a mesma configuração.

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Falta ao Brasil, hoje, mais jogadas por dentro. Paulinho tem aparecido nas arrancadas, mas pouco na saída de bola e nos toques rápidos que facilitam a transição ofensiva. Hoje, Oscar sumiu do jogo. Não pode. Neymar pode não resolver sempre, assim como os laterais e Hulk. Só ter jogadas pelos flancos pode custar bem caro ao Brasil.

28/05/2013 / Boleiragem Tática

Com Dado Cavalcanti, Paraná Clube trilha estrada do futebol moderno

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Cada vez mais evidente no futebol brasileiro, a modernidade que caracteriza os treinadores mais jovens e estrategistas vem ganhando espaço nos grandes clubes. Depois de um excelente Campeonato Paulista no comando do Mogi Mirim, o promissor Dado Cavalcanti, de apenas 31 anos, inicia um novo projeto no Paraná Clube. E pode-se dizer, com o pé direito: em dois jogos, uma vitória, um empate e nenhum gol sofrido.

Contudo, é possível dizer que as estatísticas não são as principais virtudes deste início de trabalho. A forma que a equipe vem se comportando taticamente e a exploração corretas das principais características dos jogadores são dignas dos times mais modernos do mundo.

Tanto na estreia contra o ABC, como no empate sem gols diante do São Caetano hoje, Dado mandou a campo a equipe no 4-1-4-1, com o bom volante Cambará entre as duas linhas de quatro. Valorizando bem a posse de bola, movimentando-se como manda o futebol atual e marcando de forma inteligente por zona, a compactação dos setores chama a atenção.

No meio-campo, Dado soube aliar virtudes opostas de dois jogadores acostumados a funções bem distintas. Como muitos fazem na Europa, o jovem técnico paranista percebeu que, juntos pela parte central do campo, Lúcio Flávio e Ricardo Conceição se completam. E, dessa forma, dão mais dinâmica ao time. Enquanto um é mais ofensivo e armador, o outro é mais marcador e destruidor de jogadas.

Por isso, o experiente camisa 10 se posiciona um pouco mais à frente. Com a bola, é dele a responsabilidade de criação pelo meio. Sem ela, Lúcio pressiona o primeiro volante e, normalmente, o primeiro passe do rival. Mais atrás, Ricardo cerca o segundo meia adversário. E o time não se perde em campo.

Mas e a velocidade da equipe? É verdade, nem Lúcio Flávio nem Ricardo Conceição são jogadores de intensidade, capazes de acelerar o jogo, quebrar a marcação com um drible. Essas tarefas ficam na responsabilidade dos meias-extremos do sistema. Ronaldo Mendes, pela direita, e Rubinho, pela esquerda, são os jogadores mais agudos do Paraná. Ambos canhotos, têm características de ponteiros, sabem fazer a inversão de lado com “timing”, mas hoje apresentaram um vício constante de fazer a diagonal mais do que tentar a linha de fundo.

Por um lado, isso é bom, pois abre o corredor para os bons laterais Roniery e Paulinho, que já apareceu bem no Atlético-PR. Mas é preciso aproveitar mais a linha de fundo. Ainda mais quando se tem um centroavante de boa presença de área, que é o caso de J.J. Morales. O argentino, assim como seu concorrente Reinaldo(aquele, ex-São Paulo, Flamengo e Botafogo), é bastante técnico, tem bom posicionamento e cabeceia muito bem. Teoricamente, um cruzamento vindo da linha de fundo seria melhor aproveitado do que uma enfiada de bola vinda de trás.

A intensidade que muitas vezes falta ao time quando tem a posse de bola, sobra na marcação. Todos se dedicam bastante. Até os talentosos Ronaldo Gomes e Rubinho acompanham os laterais rivais. Cambará tem normalmente a missão de anular o principal articulador rival. E vai bem. Além de bom desarme, o volante paranista possui um passe de qualidade e é muito versátil. Hoje chegou a atuar até na lateral-esquerda nos minutos finais. A compactação dos setores, principalmente na recomposição, facilita ainda mais seu trabalho.

Com muitas virtudes e alguns erros a serem corrigidos por Dado Cavalcanti, o Paraná Clube tem time e elenco para subir à elite nacional jogando de igual para igual com times grandes. No banco, o talentoso Fernando Gabriel pode dar ainda mais ofensividade ao time. Preciso nas bolas paradas, ele serve como uma espécie de décimo-segundo jogador, sempre importante ao time nos jogos mais truncados. Ele é só mais uma aposta do interminável leque de alternativas de Dado Cavalcanti, o treinador que não para de evoluir no futebol brasileiro.

26/05/2013 / Boleiragem Tática

No 4-1-4-1, Lazio de Petkovic baseia seu jogo nos extremos

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Vladimir Petkovic chegou à Lazio com status de “desconhecido” e sob total desconfiança da torcida. Aos poucos, foi remodelando o time ao seu ideal. Um ajuste aqui, outro ali, e o resultado final que se tem é um time agressivo com a bola, controlador do jogo e campeão da Copa da Itália sobre a maior rival.

A final contra a Roma, vencida por 1 a 0 neste domingo, é um bom exemplo de como atua o time no geral. Dominante no primeiro tempo feio e nervoso, e decisiva no segundo tempo aberto, a Lazio hoje tem um time ofensivo e confiante.

Tem uma defesa sólida, laterais equilibrados, um bom volante, Hernanes e um centroavante de classe mundial. Mas sem dúvidas, o ponto alto do time são os extremos. Candreva, pela direita, e Lulic, pela esquerda, são o termômetro do 4-1-4-1 de Petkovic.

Com a bola, se apresentam para o jogo e são, de longe, as melhores alternativas de jogo. Criam, driblam, passam, abrem o corredor para os laterais e aparecem para finalizar. Como no único e decisivo gol de hoje: cruzamento de Candreva, gol de Lulic, após pequena falha de Lobont.

Sem a bola, esbanjam preparo físico para acompanhar os laterais rivais e ajudar na recomposição da equipe. Hoje, praticamente não deixaram Marquinhos e Balzaretti jogarem.

Mas é claro que contam com a colaboração dos companheiros. Tanto com como sem a bola. No ataque, os meias-centrais Hernanes e Obasi e o volante Ledesma são importantíssimos para fazerem a bola chegar. Os laterais servem como ponto de apoio para a cobertura e eventuais tabelas. Por isso, é essencial a diagonal. Para abrir caminho aos laterais que sobem. Radu e Konko apoiam muito e precisam deste espaço.

Para a temporada que vem, Petkovic deve contar com uma verba maior para contratações. A expectativa é de que chegue pelo menos um reforço de peso. Se quiser brigar pelo título nacional e mandar bem na Europa League, a Lazio precisa depender menos de seus meias-extremos, o ponto alto do time nesta temporada.

14/05/2013 / Boleiragem Tática

Com 4-3-3 móvel, Arsenal passa mais confiança e se aproxima da Champions

A dúvida que assombrou os torcedores em boa parte da temporada já está quase virando certeza: hoje, o Arsenal pode ser um time competitivo e maduro em nível continental. Pelo menos é o que o time vem provando nos últimos jogos. Depois de golear o Wigan hoje, no Emirates Stadium, a equipe de Arsène Wenger depende apenas de uma vitória na última rodada para chegar à Champions do ano que vem.

No entanto, se não quiser passar por maus bocados diante do Newcastle, fora de casa, é fundamental que os gunners repitam a bela atuação de hoje. No 4-3-3 mais móvel do time na temporada, o ataque rende da melhor maneira possível, abrindo espaços para o meio criar e fazer a bola chegar redonda. Sem ela, o time se fecha de forma compacta à espera de um contra-golpe.
Com Walcott de um lado e Cazorla de outro, a arte de contra-atacar é muito bem explorada por Wenger. Até porque o triângulo que forma o meio é composto por três passadores natos, ótimos em fazer a saída de bola e em puxar contra-ataques.
Mas é com a posse de bola que o time tem se destacado mais. Sem uma referência fixa há jogos, o ataque troca constantemente de posição entre si, confundindo as defesas rivais e abrindo espaços para os volante-meias que chegam com facilidade à intermediária rival.
Podolski é quem deveria ser o definidor de jogadas, a referência do time na frente. Mas é comum ver ele buscando espaços na ponta-esquerda, às costas do lateral-direito do oponente. Com isso, Cazorla tem liberdade e espaço para entrar em diagonal e clarear o jogo. Walcott, espetado na ponta-direita, faz bem a diagonal, mas se destaca ainda mais forçando a linha de fundo. Pelo seu lado, acelera o jogo e dá a intensidade que muitas vezes falta ao time com bola.
Mais atrás, Arteta fica mais preso para liberar Rosicky e Ramsey. Este último principalmente. O jovem galês chega, inclusive, a trocar de posição com Cazorla em alguns momentos, em mais uma tentativa de dinamizar o sistema de jogo e confundir a marcação. Os dois são os responsáveis por ditar o ritmo do time: cadenciar na hora certa e acelerar no melhor momento para a equipe. Contra times mais fechados, se juntam aos wingers e formam uma linha de quatro que valoriza a posse de bola até achar uma infiltração.
Taticamente, um time móvel é, de fato, um adversário e tanto a ser batido. Mas é impossível não chamar a atenção para a fase de alguns jogadores. Walcott está voando, Ramsey jogando muito, Rosicky enfim conseguiu emplacar boa sequência, Podolski cada vez mais importante. E ainda tem Cazorla, o melhor em campo hoje, o melhor do time na temporada. O cara que pensa, cria e decide.
Pelo visto, finalmente o Arsenal chega perto de ter um time com maturidade para brigar por títulos e alçar vôos mais ousados.
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