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25/11/2011 / Boleiragem Tática

Monstruosa em Quito, LDU precisa provar que pode ser forte fora de casa

Poucos times são tão fortes dentro de casa como a LDU. Jogando na altitude de Quito, o time equatoriano raramente passa por dificuldades. Graças, principalmente, as características típicas da equipe há anos, como as bolas aéreas, os chutes de fora da área e as jogadas pelos flancos. Com o principal meia inspirado e o centroavante de bem com as redes, tudo se torna ainda mais complicado.

Que o digam os argentinos do Vélez Sarsfield, que sofreram em Quito nesta quinta-feira e acabaram derrotados por 2 a 0, com gols dos melhores em campo: Equi González e Hernán Barcos. Acuados pela pressão exercida pela LDU na maior parte do jogo, pouco assustaram e mereceram a derrota.

A vantagem de dois gols numa competição de mata-mata é muito boa. Torna o time vencedor do primeiro jogo, o favorito para o confronto geral. Mas pelo contraste que a LDU apresenta fora de casa nos últimos, seria totalmente incoerente cravá-la na final da Copa Sul-Americana deste ano. Ademais, o Vélez tem time e torcida para reverter os dois gols de diferença, em Buenos Aires, na semana que vem.

A missão é difícil, mas está longe de ser impossível. Seria muito mais árdua se a LDU jogasse na Argentina como joga em Quito, na altitude, o que raramente acontece. No 3-4-1-2, o time de Edgardo Bauza marca na frente sob pressão, dificulta a saída de bola do adversário e costuma ser ameaça ao gol rival durante boa parte dos 90 minutos.

Quando tem a bola, a equipe equatoriana abusa dos chutes de fora da área, privilegiados pela altitude. Num deles, Equi González abriu o placar. Além dos tentos de média ou longa distância, as bolas alçadas à área pelos alas Reasco e  Ambrosi, além das tabelinhas pelo meio ou pelas laterais entre o ótimo centroavante Barcos e os meias-atacantes Equi González e Miller Bolaños, também são muito perigosas.

O preparo físico da equipe é ainda mais impressionante. Não só para suportar os limites físicos impostos pela altitude. Mas também por permitir que quase todo o time marque a saída de bola, sob intensa pressão, aos 38 minutos da segunda etapa. E roube a bola de um time cansado, com ainda mais facilidade. A sequência da jogada é a tabelinha entre Equi e Barcos, e o gol do camisa 16, o centroavante da equipe.

Sem  a bola, o time se recompõe com rapidez. Contra adversários que têm meias abertos pelos lados, como o Vélez, que joga no 4-3-2-1, a LDU abre dois zagueiros pelo lado, deixando um na sobra. Nesta quinta-feira, Araújo ficou na sobra. Nos poucos momentos de ataques perigosos do time argentino, a marcação estava encaixada, sem erros de posicionamento. Outro ponto forte do time equatoriano.

Muito forte em casa, a LDU promete segurar o resultado em Buenos Aires. Sem muita motivação -  pois já está classificado para a Libertadores -, e com o elenco se desmanchando, o Vélez não parece ter muitas forças para reverter o panorama. Se buscar o ataque e tiver alternativas para furar a muito provável retranca equatoriana na Argentina, tem grandes chances de chegar à final.

20/11/2011 / Boleiragem Tática

Chelsea 1 x 2 Liverpool – A vitória da estratégia de Kenny Dalglish

Kenny Dalglish podia ter escalado Andy Carrol ao lado de Suárez, puxado Bellamy para o meio de campo, lançado o time ao ataque, contra o Chelsea, em Stamford Bridge. Provavelmente, travaria um duelo muito perigoso e aberto contra o inteligente André Villas-Boas. Mas não. O ídolo dos Reds preferiu a cautela à ousadia. Procurando armar um time mais equilibrado, deixou Carrol no banco de reservas e pôs Bellamy flutuando entre o meio e o ataque, como um autêntico segundo atacante. Na prática, um 4-4-2 mais defensivo, à procura de contra-ataques para decidir o jogo. Deu muito certo.

A estratégia do mito do Anfield Road correu riscos enormes de não obter sucesso. Sobretudo na primeira metade do primeiro tempo e em boa parte da etapa final, quando os Blues dominavam o jogo à base da posse de bola e da ocupação do campo de ataque. Mas os momentos de controle do Liverpool foram mais decisivos. Com Charlie Adam monstruoso à frente da zaga, o time marcava muito no meio de campo e saía com muita velocidade nos contra-golpes com Bellamy, Kuyt, Maxi Rodríguez e Suárez.

É verdade que os Reds demoraram a entrar no jogo. Antes confusos na marcação sobre o ataque aberto do Chelsea, Lucas e Adam bateram cabeça em boa parte do primeiro tempo. Assim que descobriram a chave do sucesso na roubada de bola no campo de ataque, ganharam o meio de campo e, menos diretamente, o jogo. É incrível como o time vermelho é forte na marcação sob pressão no campo de ataque. Diante de uma zaga que vem falhando muito na saída de bola, não tinha como esse tipo de combate dar errado.

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Foi assim que, aos 33, o cada vez mais inconstante Petr Cech saiu jogando errado, Bellamy pressionou Mikel, roubou a bola e, já no campo de ataque, tramou ótima triangulação com Suárez, antes da bola sobrar limpa para Maxi Rodríguez. O argentino bateu no meio do gol, mas o goleiro tcheco já tinha caído: 1 a 0 Liverpool. O gol deu tranqüilidade ao time de Kenny Dalglish,que passou a jogar ainda mais fechado, no mesmo 4-4-2, sempre à procura dos contra-golpes.

Para a segunda etapa, Villas-Boas resolveu mexer. Tentou, assim como havia sido contra o Manchester, ganhar o jogo do banco de reservas. Tirou o vaiado Obi Mikel para a entrada do jovem Daniel Sturridge. O garoto canhoto fez o time abandonar o 4-3-3 para o 4-2-3-1, com ele, Mata e Malouda fazendo a ligação entre os volantes e o atacante Didier Drogba. Além da maior mobilidade, o time passou a atacar não só pelas laterais mas também pelo meio. O esquema tático funcionava bem, e o Chelsea voltava a dominar o jogo.

Aos 9 da segunda etapa, Malouda invadiu a área pela esquerda e bateu cruzado. Aproveitando deslize do lateral José Enrique, Sturridge apareceu sozinho e, de carrinho, completou para o gol. O empate azul pôs fogo no jogo e assustou os Reds. O Chelsea voltava a ter os comandos da partida, pressionando o Liverpool no seu campo de defesa, com posse de bola e, agora, movimentação no esquema novo.

Mesmo assim, a bola não entrava. Retrancado, o Liverpool se remodelou no 4-1-4-1, com Lucas à beira da zaga, Henderson formando dupla de volantes com Adam e Suárez isolado na frente. Com o Chelsea intenso no jogo, os contra-ataques eram raridade. O plano de Dalglish começava a dar sinais de falhas. E os Blues atacavam, pressionavam, mas o gol não saía. Foi quando Villas-Boas colocou Fernando Torres e Raúl Meirelles, nos lugares de Drogba e Ramires, respectivamente.

 

As alterações não mexeram na estrutura tática da equipe, mas tiraram o poder de marcação que Ramires conferia ao meio-campo. Com Meirelles e Lampard, André tinha uma dupla de volantes muito dinâmica, mas também ofensiva. O Chelsea se lançavam à frente à procura do gol da virada. E deixava espaços atrás. Sem a cobertura dos volantes, que, agora, jogavam mais do que marcavam, os laterais poderia ficar sobrecarregados. Exatamente o que aconteceu.

Aos  41, o Charlie Adam viu Johnson se projetando pela direita e acertou um baita lançamento. O camisa 2 dos Reds dominou bonito, arrancou em direção à área sem a marcação de Malouda, fugiu da marcação de Ashley Cole, antes de bater sem chances para Cech.  O Liverpool que só marcava, agora saía para o jogo. E pela direita, com seu lateral-direito sem marcação. A cobertura que teria que sair de um dos volantes, não aconteceu. Pois tanto Meirelles como Lampard estavam preocupados em jogar. Mais uma jogada de velocidade na transição defesa-ataque. E a estratégia de Dalglish deu certo.

O Chelsea tinha no seu banco de reserva um estrategista profissional. Um jovem técnico que sabe como poucos ganhar um jogo do banco de reservas. Mas o Liverpool tem muito mais do que isso no seu banco. Tem a lenda Kenny Dalglish, maior jogador da história e a caminho de ser o melhor técnico da história do clube. O homem que nunca perdeu para o Chelsea. Em 12 jogos, 9 vitórias e só 2 empates. 

 

 

20/11/2011 / Boleiragem Tática

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Primeiro tempo

18/11/2011 / Boleiragem Tática

A simplicidade do Figueirense, a sensação do Campeonato Brasileiro

O simples e eficiente 4-3-1-2 do Figueirense: liberdade para os laterais e equilíbrio nos setores.

No 4-3-1-2, Jorginho achou um time sem muitas invenções, básico, simples, equilibrado. Tanto com a bola, como sem ela. Um time extremamente eficiente dentro e fora de casa. Não à toa é o quarto colocado do Campeonato Brasileiro. Nesta quinta-feira, controlou a maior parte da partida diante do Flamengo, no Engenhão, perdeu um pênalti e saiu com um empate injusto em virtude do que aconteceu na partida. Tudo isso sem seu artilheiro, o atacante Júlio César, que saiu machucado logo aos 10 da primeira etapa e dificilmente terá condições para o restante da competição.

O Figueirense pode não ter elenco suficiente para brigar pelo título brasileiro. O substituto de Júlio César, por exemplo, é o jovem Aloísio, que perdeu o pênalti nesta quinta-feira. Tecnicamente, é inferior ao camisa 11.  E é muito menos rodado. Assim como acontece em outras posições. Mesmo assim, sobretudo pelo time titular que tem, é bem capaz que a   equipe de Jorginho belisque uma vaga na Libertadores.

Dos 5 primeiros colocados, é, hoje, o time em maior ascensão. E também o menos brilhante. Enquanto os times mais poderosos economicamente tem em grandes astros os seus diferenciais, o Figueira tem em Wellington Nem, revelado pelo Fluminense e candidatíssimo à grande revelação do Brasileirão, a sua grande referência. Veloz, ele costuma recuar para armar jogo com Elias, o organizador-central do time, responsável pelas enfiadas de bola e pela aproximação do meio ao ataque. Além de auxiliar Elias na armação, Wellington Nem é, também, o grande criador de jogadas laterais do time. Neste caso, trabalha com a ajuda dos ótimos e promissores laterais Bruno e Juninho.

É pelos lados que o Figueirense melhor ataca, inclusive. Como joga com três volantes, os dois laterais têm liberdade suficiente para subir juntos ao ataque. Para isso, dois volantes ficam na retaguarda, enquanto o terceiro sobe para auxiliar o ataque – normalmente o volante posicionado no lado em que a jogada se desenrola. Se a bola está pela esquerda do ataque catarinense, é Túlio quem sobe ao ataque; pela direita, é Coutinho; e por dentro, Ygor, que fez grande partida na noite desta quinta-feira, anulando Thiago Neves.

Com esse equilíbrio básico o Figueirense raramente sofre contra-golpes. Sem a bola, o time recompõe a marcação de forma muito rápida. Wellington Nem acompanha um dos laterais, Elias pega um dos volantes e o tripé de volantes do time se divide na marcação aos meias ou laterais rivais. Não há uma marcação muito elaborada. Jorginho não gosta de combater o adversário com marcação homem a homem. Prefere marcar por zona. E seu time faz isso muito bem. É difícil achar uma falha defensiva tática do Figueirense. Mais difícil ainda é achar um atacante rival sobrando contra o time catarinense. Marcação simples, e muito eficaz.

Com  a bola nos pés, o time ataca com inteligência. Além das jogadas pelos flancos, descrita no quarto parágrafo, pela zona central, o Figueira também sabe trabalhar bem a bola. Através de toques rápidos e curtos, os volantes fazem uma saída de bola eficiente, veloz. Elias é, normalmente, o responsável por reter essa bola no meio e pensar o jogo. Algumas vezes, Wellington Nem recua pelo meio, recebe o passe e arma as jogadas, buscando uma eventual tabela, ou tentanto uma jogada individual. Neste caso, Elias espeta seu posicionamento e vira um pivô arranjado, para tabelas ou simplesmente para desmarcar o meio de campo, movimento comum ao meia-central do 4-3-1-2.

 

Para esse time funcionar, o equilíbrio entre os setores é extremamente importante. Além dele, os acertos de passe são ainda mais fundamentais. E, por isso, são treinador com exaustividade por Jorginho. Um erro de passe causa um efeito dominó no time, podendo causar um contra-ataque mortal. A posse de bola é uma marca do Figueirense, um dos times mais pacientes com a bola nos pés. É assim que joga a sensação do campeonato. Simples e inteligente.

13/11/2011 / Boleiragem Tática

Vasco 2 x 0 Botafogo – O acerto de Cristóvão Borges e a nova virtude cruzmaltina

Preste atenção nos dois gols vascaínos na vitória deste domingo, por 2 a 0, sobre o Botafogo, no Engenhão. Principalmente na forma como eles começam. As roubadas de bola no meio de campo, seguidas por transições para o ataque de velocidade incrível, abriram caminho para o gol de Jefferson. E mostram para o país a nova virtude deste Vasco: marcação forte no meio de campo, buscando o desarme e o contra-ataque rápido.

Talvez até por essa nova característica de jogo do time é que Cristóvão Borges tenha optado por Fellipe Bastos no lugar de Juninho e por uma equipe sem centroavante de ofício. Além de povoar mais o meio de campo contra um time que trabalha a bola no campo de ataque e faz uso de bastante movimentação entre seus meias, possibilitou ainda mais a insistência dos jogadores em fazer uso dessa nova virtude. Deu muito certo.

A má fase alvinegra, por outro lado, parece não ter fim. O time que voou em todo o primeiro turno e em boa parte do segundo, encantando o país pelo seu jogo ofensivo e intenso no 4-2-3-1, hoje parece “manjado”. Nem mesmo as jogadas de linha de fundo, variando de lado, de Elkeson e Maicosuel, funcionaram. O resultado era perda de bolas frequentes no meio de campo, cedendo contra-ataques mortais para o time cruzmaltino. Como no primeiro gol vascaíno, quando o passe de Éder Luís terminou em gol de Fellipe Bastos, muito bem no jogo ate sair contundido na segunda etapa.

O segundo nasceu em outra roubada de bola. Houve quem disse que Jumar fez falta em Herrera ao tomar a bola do argentino. Este que vos escreve não acha. Acha melhor enaltecer a ótima jogada de Dedé, na sequência. Jogada que terminou em gol, servindo para mitificar ainda mais a figura de zagueiro e protagonista do time. Um monstro, de fato.

Não é errado dizer que o Vasco ganhou o jogo com o meio de campo. E roubando bolas dos meias alvinegros. Recuperar rapidamente a posse de bola, se possível já no campo de ataque, era o melhor caminho para surpreender o Botafogo de Caio Júnior. Fosse pelo fortíssimo lado direito do time – com Fágner, Allan e Éder Luís -, pelo meio ou até pelo lado esquerdo, reforçado por Felipe, que contou com mais liberdade graças à presença de Jumar na lateral-esquerda. Assim o Vasco ganhou o jogo.

 

Nem mesmo a expulsão de Rômulo foi suficiente para mudar o panorama da partida, controlada do início ao fim pelo time de Cristóvão Borges. Mesmo com um a menos, o Vasco continuou no controle. Marcando mais do que atacando, obviamente. Com Nílton no lugar de Bastos e Juninho no de Felipe, ate para valorizar mais a posse de bola.

Se por um lado Cristóvão tem um time motivado e bem montado à disposição, Caio Júnior terá que quebrar a cabeça para ajeitar o Botafogo. A começar pelo aspecto psicológico. Um time sem vontade não chega a lugar algum. Um time sem organização menos ainda. As mudanças devem ser urgentes.

12/11/2011 / Boleiragem Tática

Fluminense 1 x 2 América-MG – Os equívocos de Abel, as falhas individuais e a tranquilidade do ex-lanterna

Abel Braga não teve Deco, nem Carlinhos para encarar um lanterna embalado por uma vitória sobre o líder do campeonato. Com Fred de volta, optou por não mexer muito na estrutura da equipe: manteve Lanzini na criação de jogadas e deu a primeira chance a Jefferson, que, na teoria, é o reserva imediato de Carlinhos.  4-2-2-2  que era para ser uma escalação simples e cautelosa, sem muita invenção, acabou se transformando numa das grandes razões para uma derrota surpreendente. A calma que faltava ao Fluminense e sobrava ao América-MG praticamente decidiu o jogo.

A exemplo do que fizera contra o Corinthians, na rodada passada, Givanildo Oliveira deu tranquilidade de sobra para seus comandados. A consequência foi um time organizado na defesa e no ataque. No 3-4-1-2 habitual da equipe – que, por sinal, é a única que joga com regularidade com três zagueiros na Série A -, o Coelho adiantou a marcação e jogou quase que o primeiro tempo inteiro no campo de ataque. Com posse de bola, dominou o Fluminense e só  parou em ótima atuação de Diego Cavalieri. Entre defesas incríveis, o goleiro tricolor pegou um pênalti polêmico batido por Fábio Júnior.

O início do jogo: Flu no 4-2-2-2, América no 3-4-1-2.

Mas o arqueiro do Fluminense não teve segurança suficiente para sair nos pés de Kempes, que entrou sozinho pela direita, aos 38. O gol do América Mineiro representa bem as falhas do setor defensivo tricolor na primeira etapa, sobretudo pelo lado esquerdo. O lateral estreante Jefferson errava de tudo e cansava de tomar bolas nas costas. Para piorar, Edinho e Valência batiam cabeça e não o cobriam. O primeiro não sabia se era terceiro-zagueiro pela direita ou primeiro volante. A marcação indefinia a todo momento.

Se não bastassem os problemas na defesa, o meio de campo tricolor também não funcionava. Sem Deco, a criatividade inexiste. Ainda mais quando o garoto Lanzini não aparece para o jogo, o que acontece frequentemente desde o Fla-Flu decidido por Darío Bottinelli. O outro meia, Marquinho, corria muito e pensava pouco, afobado demais. Na frente, Sóbis se mexia pouco com a bola, principalmente pelo esgotamento físico causado pelas ordens de Abel para voltar e ajudar na marcação. Fred sequer recebia bolas.

Problemas demais para um time que mirava a liderança do campeonato. Melhor para o tranquilo América, que tinha paciência para trabalhar a bola no campo de ataque e cautela na defesa. O ponto negativo foi Fábio Júnior, que perdeu pênalti, gol na cara e errou passes e dribles em uma escala impressionante. Em um Engenhão lotado e contra o lanterna da competição, esperava-se mais do Fluminense.

No intervalo, Abel Braga resolveu parte das vaias da torcida, que pedia mudanças na equipe. Mas criou outras. Não adiantava mexer mal. Depois de acertar na troca de Valência por Diguinho, que melhorou a saída de bola e o combate na frente da defesa, funcionando até mesmo como um armador, inventou Araújo no lugar de Lanzini. E manteve Jefferson tomando sufoco na lateral.

A ideia era abrir uma atacante por cada lado(Araújo na esquerda, Sóbis na direita) e forçar Diguinho a organizar o jogo por dentro com Marquinho. Deu errado. Até pelo fato dos atacantes não entenderem a proposta de Abel e insistirem em jogar pelo meio, afunilando o jogo. Sem jogadas pelas laterais e com o time embolado no meio, sobravam oportunidades para o América contra-atacar.

A torcida voltou a vaiar. Desta vez, as reclamações vinham acompanhadas com os pedidos pela entrada do atacante Rafael Moura. Abel atendeu-os aos 20. E, enfim, resolveu tirar Jefferson. Puxou Marquinho para a lateral e viu seu meio-campo desaparecer. Sobrou, então, para Sóbis e Araújo as funções de criadores da equipe. Inútil. O pesadelo ganhou proporções ainda maiores: em jogada trabalhada novamente pelo lado direito, o ótimo ala Marcos Rocha achou Alessandro dentro da área, que concluiu com oportunismo, ampliando a vantagem.

O fim da partida: Flu já nervoso e desorganizado, América esperando o apito final.

O último suspiro de um time que se mostrou apático na maior parte do jogo, enterrado por mexidas ruins de seu técnico, surgiu logo em seguida. Na base do abafa, Marquinho enfim entendeu a ideia de Abel nas jogadas pelas pontas, visando o cruzamento , e cruzou para Rafael Moura concluir. Depois de uma tentativa fracassada, na segunda o He-Man diminuiu a vantagem. As esperanças de uma virada estavam vivas.

Mas só o perfil guerreiro não basta para um time vencer jogos no Campeonato Brasileiro. É preciso ter um mínimo senso de organização e equilíbrio em todos os setores do campo. Coisa que o Fluminense esteve longe de ter, justamente ao contrário do América Mineiro, cada vez mais esperançoso na luta contra o rebaixamento.

08/11/2011 / Boleiragem Tática

Durval na lateral-esquerda, uma ótima opção para Muricy Ramalho ‘anular’ Daniel Alves

Ao perder Léo, lesionado, e Alex Sandro, seu reserva imediato, vendido para o Porto, Muricy resolveu improvisar o experiente zagueiro Durval na lateral-esquerda. Inteligente e canhoto, o “Xerife do Sertão” rapidamente se adaptou. Em cinco jogos, foi bem em todos, diminui os problemas defensivos e criou uma ótima alternativa para Muricy Ramalho armar seu time no Mundial de Clubes, em dezembro, visando um possível e provável confronto contra o Barcelona.

Apesar de viver dizendo que a melhor forma de vencer o Barcelona é fazer seu time se desprender das preocupações defensivas e jogar bola, é fato óbvio que o treinador santista terá, ao menos, uma mínima atenção ao escalar a defesa que terá a dura missão de parar Messi e Cia. A ideia de Muricy é desenvolver uma marcação por zona, com combates rápidos e, sempre que possível, adiantar a marcação. Este que vos escreve concorda completamente com o treinador. No entanto, por bem ou por mal, duelos individuais ocorrerão nesse confronto provável, como em toda partida de futebol.

Esses confrontos individuais se darão, sobretudo, pelos lados do campo. É aí que a improvisação de Durval entra em ação. No lado esquerdo da defesa santista, o direito do ataque catalão, a missão é árdua: marcar dois grandes jogadores ofensivos. Afinal, além de Pedro, o atacante que costuma jogar aberto por aquele lado, o lateral-direito da equipe de Joseph Guardiola é ninguém menos ninguém mais que Daniel Alves, um dos mais atacantes da posição em todo o planeta.

Quando o time tem a bola, é comum Pedro entrar em diagonal e abrir um imenso corredor para Dani Alves, que vira praticamente um segundo ponta-direita. Na maioria dos casos, o meia rival que deveria estar em sua marcação quando sem a bola, não aguenta a frequência das subidas do camisa 2 barcelonista e o deixa livre. Isso só facilita ainda mais as jogadas criadas pelo time. Daniel Alves é, aliás, um dos grandes criadores de tramas do Barcelona, justamente pelo espaço e pela liberdade que lhe são concedidos.

Com Durval na lateral, o Santos ganha um lateral defensivo, exatamente no lado em que mais precisa reforçar o combate. Assim, o confronto com Daniel Alves e Pedro se torna mais simples. Se um dos volantes marcar Messi, Pará, o lateral-direito, colar em David Villa, Edu Dracena e Bruno Rodrigo sobrarão. Como só é preciso um jogador na sobra da zaga, um dos zagueiros pode sair para marcar Pedro e, assim, Durval fica exclusivamente preocupado com Daniel Alves.

Meio sem querer, Muricy pode ter descoberto a melhor forma de anular uma das grandes jogadas do Barcelona. Ainda assim, vale ressaltar que Durval é um jogador absurdamente mais lento do que Daniel Alves. E menos técnico também. Portanto, a possibilidade do lateral do time europeu levar a melhor nesse embate é, de fato, bem maior. Mesmo assim, só de ter um homem exclusivamente no seu pé, a pressão aumenta e a dificuldade também. E é possível que Daniel Alves renda menos do que o esperado.

Há ainda um outro ponto favorável em se ter Durval preso à marcação na lateral-esquerda. Com um homem totalmente voltado para a defesa no lado esquerdo, Neymar não precisa se preocupar em voltar para marcar. Com mais liberdade e espaço, até em maior escala que Daniel Alves, o melhor jogador brasileiro da atualidade certamente será muito perigoso.

30/10/2011 / Boleiragem Tática

Grêmio 4 x 2 Flamengo – A acomodação rubro-negra e o erro de Luxa facilitaram a vingança gremista

Em meio à toda turbulência prevista para o reencontro entre a torcida gremista e o seu ex-ídolo, hoje vilão, Ronaldinho Gaúcho, houve pouca tensão num jogo bastante aberto e pouco faltoso na tarde deste domingo, no Olímpico. Depois de abrir 2 a 0 em contra-ataques bem armados, o Flamengo relaxou no jogo e deixou o time da casa crescer. Em duas boas jogadas de André Lima, o Grêmio empatou. Mais acuado ainda pelas mexidas de Vanderlei Luxemburgo, o Rubro-negro  ainda sofreu a virada com dois belos gols de Douglas e Miralles. Uma tarde perfeita para os gremistas “traídos” pelo camisa 10 rival.

Ao contrário do técnico rubro-negro, Celso Roth soube mexer. Ao invés de recuar mais o time, trocou um zagueiro com cartão amarelo por um volante. Em seguida, o perdido Júlio César por um Bruno Collaço mais constante. Por fim,  o apagado Escudero pelo brilhante Miralles. Alterações não tão inventivas, mas um tanto eficientes. Substituições que acabaram por definir a partida juntamente com as promovidas por Luxemburgo. Sobretudo uma: Thomás por Muralha.

É incrível como Luxemburgo tem mexido mal nos últimos jogos. Bastou sofrer o empate para se assustar e recuar o time. Se o desejo era dar mais proteção à zaga e daí a escolha por Muralha, então por que não tirar Renato Abreu, mal na partida? Ou até mesmo Deivid, quase sempre inoperante na frente? Tirar um dos melhores do time em campo, o garoto Thomás, que voava nos contra-ataques pelo lado direito foi um erro imperdoável.

No mesmo 4-2-3-1 do Grêmio, o Flamengo não marcava tão bem, mas saía com velocidade e inteligência para os contra-ataques no primeiro tempo, com Thomás de um lado, Thiago Neves centralizado e Ronaldinho deitando e rolando pela ponta-esquerda, atalho rubro-negro às costas de Júlio César. A tática de puxar Fernando ou Gilberto Silva como um terceiro zagueiro para liberar o lateral-esquerdo se virou contra Celso Roth. Nos dois gols, o contra-ataque rubro-negro surgiu por aquele lado, justamente nas costas do camisa 16 gremista.

Primeiro tempo: ambos os times no 4-2-3-1. Detalhe para o recuo de Fernando, quase sempre ele, como terceiro zagueiro para liberar Júlio César. Foi por ali que surgiram os dois gols rubro-negros.

Veio a segunda etapa e a eficiência da equipe no primeiro tempo deu lugar a um time sonolento com três volantes no meio-campo. Junto com Airton e Renato Abreu, Muralha não só entrou desligado como perdido taticamente. Por vezes, sobrava erradamente na marcação.

A troca de um garoto por outro, mais precisamente de um meia-atacante que estava bem no jogo por um volante que entrou mal, só piorou o panorama que já era preocupante àquela altura. Afinal, o eficiente primeiro tempo que o time rubro-negro havia feito, foi por água abaixo com os dois gols de André Lima, que selaram o empate no início da segunda etapa. O primeiro em falha típica do limitado Welinton. O segundo, bastante facilitado por Renato Abreu, que voltou a atuar boa parte do jogo como segundo volante.

Antes mesmo da substituição, o Flamengo já não era mais o mesmo. Nem de longe lembrava o time seguro da primeira metade do jogo. Parecia ter sentido o segundo gol. Como se os gols de Deivid e Thiago Neves nada valessem. Airton, por exemplo, que fazia partida simples, mas boa, não achava Douglas na segunda etapa. O contra-ataque já não tinha velocidade e o tradicional relaxamento do time, sobretudo em jogos fora de casa, se combinou novamente com a apatia. Assim como contra o Figueirense e o Internacional, ambos fora do Rio, o time sofreu o empate após abrir dois gols de vantagem.

Dessa vez a situação ficou ainda pior. Com o time ainda mais recuado e perdido na marcação, Douglas, já sem a companhia de Airton e às costas de Junior Cesar, acertou um chutaço, típico de seu preciso pé esquerdo: 3 a 2 Grêmio. A torcida inflamada e o adversário acuado eram ingredientes a mais para o quarto gol. O bom meia-atacante Miralles, que não vem apresentado o mesmo futebol do Colo-Colo, seu último clube, se inspirou em Douglas e, de perna esquerda, fez outro golaço: 4 a 2. A vitória estava selada. E a vingança a Ronaldinho, o melhor do Flamengo em campo, também.

14/10/2011 / Boleiragem Tática

Atlético Paranaense 2 x 2 Vasco da Gama – A inversão de papéis

É impressionante como um jogo de futebol pode se transformar em questão de minutos. Ao final do primeiro tempo de Atlético Paranaense x Vasco, nesta quinta-feira, na Arena da Baixada, o time da casa jogava bem e derrotava o carioca merecidamente por 2 a 0. Bastou o intervalo e o início da segunda etapa para tudo mudar. O bom futebol deu lugar a uma preguiça inexplicável, em meio à falta de preparo físico e de disposição de alguns jogadores.

Com isso, o Vasco, que fazia um primeiro tempo deplorável, passou a tomar conta do jogo e pressionar no campo de ataque. Não demorou muito para empatar o jogo. A queda brusca de rendimento do Furacão coincidiu com o aumento de volume de jogo da equipe cruzmaltina, que tinha Élton no lugar do inoperante Alecsandro. E foi justamente de seu pé esquerdo que saíram os gols de empate.

A decepção dos torcedores rubro-negros ao final do jogo é totalmente aceitável. Para quem viu os primeiros 45 minutos de jogo, era impossível imaginar que o empate seria cedido de forma tão displicente como aconteceu. Sem vontade, organização e o mínimo de ousadia, o Atlético simplesmente olhou o Vasco jogar, numa inversão de papeis direta em relação com o tempo.

Primeiro tempo

Afinal, na primeira etapa, era o Vasco que olhava o Furacão jogar. E pressionar. Principalmente pelo lado direito, com Wagner Diniz deitando e rolando sobre o lento e veterano meia Felipe, improvisado desnecessariamente na lateral-esquerda por Cristóvão Borges. Antônio Lopes foi inteligente, colou Renan Foguinho em Diego Souza, que jogava aberto pelo lado esquerdo, e liberou seu lateral-direito, que passou a atuar como um autêntico ala-direito.

Quando o Atlético tinha a bola, Wagner Diniz se alinhava aos meias Marcinho e Paulo Baier e ao atacante Guerrón, aberto pelo lado esquerdo do ataque paranaense, em cima do lateral Fágner, quem acompanhava na marcação quando seu time não tinha a bola. Na prática, um 4-1-4-1 de muita liberdade pela direita.

E deu muito certo na primeira etapa. Na parte ofensiva, foi por esse lado que Wagner Diniz cruzou duas bolas para a área. Na primeira, Felipe levantou o pé acima da bola. Na segunda, só olhou. Duas falhas do lateral improvisado. Dois bons cruzamentos de Wagner. Um resultou em gol de Paulo Baier, o outro em gol de Guerrón, que cabeceou livre da marcação de Dedé e Renato Silva, perdidos na linha de impedimento, sem chances para Prass.

Na parte defensiva, Antônio Lopes também montou bem o time. Enquanto Deivid combatia pelo meio e Heracles ganhava todas de Eder Luís no lado esquerdo da defesa, Renan Foguinho anulava Diego Souza por todo lugar. O camisa 8 do Furacão seguia o 10 vascaíno por todo o campo. O problemas era o miolo de zaga: Rafael Santos e Gustavo são estabanados, desatentos e confusos. Ainda assim, o time não sofreu grandes perigos no primeiro tempo.

Em compensação, os problemas vieram em série no segundo tempo. Desatento e frio, o time atleticano mal tocava na bola. E se fechava quase todo na defesa: somente Morro García ficava à frente da linha de meio-campo. E tome pressão do Vasco, que já tinha Allan no lugar do contundido Rômulo desde os primeiros minutos e Élton no lugar de Alecsandro desde o intervalo.

Novamente no 4-3-2-1, o time de Cristóvão soube adiantar a marcação e encurralar um time “morto” no seu campo de defesa. Então veio a sacada do técnico: percebendo que com Diego Souza preso à ponta-esquerda e Renan Foguinho na sua cola, Wagner Diniz tinha liberdade para apoiar incessantemente, ele trocou o camisa 10 vascaíno com Eder Luís.

E Diego Souza foi parar na ponta-esquerda, caindo para o meio quando recebia a bola. Renan o acompanhou. Wagner Diniz teve que se preocupar, pela primeira vez no jogo, com a marcação, voltando a atuar como um lateral de fato. E agora com Eder Luis jogando às suas costas. Bom para Felipe, que provou ainda ser capaz de jogar na lateral-esquerda, sob uma condição, todavia: contanto que só apoie. Sem preocupações defensivas, o camisa 6 foi bem no apoio, servindo diversas vezes os atacantes vascaínos com a maestria que apresenta como meia.

No entanto, o cruzamento fatal veio da intermediária esquerda. Livre da marcação de Heracles e Deivid, Diego Souza fez ótimo lançamento para Élton, que, oportunista, ao contrário de Alecsandro, completou com um bonito gol de canhota: 2 a 1. O gol foi a senha para o Vasco crescer no jogo e intimidar ainda mais o Atlético Paranaense.

Lopes tentou fazer o time reagir. Colocou Cléber Santana, Adaílton e Jenisson. Nada fazia o Atlético sair para o jogo e equilibrá-lo. O Vasco era mais intenso. O Vasco pressionava. Não demorou muito para Eder Luis ganhar o duelo com Wagner Diniz e cruzar de forma precisa para Élton novamente marcar. O empate pré-determinado pela falta de vontade e coragem do time da casa enfim acontecia.

E quando o Atlético parecia finalmente ter acordado do intervalo, Rafael Santos jogou um balde de água fria na esperança da torcida. Aos 42, após escanteio cobrado da esquerda, desvio de dentro da área, a bola sobrou livre para ele. Mesmo dentro da pequena área e sem ninguém a sua frente, jogou por cima do gol. Era o suspiro final do Atlético Paranaense.

Melhor para o Vasco, que conquistou um ponto difícil e importante fora de casa. Um ponto que pode fazer diferença lá na frente. Assim como os dois perdidos pelo time de Lopes, forte candidato ao rebaixamento.

03/10/2011 / Boleiragem Tática

Com Luís Fabiano, São Paulo ganha referência e muda esquema tático

São Paulo 'fabuloso': time ideal de Adilson Batista está em formação e jogará no 4-3-2-1.

Para quem esperava uma atuação fabulosa, Luís Fabiano deixou claro que a ordem é esperar. Neste domingo, contra o Flamengo no Morumbi, Adilson Batista enfim escalou o seu centroavante, a peça que faltava para completar o seu time. Ainda que por apenas 60 minutos, pôde se ver um São Paulo diferente, ainda longe do ideal, mas com o camisa 9 ideal em campo.

Verdade é que o Fabuloso ainda se encontra fora de sua melhor forma física. Ainda assim, ele foi capaz de levar perigo ao gol de Felipe por duas vezes. Nas duas, Luís Fabiano levou a melhor sobre Alex Silva e bateu cruzado, só parando em Felipe. No entanto, mais do que as chances criadas pelo atacante, são as novas facetas táticas da equipe que merecem elogios.

Com a presença do camisa 9, Lucas e Dagoberto recuaram seus posicionamentos. Antes atacantes, agora voltaram a jogar vindo de trás, como dois meias-atacantes, quase sempre abertos pelas pontas. A exceção se dá quando Casemiro sobe pela direita, “empurrando” Lucas para o centro e mudando o esquema tático da equipe: do 4-3-2-1 para o 4-2-3-1.

Esta variação foi a maior surpresa do São Paulo de Adilson neste domingo. Com Lucas no centro, levando inclusive a melhor sobre Airton, o vértice do losango rubro-negro completado por Willians, Renato Abreu e Thiago Neves, e Casemiro e Dagoberto pelos lados, o time da casa criava boas chances. Principalmente pelo lado esquerdo, que ainda tinha Cícero e Juan no apoio.

A expulsão de Lucas, porém, pôs tudo a perder. E deu contexto para o Flamengo ir pra cima e sair de seu campo de defesa. Luxemburgo rapidamente tirou Airton, praticamente sem função em campo, e colocou Diego Maurício. O time ganhou volume de jogo e abriu o placar com Thiago Neves, após belo cruzamento de Junior Cesar. A expulsão de Willians, duvidosa, recolocou os donos da casa no jogo. E Dagoberto, num chutaço de fora da área, deixou tudo igual.

Já sem Luís Fabiano, o São Paulo sentia a falta de um homem de área. Homem esse que Rivaldo tentou ser – e conseguiu em alguns momentos – na maior parte do ano, como um falso-nove. Homem que Henrique era pra ser no segundo tempo, mas fracassou. De todos eles, Luís Fabiano é o que mais chances têm de dar certo na função. E provou isso neste domingo: com luta, movimentação e jogadas criativas. Ainda que não tenha sido suficiente para impedir a vitória rubro-negra, completada com gol de Renato Abreu.

Agora com um centroavante de verdade, o São Paulo têm motivos de sobra para crer em título. Depois de mudar o esquema para encaixar o Fabuloso, Adilson Batista aos poucos vai montando seu time ideal. E entre os onze, alguns já têm lugar cativo. Luís Fabiano é um deles.

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